Mostrar mensagens com a etiqueta # mim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta # mim. Mostrar todas as mensagens

30 de agosto de 2018

realizadora, argumentista e diretora de conteúdos



às vezes parece estar a ver um filme, um filme da sua própria vida mas como espectadora. um garante das suas próprias infâncias, um fornecedor de momentos felizes que prepara a cenografia e se senta a assistir depois a todos os atos mesmo que nos intervalos vá palco adentro dar orientações. às vezes era um motor de arranque, um programador a arrastar crias de guião em punho. há sempre muita frustração à mistura como nos dias que passávamos naquele pátio do nosso apartamento suiço. ficava numa espécie de plateia a ver-vos felizes e soltos, encharcados, muito provavelmente de vistas infinitas a saltarem na água do espelho de água do que me parecia a certa altura um saguão. às vezes arrastava-vos numa espécie de roteiro por equipamentos infantis de todos os quarteirões possíveis, para museus e para fora de muros no parque das traseiras, na fronteira com a alemanha. às vezes esticava a distância e metia-mo-nos no parque com animais e sombras e menos paredes. passaram quatro anos, este ano passamos muitos dias só a atravessar a rua mas sempre com a linha do horizonte a chamar o infinito.

28 de agosto de 2018

o chão da nossa terra



nunca se fiquem pelo suposto, pelo mundo mediano, pela reprodução de conteúdos. vão sempre mais além, questionem, questionem-se, duvidem. é também isso que quero que levem desta mãe chata. 

25 de agosto de 2018

as férias aos socalcos


tinha agendados vários dias diferentes aos solavancos. há sempre um mundo infinito ao virar da esquina por explorar. fizemos metade mas esta urgência de ver mundo ficou a moer-me e às vezes custa a gerir quando não arrancamos e não nos damos duas caminhados ao lado.

23 de agosto de 2018

21 de agosto de 2018

a regularidade do equilátero difícil de ajustar na vida



duas peças do triângulo. o equilíbrio entre tensões. o equilíbrio físico de um equilibra o equilíbrio emocional do outro. há um balanço a trabalhar que nem sempre o terceiro vértice permite e nesta triângulação nem sempre há espaço para chegar à equiângularidade interna e a congruência dos ângulos atinja os 60º.

8 de agosto de 2018

voltar sempre a este canto no nosso mundo


foge sempre do menos puro, procura sempre o que a natureza molda. onde ela se mostra esplendorosa.

31 de julho de 2018

41


espero continuar a não ter problemas com o passar do tempo. espero continuar a gostar que passe o tempo. quando olho para trás apaixono-me à distância pelo que vivi. o que me vivi já me deu tanto que me sinto um bocadinho maior todos os dias.

25 de julho de 2018

this moment


os cinco sentidos, a audição, 20 meses, uma concha, mostrar o mundo, tecnologias out, ouvir o mar. o deus das pequenas coisas que nos deixas. a escola em casa é melhor que a escola na escola.

7 de junho de 2018

as pernas para o ar da vida


























escolher para conversar com o alzheimer os melhores momentos, as imagens mais sorridentes, os dias com mais recheio feliz, os dias mais pacíficos. estes dias acontecem mais vezes do lado de fora das rotinas, do lado de dentro ficam por tradição muitas horas ditas chatas. a vida de todos não é recheada de instamoments sorridentes. há dias que nos entra o caos porta dentro, na maior parte dos dias distribuem-se jantares por entre conversas desalinhadas, estudo, ou conversas soltas de tudo. diriam que um dia olharia para as fotos com um sorriso no coração mas eu que já sou meio virada do avesso fico apaixonada por estas imagens.

