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1 de fevereiro de 2019

eu tu ele nós vós eles-uma carta ao passado


miuda, vão ser grandiosos aqueles anos. houve muitos dias que parecia que um certo sofrimento ia durar para sempre e isso nunca aconteceu. foste épica nos equilíbrios e nos trapézios. estrebuchaste muito. estrebuchaste tanto que te mantiveste em cima do trapézio. sabes, ás vezes parecias ser duas. tu eras duas pessoas, a certinha, a contida, a calada, a sossegada, a misteriosa, a quase apáticae, na mesma medida, a radical, a provocadora, a refilona, a inquietada, a turbulenta e a sedutora disfarçada. sabes que vais encontrar um par perfeito a anos luz dos vários miúdos a quem deste a mão e com quem jogaste ao quarto escuro assim que os anos teen te rebentaram a bolha. é ele que te vai oferecer de mão beijada os melhores anos e os melhores capítulos que te vão encher as páginas da tua vida. não vai ser a infância a parte doce do teu percurso e nem a adolescência. essa vai te preparar para muito, mesmo muito. não vais ter uma vida pacata, anónima e muito menos amorfa. não vais ter uma vida rotineira, oca, trivial e vulgar. vais ter matéria para rechear muitas páginas e conteúdo para decorar de cores muitas imagens. nada vai ser épico mas tudo terá muito conteúdo. vai ser o género masculino quem mais te fornecerá matéria de escrita. ao teu lado um motor de magia. ele, levar-te-á pelos melhores caminhos que irás percorrer. tranquiliza-te esses dias turbulentos serão uns míseros dias em quantidade. sabes? foram as melhores decisões essas que te trouxeram aqui. podes alternar a manta nas pernas e a lareira acesa com as viagens que ficavam, a cada ano, por fazer, eras uma ambiciosa camuflada, no fundo sabias disso , não sabias? por esses caminhos onde te moves terás ao teu lado o melhor estruturador. quem te vai tirar mais vezes da rotina para além das fronteiras. vai-te levar para fora e vai-te colar ao corpo mais de ti. vai ser a força indescritível e silenciosa que mais paz te trará à vida e mais te vai provar que o caminho é maravilhoso de fazer. demonstrar-te-á que a inteligência se expande. ele vai expandi-la para fora de si próprio. e, naquele dia, sentados no parque da cidade, estavas a transbordar de lucidez. não a percas. por favor. vais achar muitas vezes, quase sempre, que não vai ser para sempre, mas com os anos esse sentimento vai apaziguar-se. parece que te vais apaixonar várias vezes e muitas vezes ao longo dos anos só que vai sempre pela mesma pessoa e pela família que vais construir. os dois, a dois, vão equilibrar a vida no meio do caos. vão correr e voar imenso. vão andar de fios invisíveis atados. vão estar alguns anos numa proximidade afastada e num afastamento próximo mas, longe ou perto, vão permanecer conectados. serão nós cheios de nós atados e uma tribo feita família atrás. vais ter um disco externo sem tetas suficientes para tantos momentos selecionados para brilhar nas memórias. pastas e pastas de registos cheias de vida lá dentro. anos cheios de recheios fotográficos dignos de molduras mas sem caber nelas tamanhas serão as coisas que vão contar as duas dimensões das imagens. vais-te encantar muitas vezes com coisas grandiosas e com miudezas. com um projeto da astrazeneca e com pés pequeninos na areia a uns metros de casa, com meninos numa escola pública inglesa e com palavrôes em livros da sophia.

21 de janeiro de 2019

pedras preciosas



quando te pedem para levares um substantivo de casa para lhe atirares adjetivos para cima, distenderes-te no vocabulário, na gramática da descrição, na multiplicação frásica. até conseguires atingir número suficiente para que se assemelhe a texto narrativo escolhes uma pedra. porque estás no segundo ano e nessa preciosidade está lá tudo.

2 de janeiro de 2019

a sibéria na lousa



levamos os piolhos a passear enquanto víamos o ano acabar assim, à pressa.

29 de dezembro de 2018

our star grows every day



a mãe lança as armaduras, leva os lanches, agenda os dias, traça trilhos, monta cenários, mete chão, espalha bases, faz rebolar rotinas, monitoriza recheios de mochilas, de recados, de agendas de tarefas, lança histórias lidas, palavras e rimas, lança sementes e raizes que o pai rega e transforma em magia, dá-lhes céu, dá-lhes corpo, espalha momentos, concebe as melhores vivências, os mais descontraídos ensinamentos, as mais importantes referências, as mais espetaculares idas, o mais especial equilíbrio, a mais mágica maturidade emocional. põe o nosso edifício todo em pé. a mãe observa muitas vezes de fora.  nesta estrutura já não importam os remates porque interessa o miolo, o espaço, o dentro, o conteúdo. está lá um poema seja qual for a última frase é só nesta meia dezena que o poema ganha voz. e, um dia, quando a mãe e o pai forem de novo dueto num bis ensurdecedor recordarão, de mãos dadas, os caminhos rasgados com uma dezena de pés a fazer pégadas. o recheio que transborda dos punhos fechados enquanto se lançam, mais devagar, a  fazer mais caminho e a visitar o infinito mundo que haverá por espreitar.






17 de dezembro de 2018

cantinhos a que hei-de sempre voltar

temos sítios nas cidades por onde passamos onde plantamos memórias. mas, por passarmos muito mais tempo numa, há muitos percursos que fazemos que nem sempre nos devolvem uma espécie de estética de bem estar que ultrapassa várias dimensões e níveis de estar. gosto de os levar a expandir em dois sítios nesta cidade, um com um de horizontes infinitos com uma presença infinita de muitos por de sois e este parque. 

