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31 de julho de 2019

no miolo da vida



às vezes lê entrevistas ou historias de vidas cheias, com substancia e profundidade. é tão ordinária que acha que nunca ousaria vivê-las talvez porque farta de exposição sempre desejou a contra corrente, a estrada menos concorrida, a praia mais vazia. atrai-a os bilhetes de identidade como o da maria filomena, as entrevistas biográficas de gente cheia de conteúdo. às vezes esquece-se que tem aventuras e substânica que chegue para preencher uma milésima de conteúdo com substrato. a sua verdade não é a verdade daqueles com quem viveu enquanto floresceu. tem tanto mas tanto deles que todos os dias transbordam as diferenças que os separam. é um contra senso que cheio de sentido quanto a noite e o dia. é o contra senso, esse sentido que tem das coisas contrário às ideias de maioria mas que não ousa gritar nem viver porque, lá está, é ordinária e não extraordinária. básica, sem pejos e sem adornos. adora ir para poder voltar ao canto encolhido do lar onde nem sabe bem onde seja. deixa-se ir na corrente mas os seus olhos brilham na contra corrente. é o tolo do meio da ponte, o que ama o sim e o não e todos os antónimos que existem.

18 de julho de 2019

lutas sem som

as disputas territoriais são a orquestra dos dias, detesto mediar conflitos que envolvam física quântica. sabem ser ruidosos. nada de novo. eles conhecem-se e conhecem os calcanhares de Aquiles, sabem que torções de tornozelos fazer-se. noutro dia enquanto o pequeno caía no sono ficaram a prolongar-se no jogo do rodopio entre quartos. cumpriram o nível de som a roçar o silêncio. foram apanhados encavalitados e afirmaram tratar-se de um luta sem som.

14 de julho de 2019

pés nas pedras



há sempre pedras no caminho são elas que trazem beleza à natureza dos caminhos.

1 de julho de 2019

férias e os mergulhos nos campos, atl´s, atividades e campos de férias



houve anos em que as voltas que a vida nos deu e a volta que demos à vida fizeram com que nos entregássemos uns aos outros de forma mais intensiva. não havia atl´s, nem campos de férias e às vezes nem escola. hoje ainda se tenta atirá-los para o máximo de dias sem. sem orientações, sem atividades de ocupação. sem horas, sem merendas. com o avançar das idades os dias de deriva acabam muitas vezes em mergulhos eletrónicos profundos. são sempre em profundidade já que os eletrónicos criam uma relação difícil com a manutenção do corpo à tona da água. este ano vamos ter um apogeu de ocupações. não há como não aceitar as circunstâncias no tempo verbal a que elas pertencem. as suas memórias serão muito diferentes da geração anterior nem para melhor nem para pior que as memórias de infância hão-de ser sempre memórias doces. porta aberta ao triplo mês das férias escolares. 

27 de maio de 2019

retalhos de rotinas


as nossas rotinas nunca estagnaram. cumprimos o calendário que a vida nos permite. voámos com asas a sério. damos tiros nos pés. damos tiros para o ar. carregamos filhos e cadilhos e caixotes às costas anos a fio. fazemos rodar rotinas e desregulamos os dias. queixa-mo-nos dos meninos mas sabemos que no fundo são uns bons projetos de gente a crescer. encaixamos tudo, ajusta-mo-nos, apertamos daqui alargamos dali, multiplicamos rotinas dividimos trabalhos. fazemos acontecer: memórias, refeições especiais, atividades, conversas e bocadinhos de serões com eles, sem eles, connosco sem nós, sem um, sem o outro, com tudo. a manta de retalhos cresce colorida. as memórias são quadrados cosidos pousados na velhice. 

1 de maio de 2019

do que nos une


a minha riqueza está na ausência e na presença de um anel. não fomos a lado nenhum. há sempre um furo no anel que nos fura a" tradicionalidade" dos programas estipulados se é que posso inventar assim umas palavras a traduzir coisas patetas. íamos sem eles, depois com eles. não fomos a lado nenhum. mas é esta a vida que gostamos de viver. esta plasticina que nos cola a família que construímos. este barro duro que molhado se molda. esta matéria que sendo a mesma se adapta e sofre processos transformativos. somos água fresca, pedra sólida e gás oxigenado. sabemos que todos os dias comemoramos a vida.