2 de junho de 2018

prensa ao cubo


há dias, vários dias, desde há muitos dias atrás, que se vai sentindo prensada. assim como se uma prensa cúbica lhe passasse em cima. às vezes já não consegue dar-se a um de cada vez com a mesma paz com que se deu e isso sabemos que a aflige. depois sabe que a chamam sem chamar e nem sempre está livre porque a prendem tarefas de bebé. fraldas por mudar, sopas por meter numa boca, controlo motor obrigatório. é ai que grita como não se lembra de ter gritado na primeira viagem. é ai que se sente atada e bloqueada. às vezes pede o que não dá: controlo. às vezes dispara para muitos lados como se pudesse coordenar muitas marionetas ao mesmo tempo e em simultâneo, como se pudesse unicamente puxar fios fininhos e as extremidades estivessem em conexão para uma causa efeito imediata. um dia, algum dia, certo dia, mais dia menos dia, vai chegar o dia. o dia em que fala baixinho e só espalha amor. vai chegar um dia em que volta a sentar-se no chão, a penumbra acesa e as histórias a ecoar no quarto. ou então nao, já não vai a tempo desse dia. haverá sempre o dia em pode sentar-se no chão à porta dos quartoS com o seu próprio livro na mão e de vez em quando espreitará pelas frinchas das páginas do meio e se distrairá na história do que observará.

7 de maio de 2018

das redes



estaremos sempre cá em baixo. sabes que ainda sou pequenina como tu e também tenho a minha rede segura?

1 de maio de 2018

mim



tens brancas de estimação. ama-las porque as décadas te dão maturidade. és tão pequenina e já percebeste tantas coisas. o tempo é a pedra mais preciosa, às vezes escava-se muito e encontra-se.

1 de março de 2018

verbo viver






























andamos a tentar correr atras da vida, parece que já não há pedalada para ela que corre que se farta. de repente o pequeno fez uma década, uma década como assim? de repente mesmo. entretanto o mesmo verdadeiramente pequeno sabe traduzir linguagem e tem sede de explorar o mundo. uma sede que nos leva a sermos umas sombras o mais visíveis possível, já que só a nossa real materialidade evita quedas de escaladas arriscadas. sabemos que na vida importa viver e viver para aprender é aprender melhor por isso valha-nos uma mão por baixo e infelizmente nao conseguimos confiar só na de deus, essa mega entidade volátil. queremos tanto desacelerar, e para eles eu quero-nos a nós a correr mundo até à esquina da selva mais próxima. porque descobrimos que a medida das distâncias, do perto e do longe é uma coisa relativa. porque sabemos que é com ar na cara e sem brinquedos que eles mais brincam e crescem e se expandem.e nós que estagnamos no crescimento apesar de tudo recorrer à expansao de nós é um recurso útil. mas depois no meio da inutilidade dos dias quando os ouço a cantarolar o perfect day, quando os observo, no quarto, luz apontada, livro aberto, mesmo que as palavras para o de meia dúzia de anos nao saiam todas com sentido, estamos lá, onde queremos estar.

12 de fevereiro de 2018

construir memórias


retomamos os nossos mega programas de primos. juntamos-lhe o carnaval e o tempo quadriplicou.

8 de janeiro de 2018

a invisibilidade do nosso fio



conto-vos do nosso fio invisível que estará lá sempre, visível. vocês sabem que este pequenino, o nosso aperta narizes, tem duas mãozinhas que vos agarra e fecha o triângulo. o telhado triangular dao nosso pentagono.

11 de dezembro de 2017

22 de novembro de 2017

serões


parecia tudo calmo, alinhavado, uma articulação suprema. mas eis que um tufão se formou e surgiram dúvidas que um não queria ver esclarecidas pelo outro, tudo no mesmo preciso momento em que o pequeno reclama que a fralda estava suja. tentei arrastar o turbilhão para junto do mudador, espalhamos dezenas e apanhamos unidades. voltamos a arrastar leituras por classes enquanto apanhávamos com salpicos do banho do bebé. de fundo tínhamos um tenor a fazer transcrições. continuamos a arrastar contas invertidas e a tentar somar espaço de bancada para espalhar o jantar numa bancada em negativo. há caixotes abertos, muitas miudezas fora do sítio, sacos a pedirem saídas imediatas. mas, no meio de tudo, no meio do furacão, é àqueles segundos enquadrados, registados, aqueles segundos observados que procuro que fiquem. aqueles que um dia voltaremos a visitar.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982