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13 de setembro de 2019

regresso às rotinas espartilho


és um obreiro mas para ti a boa vida é uma vida boa. apanhavas sempre esse barco das férias. não és saudoso nem das atividades extra que não queres deixar, nem do cheiro a cadernos novos, apesar de zeloso com tudo o que é material. guardas esses medos abafados a ganhar bafio e quando te soltas é a roçar pequenas explosões. sabes ser o estereótipo do irmão mais velho, zeloso, atencioso, cuidador. sabes ser o engenhocas tipo doutor pardal. manuseias à vontade o x ato e o cartão, as dobragens e os origamis, as cores e o preto no branco. escorregas na leitura e deixas-te ir com todos os apesares. tens na eminência de começar o último ano nesta escola de transição. caminhas a passos largos nas areias movediças da pré adolescência por isso te tolero algumas explosões. desafio-te para este ano a conteres as maçadas das professoras e das disciplinas mais maçadoras.

27 de agosto de 2019

picardia ao rubro



este foi ano do " dão-se como irmãos". o beliscão, a gestão dos desenhos animados, até a sedução da relação com o pequeno irmão. o apogeu da vossa relação de irmãos, o desequilíbrio esporádico do "não chego para todos". mas no fundo vocês sabem que eu sei que o cordão invisível que vos une está lá. haja o que houver.

1 de agosto de 2019

tudo a rolar



























arrancamos em força este querido mês de agosto. não temos outro. as escolas fecham e a gestão fica imperativa e apontada para aqui. são os nossos oitavos de final ou de início ou de paragem ou do que quiserem que seja. munimo-nos de todas as armas necessárias ao desfralde do mais novo e arrancamos viagem sem olhar para trás. 

25 de julho de 2019

builder son



és o construtor. o que nunca se entedia. o que quer mais horas por dia. o menino dos projetos entalado em atividades. que o martelo Mjölnir te poupe a grandes trovões, relâmpagos e tempestades e a épicas batalhas. que tenhas a proteção da humanidade e uma coleção gigante de pequenos momentos de felicidade. há sempre uma força dentro de nós.

23 de julho de 2019

a urgência de viagens mundanas


eles trocam de atividades a cada semana. eles rodam a casa de amigos na hora de dormir. sobra o pequeno a viajar ainda em voos baixinhos. e as dificuldades que estão a ser as viagens à casa de banho.

20 de julho de 2019

out sider life / in sider growth



A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")

8 de julho de 2019

e quando crescemos em plena quarta década


























sabemos melhor a cada década que passa o que queremos. o que não queremos. o que procurar. o que evitar. para onde fugir. para onde correr. na fonte boa uma hora boa salvou-nos o dia. conjugamos sempre o verbo ir. há sempre um infinito no verbo ir. seja para onde for.

6 de julho de 2019

a tua zoologia na universidade júnior



tem um sentido estético que talvez se sobreponha. a tua zoologia tem um parceiro de combate. um interlocutor de disputa. a tua zoologia do coração tem as artes visuais a passar-lhe muitas vezes por cima. e quando te oferecemos as ciências e as artes há um mundo de atrações. não sabes que estás a abrir mais portas e não são só essas de desbravar uma cidade, da penetração em centros de saber ou nessa de conhecer pessoas novas. estarás a abrir portas dentro de ti. portas e janelas são o que nos faz abrir ao mundo. ao mundo que há em nós.

5 de julho de 2019

fomos "almoçar" fora


























é uma das praias "à mão de semear" que mais gostamos. tão vazia em tempo de férias. tão cheia de matéria prima. encravada entre a água doce e a salgada, entre areal dunar e pinhal e sol e sombra. entre mar revolto e poças e rochas e areia fina. dispensamos enfiar as pernas sob uma mesa e dispensamos a musculação de talheres na mão. alimenta-mo-nos desse improviso esvaziado de artefactos. concluímos sempre que bate qualquer refeição saudável porque nos alimenta para lá do óbvio.


4 de julho de 2019

perto que é ir mais longe



pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.

2 de julho de 2019

o puzzle do tempo ou o tempo de um puzzle



nem sempre o tempo encaixa no tempo que queremos que o tempo tenha. encaixar peças requer tempo essa medida de tempo que parece que corre. o tempo de um puzzle faz nos regressar ao tempo que o tempo deve ter. é um programa que encaixa em tempo de férias onde o tempo deve regressar a essa unidade de medida das rotações e das translações a compassos de ritmos alinhados com a natureza da vida.

1 de julho de 2019

férias e os mergulhos nos campos, atl´s, atividades e campos de férias



houve anos em que as voltas que a vida nos deu e a volta que demos à vida fizeram com que nos entregássemos uns aos outros de forma mais intensiva. não havia atl´s, nem campos de férias e às vezes nem escola. hoje ainda se tenta atirá-los para o máximo de dias sem. sem orientações, sem atividades de ocupação. sem horas, sem merendas. com o avançar das idades os dias de deriva acabam muitas vezes em mergulhos eletrónicos profundos. são sempre em profundidade já que os eletrónicos criam uma relação difícil com a manutenção do corpo à tona da água. este ano vamos ter um apogeu de ocupações. não há como não aceitar as circunstâncias no tempo verbal a que elas pertencem. as suas memórias serão muito diferentes da geração anterior nem para melhor nem para pior que as memórias de infância hão-de ser sempre memórias doces. porta aberta ao triplo mês das férias escolares. 

27 de junho de 2019

nos genes



trazem caraterísticas que transportam. há lá apetências inatas ou então não sabemos descodificar este botão acionado. inato. 

13 de junho de 2019

uma dezena de quilómetros serra acima serra abaixo





































mais de quatro quilómetros acima, mais de quatro quilómetros abaixo, um almoço improvisado e o posto de vigia com vista 360º. meio pão do pequeno almoço para cada um, uma banana para o pequeno, leite e umas tostas. almoçamos no restaurante da vila à hora do lanche. abastecemos de mais cerejas e de água do alardo na bica disponível. rodamos o castelo da vizinhança com amigos e voltamos de pés sujos e alma limpa.

12 de junho de 2019

montanha acima, ruído abaixo


à medida que cavalgamos a montanha, à medida que subíamos montanha acima, descia o silêncio neles corpo abaixo. dar-lhes caminho pacifica-os, regula-os, conecta-os. quanto mais os desconectamos mais se conectam. é ligá-los a estas fichas mais vezes. a bateria carrega sem gastar energia.

11 de junho de 2019

o nosso domo feito casulo de hibernação



enfiei-nos num domo onde nos apeteceu hibernar. quase vivemos em metamorfose acelerada depois da excitação inicial. do casulo enroscados, aninhados uns nos outros ao primeiro voo, qual bater de asas a sentir o vento e o céu encaixado na montanha numa primavera tardia e fresca. levem-me os anéis, os presentes de pérolas, as pedras preciosas, os diamantes. dispenso as malas, as peles e muitos gadgets. presenteiem-me com mais dias assim. só assim. com tempo para eles subirem o monte e descerem os decibéis. tão natural quanto a natureza que os envolveu. 

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982