30 de abril de 2019

até velhinhos


é uma miúda. tem 3 filhos e viveu em 3 países. teve um namorado durante um década e partilha vivências intensas há uma dúzia de anos. parece que está sempre zangada mas tem o coração serenado e tão agradecido que tem medo que transborde. é daquelas mães insuportáveis que faz saquinhos, lanches e vai a todas as reuniões, conta muitas histórias e gosta de cumprir rotinas. faz muitas macacadas, pendura matéria para estudar nas árvores, canta tabuadas com rimas patéticas mas grita tanto que fica com o coração em trovoada. tem o parceiro melhor deste planeta porque não sabe da vida em outros. desconfia que caminharão até velhinhos, que farão viagens em lista de espera, juntos, mas teve durante muitos anos um sentimento secreto de que as relações podem não durar para sempre e não faz mal. cada vez que olha para o caminho percorrido faz adormecer o sentimento e sorri para o futuro que lembrará ainda mais o passado. chegaram juntos à adolescência da relação, são verdadeiramente uns maduros teenagers. quer muito chegar ao alzheimer a ler a sua própria história de vida, acompanhada por amor. o amor da sua vida. 


19 de abril de 2019

12 de março de 2019

como se fossemos turistas


























calcorreamos todos os nossos percursos. batemos todas as nossas portas. subimos e descemos ruas. cruzamos as nossas esquinas. "lambemos" as nossas rotinas. eles acenderam a chama da nossa união ali. reabriram o livro. acrescentaram memórias.

11 de março de 2019

drive slowly



























balançamos os dias e a vida entre muito aqui e ali. devagarinho separa-mo-nos e junta-mo-nos mais que nunca. num balanço muito nosso. permanentemente conectado com e sem fios visíveis. visitar coal drops yard foi uma espécie de metáfora ou uma espécie de ode a esta nossa vida dos últimos anos. a que eles viveram, a que lhes demos, a que percorremos. 

4 de março de 2019

zoology



a zoologia entrou nas nossas vidas em cambridge pelas mãos do attenborough e porque o pequeno filho que passou para o meio adormecia cedo. ficávamos ali num namoro a três a repousar e a arrumar as mil gavetas abertas com tanta nova informação para gerir. por isso voltar significava sempre passar pelo recente inaugurado museu. neste momento temos tema para a nossa tribo inteira.

3 de março de 2019

a ponte de cam a que nos ligamos







































































chamamos casa. um ir que é voltar. será sempre regressar e temos onde regressar em vários sítios onde fizemos morada e nos entranhou o espírito do lugar. onde mora muita coisa nossa. a casa, a escola, o parque e as rotinas. cambridge está na nossa história.

1 de março de 2019

do que a casa gasta


fatos handmade repiscados e fatos trazidos das viagens. do que a conversa puxa: vamos ser originais e fugir dos 30 homens aranha desta vida de criança. eles numa grande parte das vezes alinham. estes e outros carnavais. 

30 de dezembro de 2018

segunda pessoa do plural


picam-se, espicaçam-se, amordaçam-se, disputam-se, partilham-se, influenciam-se, estimulam-se, provocam-se, empurram-se, incitam-se, desafiam-se, animam-se, desenvolvem-se. serão sempre um imperativo e no plural.

26 de outubro de 2018

fall or fly


preparei-me desde cedo para as quedas. foi a vida que lá me levou. ajudas-te-me a fazer-me aos voos. agora ando sempre de asas abertas. e o problema é que quero sempre ir e voltar.

23 de outubro de 2018

são sempre dias bons. mesmo assim.

queria fazer tudo como a buda coen, com o espírito zen nos píncaros. o mindfulness nas veias. lançar-lhes frases inspiradoras antes do escrutínio aprofundado de todos os tipo de textos não literários que o ajudei a estudar. lançar-lhes às feras do positivismo mesmo face a uma disciplina associada a uma professora fora do circuíto das suas preferências. conseguimos até recordar, na paz, tudo o que já deu a essa disciplina até aqui a um nível acima da média. trabalhamos assim a mudança da perspetiva derrotista a invadir-lhe o espírito. havia uma abelha aos saltos sempre feliz a zumbir, o nível no topo dos topos e um bebé a rebolar-se em mim desde as três da manhã o que me fazia transpirar cansaço e frustração. bolas, era um corpo erguido a fazer circunferências recheadas de chocolate desde as sete da manhã, a forrar lancheiras,a rechear mochilas, a coordenar vestimentas compatíveis com a metereologia e a lançar maté ria à fera mais mansa do pedaço. somos um vulcão em erupção a cada manhã, sinto-me um atirador furtivo a lançar procedimentos preventivos para a explosão. no fim, um caçula a gritar papeta até ao momento da distribuição e entregas. venho com esta lava ainda incandescente colada e a queimar-me o corpo, sinto os estilhaços no meio dos fios de cabelo. ainda não me recompus. tenho uma angústia no peito e uma mochila pesadíssima nas costas. ansiosa por pousar carga no chão na próxima semana. salamaleco. 


eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982