31 de outubro de 2013

30 de outubro de 2013

29 de outubro de 2013

percursos

















a porta da adolescência escancarada. trocavam-se passeios cotas à beira mar por qualquer outra coisa, já não se recorda, talvez por livros que telemóveis não havia. o mar a bater ondas e elas dentro da máquina num amplo miradouro de terra batida. lembrou-se de ver se saberia coordenar os pés. estava habituada a entrechat quatre, três pedais haviam de ser canja. e foram. virou-se para a ignição como se já conhecesse todos os passos. nunca se tinha sentado em nenhum colo a fazer de conta que girava o volante, quando os pés não chegavam ao chão sentada na cadeira, mas já tinha feito muitas contas de cabeça a estimar horas de chegada nas intermináveis viagens de verão rumo ao sul. nunca perguntou: já chegamos? onde estamos? porque tomava conta das placas, dos quilómetros e a quantos iam à hora e fazia contas de cabeça como quem conta carneirinhos para passar o tempo. meteu primeira e marcha atrás e lembra-se do carro ter ido abaixo e de não ter desistido sob pena de não ficar bem na posição de origem. era arisca na dose porque arriscava dentro de um trilho imaginário.

28 de outubro de 2013

a majora fechou


















nós ainda nos vamos divertir muito com o sabichão

27 de outubro de 2013

representação do mundo, do nosso mundo




















ele quis que rodopiasse o pião em cima da sua própria barriga respondi-lhe que tentaria mas provavelmente aguentaria pouco tempo porque a barriga não era uma superfície com grande extensão lisa. ele disse-me que na minha seria pior que tem mais rugas. lembre-me do empty nest. um dia digo-lhe que essas marcas também são a história dele, a minha e a nossa (há quem o diga melhor). ter um mapa que tem muitas histórias lá dentro e confessar quase com a mão em cima da bíblia não querer mesmo nada ser uma barbie é saber viver com imperfeições. recordo como se fosse hoje a beleza das veias mais salientes que atentamente observava nos pés e mãos da minha mãe entre os seus trinta e os quarenta. uma pele de bebé sem quebras quase nenhumas quase sem plasticidade e tão imaculadamente homogénea eram aos olhos de criança desinteressantes. era só um exemplo dessa atracão pelo imperfeito. ser uma adolescente sem posteres fotogénicamente irrepreensiveis no quarto, sem nunca ter babado nem idolatrado nenhum desses desconhecidos que se evidenciavam nos anos 80, exactamente por isso, por serem desconhecidos, era um sinal. já uma mancha branca num certo cabelo, lá está uma espécie de imperfeição, me despertaram a certa altura algum interesse. quanto ao mapa, preferia que fosse um planisfério em vez de ser um quase globo. provavelmente ainda não estará la tudo explanado por isso não determino com precisão ter um mapa corográfico, topográfico ou uma simples planta. 

plasticina




















passamos a manhã de volta da plasticina. já cá andavam os corantes que compramos pela primeira vez à espera. comprovamos a descrição da embalagem: "pode causar efeitos negativos na actividade e atenção das crianças". também ainda não nos saiu alguma coloração das mãos. temos mais um argumento para convencer os meninos que nem sempre os bolos mais coloridos são os melhores e que na dúvida é sempre melhor não deglutir as massas arco íris por muito que façam um bolo brilhar.

26 de outubro de 2013

século XXII










































28 meses equilibrados em cima de um banco na bancada da cozinha, ipad ligado, pai on line. menino de copo na mão esticado ao ecran:

papa põe-me água...
pai alerta a mãe, o menino tem sede e a mãe está de volta das maleitas do filho maior quando vem atestar o depósito eis que:
NÃO!!!! o papá é que põe água!

mãe engole um "filho ainda não estamos no século XXII, lá chegaremos" muito muito baixinho...

