28 de fevereiro de 2013

teatro


não deixamos escapar a última peça da plano 6 que brindou o norte com uma sessão única no passado domingo. trouxemos um autógrafo de um glóbulo vermelho e o cd gira no carro em modo non stop, letras bem escritas e peça fantástica. o alcance para uma criança de 5 anos não será total com certeza, há muitas palavras desconhecidas, há-de-me perguntar o que é e uma mãe é apanhada muitas vezes sem respostas eficazes na ponta da língua, já me fez googlar a constituição da casca de ovo que me apanhou engasgada. mas a dinâmica global de funcionamento do corpo já a vai conhecendo e não há melhor argumento, no caso deste filho, do que pensar nos micróbios que ficarão a atacar-lhe a boca durante a noite quando não quer lavar os dentes.

27 de fevereiro de 2013

praticar



















lidamos os dois com muitos momentos de frustração sua. o confronto com a perfeição, no seu conceito de perfeito, traz-lhe por vezes verdadeiros momentos de conflito. quer apagar desenhos, repeti-los, começar de novo muitas vezes. à frente de uma mãe com vários anos de desenho numa proibida utilização de borracha, desse objecto eliminador de caminhos, de tentativas e de erros (quem disse que os erros não são uma parte boa do processo de procura?) e franca utilizadora de undo's, claro está que o discurso tomou caminho para o aproveitamento do erro como enriquecedor do nosso trabalho. acabamos a falar do jogo que aproveita o erro ou o risco aleatório para daí construir desenhos com nexo. foi um jogo de infância que partilhei muitas vezes com uma prima, uma troca de rabiscos pelo desafio de transformarmos o abstracto em concreto. também falamos de persistência, de tentativa, de obstinação como aquela que constatou nas bailarinas do degas. às vezes, muitas vezes, as nossas conversas parece que não servem para nada. mas depois descobrimos folhas cheias, "estou a  treinar", com bicicletas ou cavalos.

23 de fevereiro de 2013

cardumes deles

















hoje no mercado. a matar saudades do peixe, assim vivo, fresquinho, reluzente, em quantidade e variedade. aproveitamos para recapitular, escamas, guelras, barbatanas. e a música mais que apropriada! contamos mais de dez peixes, alguns apalpados ao vivo.

22 de fevereiro de 2013

rasgamos nuvens














a torto e a direito. rasgamos já várias camadas. eu sei que as folhas são brancas, o miudo maior cá de casa até tem membros superiores e inferiores preguiçosos, e custa-lhe muito quando o desafio inclui pintar por aí fora superfícies extensas, que essa enormidade de céu azul custa a desbravar de tão infinita que é, que o lápis branco em folha branca não funciona (também já constatou), que precisam de puxar pela mioleira, (talvez deixarem buracos no azul do céu), mas as nuvens são brancas professores. tão branquinhas, um aspecto fofo, vá às vezes nebulosas, cinzentas, quase negras no limite. mas azuis? ok já lhe repeti que nos desenhos se pode tudo, nos desenhos e nos sonhos. acho que percebeu quando lhe sussurrei que podia sonhar com todas as brincadeiras que tiveram juntos e tentei dar algumas ferramentas para ultrapassar o seu primeiro luto, com verdade.

21 de fevereiro de 2013

e viajou mais lá para dentro ou mais lá para fora?