16 de dezembro de 2018

a turbulência feliz do mês de dezembro

o mês de dezembro engole-nos entre festas de natal, aniversários e o final do primeiro ato da vida escolar, entalado entre um período de férias a boicotar as rotinas e a desgovernar os dias. eles têm um calendário do advento sem chocolates a transbordar de momentos construídos para preenchermos os serões que não temos tido. a vida anda desgovernada e os caixotes arrastam-se no corredor em alerta permanente tal e qual a baba de lesma arrastada diretamente do nosso pátio na norfolk street. tenho muitas saudades do nosso pátio de pertersfield e das horas que, senhora do meu nariz, me davam para orientar o nosso bunker familiar. mas como os ses e os mas me definem aprecio agora o que nos faltava antes e, este último fim de semana foi mesmo recheado de pessoas e quando os vejo cheios de pinturas na cara, adereços, sapatos espalhados entre primos e primas de várias faixas etárias a construir memórias preciosas fico também saudosa. uma espécie de saudades a projetar o passado no futuro. há aquele burburinho familiar, aquela espécie de não cerimónia que me relaxa a banha saliente. são muitos anos para chegar aqui a este estádio de convívio.


13 de novembro de 2018

my english birthday boy






vieste assim como um ovo kinder surpresa desejado. vieste assim tipo suissinho fora da suiça. vieste tipo menino british a palrar português. vieste fechar uma espécie de terceira fase da nossa vida. elevaste-nos a pentágono e riscaste todos os quadriláteros da nossa estrutura. fechaste o nosso pentágono com muitos triângulos dentro. exponenciaste a nossa amplitude geométrica de 360º para 540º é quase uma duplicação da riqueza base. a matemática da vida é simples quando se eleva o amor a potências maiores. deste duas voltas à terra, já viveste em dois países diferentes e acabaste de visitar um continente novo. tens azeite e vinagre diários a equilibrar-te o galheteiro. mais do que dois colos e muitas rotinas não tuas. juntas um dedo de cada mão a lançar a nova translação e atiras sílabas próximas dos difíceis nomes diários que te recheiam a vida. querido mini boy largas-me o nariz ainda este ano?

30 de outubro de 2018

ter atenborough´s em casa


sabíamos que seria o ponto alto da viagem o momento em que se sentariam no cume mais alto da bossa de um dromedário mas depois camaleões, macacos, serpentes também marcarão estes dias.

27 de outubro de 2018

as pequenas e as grandes viagens



















vamos faltar à escola. vamos faltar à escola mas vamos mais para dentro dela. na escola trocam-se conhecimentos. nas viagens vivemos conhecimentos.  mergulhamos em conhecimentos. vivemos família. vamos faltar à escola mas vamos mais escola adentro ou escola afora. vamos perder aulas e ganhar mundo. voltaremos com as bagagens a transbordar. vamos faltar à escola e meter os pés e as mãos no mundo.

18 de outubro de 2018

numero 2

este és tu cheio de cor. é o que és. focado, determinado, centrado, objetivo. basta-te saber com o que contas e é ver-te ir. finalmente demos-te o que sempre soube que pudesses querer sem saberes. uma única aula parece antever um sentido que tinha no peito. mas és o segundo na fase de abrir portas para te encaixar num mundo que agora tem três. da-mos cambalhotas todos os dias. mas havemos de vos dar o que poderão descobrir que queriam, a cada um, individualizando o mais possível ao que já vão sendo.

15 de outubro de 2018

imprimere

éramos para explorar tóssan mas mergulhamos na exposição seguinte e perdemo-nos ou prendemo-nos mais tempo nos 250 anos da imprensa nacional. eles reviveram o museu do papel e todos nos lamentámos não haver mais interactividade nas exposições. com a envolvência ganhamos todos em todas as frentes. passaram 5 anos e ainda há memórias incrivelmente presentes e isso deve-se sobretudo, cremos, ao envolvimento e à interactividade que uma exposição pode apresentar. 

14 de outubro de 2018

os jogos adormecidos

com a contaminação generalizada de meios audiovisuais e plataformas virtuais o conceito de jogo alterou-se profundamente e hoje os jogos de tabuleiro do final do século xxi ficaram nos armários mas um jogo de tabuleiro é uma ferramenta que pode ter muitas mais valias no convívio familiar. há partilha, exercitamos o respeito pela vez do outro, exercitamos a competição entre pessoas reais, conversamos, partilhamos e estamos. o mais importante de tudo estamos uns com os outros, verdadeiramente e de forma física. o mathtable é muito velhinho, saiu do baú e fossem quais fossem as contas que conseguimos saímos todos a ganhar, dividimos muito pouco, somamos e multiplicamos quase tudo.

13 de outubro de 2018

as nossas pernas para o ar

somos nós em todos os nossos bloqueios e desbloqueios, em todas as nossas superações e birras. somos nós a entregarmo-nos todos uns aos outros. somos nós em construção. para sempre em construção.

12 de outubro de 2018

o terceiro ângulo


às vezes pareces-me o vértice que faltava para passarmos para geometrias de níveis diferentes. às vezes pareces-me um vértice que não sabia que transformava uma linha numa figura geométrica. não sabia que ver-vos em mais quantidade me aumentava este enriquecimento geométrico. talvez soubesse mas não racionalizasse essa hipótese para planos concretos.

9 de outubro de 2018

pés a caminho


gosto de meter os pés a caminho, de os arrastar comigo. connosco. mesmo que para isso eles nos arrastem a velocidades menos velozes. contagiá-los a explorar. a meter os pés na terra e ir. gosto de placas com localidades por explorar e de emaranhar pensamentos encadeados de onde descenderão alguns cantos do nosso mundo. às vezes colecciono sítios só porque sim.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982