25 de outubro de 2013

das palavras

arranjei uma frase com estas silabas todas:
frigorifico congelador

imagens fora de contexto, ou até não
























depois de passearmos numa urgência, tentarmos o médico de família, contactarmos o pediatra pelo telefone e passearmos com uma carta para uma eventual visita ao hospital central com pediatria de urgência para despistagem de causas mais complexas, eis que a mãe com colaboração via Skype do pai faz o diagnóstico, executa um internamento migratório entre o quarto e o corredor próximo da cozinha, e avança com os primeiros tratamentos de enfermagem. já lá iam 5 dias de queixas que excluíam febre, diarreia ou vómito. mas há mais vida para além destas evidências e não, o menino não se queixava de dores na zona centro por uma eventual adaptação à escola, a escola vai bem e recomenda-se. e, as mães conhecem os filhos, às vezes podem distrair-se que também é humano mas não  não era o caso. muniu-se de tudo um pouco, chá, massagens, ginástica cueca (sim essa mesma que se faz a bebés entre o primeiro e o terceiro mês quando o sistema digestivo começa a funcionar e surgem os primeiros danos colaterais que os fazem contorcer-se), e um saco de água quente (onde raio andará a botija quando precisamos dela?). para o diagnóstico desprovidos de estetoscópio, esse ex-libris que passeia no pescoço deles, dos médicos, usamos o ouvidinho e a máxima sensibilidade da ponta dos dedos mesmo sem sabermos na ponta da língua que raio de dobras entre órgãos andávamos nós a apalpar. devia ter bebido todas as poções mágicas preparadas mas da próxima a coisa vai ser melhor que senti que o discurso lhe estava a bater forte lá dentro. tens micróbios que te estão a provocar dores e precisas de mandar para lá uma tropa extra para ajudar no combate, nem sempre podemos só ingerir o que nos sabe bem porque às vezes precisamos de ir buscar tropa de combate a outros sítios e por muito que o nosso corpo seja uma máquina super hiper espectacular às vezes precisa de uma ajudinha, de uma mãozinha. e a minha mão demorou a sair-lhe de cima da barriga. entretanto parece que a chuva abrandará durante o fim de semana e até poderá espreitar o sol e como a temperatura continua amena poderá dar se o caso de até lhe fazer a vontade e deixá-lo molhar-se até aos ossos, e deixá-lo até sentir a chuva a bater-lhe na cara. e, como o irmão escapou também ao tradicional terceiro dia de febre e ficou-se pelo diagnóstico de foi bicho passageiro, poderá dar-se o caso de irmos mesmo os três dançar à chuva e pode também ser que se for dia de casamento de viúva consiga-mos que o sol nos alivie a encharcadela.

24 de outubro de 2013

terceiro e quarto dont





















ensinar-me a construir uma ponte foi o mote para um final de tarde como gosto. ficaram os dois a desafiar-se em construções. o menor a alinhar, a empilhar e a murar (olha o que eu fiz mama), o maior desatou a construir um coliseu em contra-fiado (o Carnaval também pode servir para conversar de mais coisas). o nosso material vem de outros jogos mas tem sido muito flexível a várias explorações que pertencem ao brincar. alguns brinquedos não deviam ter nem idade nem especificidade.

20 de outubro de 2013

19 de outubro de 2013

ao pequeno almoço



panquecas com sementes de sésamo e sementes chia e o doce de abóbora do costume

18 de outubro de 2013

vai e vem

















o vai e vem tem muita piada, que tem. mas depois quando vem e vai muitas vezes e o balanço se torna familiar perde a piada. o baloiço foi e veio para os adultos e precisa de ficar parado ou desaparecer por uns tempos para ganhar novo fascínio. não é assim que se devem fazer aos brinquedos lá de casa? a magia da quebra da rotina tem um potencial tremendo. é sempre bom e recomendável experimentar. por agora podíamos rotinar de novo e por períodos mais prolongados só para dar tempo às quebras funcionarem como tal...

17 de outubro de 2013

tapar um olho e abrir uma porta nova






















ele queria fazer uma pala para o olho para ser pirata, pirata para a frente pirata para trás e vai dai falei-lhe no camões. ele também tinha uma pala no olho, fomos ver se era no direito ou no esquerdo e vimos uma imagem poética dele a nadar de manuscritos na mão. fica-mo-nos só pela poética imagem e deixamos os lusíadas para depois. mas o tema voltou e o camões já rivaliza com um astronauta como indumentária de carnaval. tínhamos tantos planos para explorar. ele eram garrafas às costas e tubos de aspirador e um fato improvisado, mas a ideia de uma pala e a descoberta que ele também terá sido soldado por isso para além de passear uma pena e manuscritos poderia enveredar uma espada, anda a agradar. só ainda não descobriu que é muito provável que nenhum colega conheça a personagem.

12 de outubro de 2013

do turismo à porta





















passeios grandes ou viagens pequenas

6 de outubro de 2013

4 de outubro de 2013

the mole and the snail


















o maior passeou um caracol uma manha inteira e agora é fã da pantera cor de rosa. o menor foca no ruca. a toupeirnha mantém-se consensual. por isso usamos os supostos remendos nas t'shirts.


2 de outubro de 2013

felicidade também é



















roubá-los cedo à escola e andar por aí a riscar paredes

1 de outubro de 2013

é outono


















quando o outono deixa ficamos cá fora quase até ao fim da tarde e contornamos folhas e riscamos papeis

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982