levava algumas viagens na algibeira. de longa distância, vinte dias na índia profunda, um casamento pelo caminho, um quase interail, bombaim, aurangabad, amravati, goa, cochi e trivandrum. timor, tão especial, naquele dia vinte de maio corria 2002, com um regresso por bali. uma saltimbanco entre los angeles, las vegas e s francisco, completada mais tarde por nova iorque. todas as muitas ao brasil, duas destacadas, a incluir brasília e s. luis do maranhão. um méxico turista. depois do interregno das longas distâncias de novo brasil, duas crianças a enriquecer a viagem. áfrica guardada lá atrás no tempo e nas dobras das calças, cabo verde e tunis e histórias não esquecidas, mais de vinte anos de distância. um ano de suiça francesa, mais uns passeios, outro ano uma itália com cama grátis, muitas cidades, a algibeira do lado é quase a mesma. a europa mais perto, low costs, filho/filhos atrás, roma, londres, suiça outra vez. mais umas perdidas nas casas dos botões das camisas, amsterdam, roterdam, haia, paris, strasbourg, viena, bilbau, barcelona. umas quantas mais à porta a contar com as ilhas. e agora que tantos emigram e se revoltam justa ou injustamente com o seu país, esmiuçam todos os seus podres, lhe catam os cabelos brancos, loiros, negros e/ou espigados. catalogam diferenças mais ou menos bem sucedidas. voltava ela a pensar no espirito do lugar, na envolvência de um povo, de uma cultura, de uma abrangência nada palpável. na forma como se fala, como se anda, como se circula, como se mexe, no volume das coisas, nas cores, e em tantas tantas outras coisas muito menos insignificantes, absurdas, até mesmo bacocas. voltava ela a pensar que as queria assim, a todas as culturas, no seu lugar, lá onde pertencem, onde se encaixam, com cruzamentos aceites, alguma miscigenação, mas profundamente enraizadas em si mesmas. que portugal é isso tudo que dizeis mais justa ou injustamente mas sim é isso e mais esta porcaria que vai deixando muitos sem chão mas não queiram que seja outra coisa. ide ao brasil esperar pelo onibus à hora certa, à índia apanhar transportes e não ouvireis silêncio, ide a áfrica e levai perfume na ponta do nariz. não vos deixeis emaranhar nas suas envolvências, visitai o norte da europa como se estivésseis a sul do equador. 
o autocarro aqui não chega à hora e não é que a coisa não interesse mas ela aceita-a, é básica e aceita o seu país assim. no fundo, no essencial, apesar de tudo, não o quer diferente.

18 de fevereiro de 2013

fasnachts basel

















voaram muitos rebuçados, flores, chupas, laranjas, maçãs e até cenouras.  em casa, esvaziamos os sacos e fizemos conjuntos. teríamos material para uma pinhata. o pequeno perdeu o terror aos mascarados, seduzido por cavalos e máscaras com cabeças de animais. o mundo animal vai sendo por estes dias muito cantado. o nosso carnaval anda perdido. querem contrariar a natureza. a nossa.

12 de fevereiro de 2013

festa




























é-nos difícil decidir aniversários. em casa há sempre convidados a mais com quem, por essa razão, pouco acabamos por privar. muitos meninos e meninas entre paredes fá-las tremer um bocadinho, às paredes. muitos meninos e meninas entre outras paredes, a maior parte sem janelas, música muito alta a excitá-los mais e a pagar não nos tem seduzido mas aniversários no inverno deixam pouca margem de manobra. há praia e parque quase à porta mas com chuva a coisa não combina. este ano 5 anos, 6 presenças, um sol de inverno maravilhoso uma praia de manhã quase só para nós. crianças a correr e a saltar livremente e pais a carregar energias, espero. melhor, cá para nós, era difícil.

11 de fevereiro de 2013

tempos modernos


























não perceberam o alcance da mensagem nem a amplitude do ator mas riram com mímica e black and white. afinal não são precisos efeitos especiais.

8 de fevereiro de 2013

carnaval














falamos sobre romanos a propósito. estava entusiasmado com uma máscara de gajo, macho lutador. ao terceiro Carnaval deixamos de lado o felpo. um crocodilo pelo meio agredido pelos colegas maiores que tinham espadas, é coisa de que não se esquece, por isso levou um arco e flechas e muita conversa contra agressividade. a ver se lá fica alguma coisa. os acessórios diretamente de lá

7 de fevereiro de 2013

V





foi com o patrocínio da HM que nos atiramos aos convites. uma mão cheia de anos . uma festa cheia de gajos.

4 de fevereiro de 2013

1 de fevereiro de 2013

ele






















ele e uns animais
ele e as suas mil e uma construções de lego
ele e alguns playmobil
ele e dois objectos ao lado do prato da sopa
ele e embalagens recicladas onde aprendeu muitos números e letras
ele e gomos espalhados de tangerina onde descobriu pares e ímpares
ele e cubos ou paralelipipiedos de madeira onde descobriu contrafiados
ele e umas pedrinhas
ele e um conjunto qualquer de objectos
 
-anda comer a sopa
-espera estou a fazer uma historia
-anda tomar banho
-espera estou a inventar uma historia
-anda calçar-te
-espera estou a contar uma historia
-anda vamos sair
-espera estou a acabar a minha historia
-anda vamos sair do banho
-espera estou quase a acabar a minha historia
-tira isso para me ajudares a por a mesa
-espera estou só a acabar de fazer esta historia
-anda lavar as mãos
-espera eu estou a fazer uma historia e não posso interrompe-la para nada!
 
-qual historia? não consigo ouvir-te, estas a sussurrar
-as minhas historias são segredos ninguém as pode ouvir
não quero dizer ainda não acabei a historia

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982