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2 de setembro de 2019

a escola que já é cor nas nossas vidas



conhecemos as combinações. o corpo docente que se mantém. sabemos dos cantos e dos recantos nas suas vertentes homónimas porque os cantos têm sons conhecidos. sabemos das rotinas e conhecemos quase de cor os conteúdos. sabemos das caras familiares e dos familiares propriamente ditos. sabemos das abordagens e das posturas. sabemos quase tudo de cor. sabemos também que o mini sente que sabemos mas o que vê são muitas caras novas e rotinas onde ainda não penetrou. o tempo, esse grande escultor, molda ao de leve e fará deste novo ciclo seguramente um dos melhores ciclos da sua vida e da nossa. 

1 de agosto de 2019

tudo a rolar



























arrancamos em força este querido mês de agosto. não temos outro. as escolas fecham e a gestão fica imperativa e apontada para aqui. são os nossos oitavos de final ou de início ou de paragem ou do que quiserem que seja. munimo-nos de todas as armas necessárias ao desfralde do mais novo e arrancamos viagem sem olhar para trás. 

23 de julho de 2019

a urgência de viagens mundanas


eles trocam de atividades a cada semana. eles rodam a casa de amigos na hora de dormir. sobra o pequeno a viajar ainda em voos baixinhos. e as dificuldades que estão a ser as viagens à casa de banho.

18 de julho de 2019

lutas sem som

as disputas territoriais são a orquestra dos dias, detesto mediar conflitos que envolvam física quântica. sabem ser ruidosos. nada de novo. eles conhecem-se e conhecem os calcanhares de Aquiles, sabem que torções de tornozelos fazer-se. noutro dia enquanto o pequeno caía no sono ficaram a prolongar-se no jogo do rodopio entre quartos. cumpriram o nível de som a roçar o silêncio. foram apanhados encavalitados e afirmaram tratar-se de um luta sem som.

11 de junho de 2019

o nosso domo feito casulo de hibernação



enfiei-nos num domo onde nos apeteceu hibernar. quase vivemos em metamorfose acelerada depois da excitação inicial. do casulo enroscados, aninhados uns nos outros ao primeiro voo, qual bater de asas a sentir o vento e o céu encaixado na montanha numa primavera tardia e fresca. levem-me os anéis, os presentes de pérolas, as pedras preciosas, os diamantes. dispenso as malas, as peles e muitos gadgets. presenteiem-me com mais dias assim. só assim. com tempo para eles subirem o monte e descerem os decibéis. tão natural quanto a natureza que os envolveu. 

1 de fevereiro de 2019

eu tu ele nós vós eles-uma carta ao passado


miuda, vão ser grandiosos aqueles anos. houve muitos dias que parecia que um certo sofrimento ia durar para sempre e isso nunca aconteceu. foste épica nos equilíbrios e nos trapézios. estrebuchaste muito. estrebuchaste tanto que te mantiveste em cima do trapézio. sabes, ás vezes parecias ser duas. tu eras duas pessoas, a certinha, a contida, a calada, a sossegada, a misteriosa, a quase apáticae, na mesma medida, a radical, a provocadora, a refilona, a inquietada, a turbulenta e a sedutora disfarçada. sabes que vais encontrar um par perfeito a anos luz dos vários miúdos a quem deste a mão e com quem jogaste ao quarto escuro assim que os anos teen te rebentaram a bolha. é ele que te vai oferecer de mão beijada os melhores anos e os melhores capítulos que te vão encher as páginas da tua vida. não vai ser a infância a parte doce do teu percurso e nem a adolescência. essa vai te preparar para muito, mesmo muito. não vais ter uma vida pacata, anónima e muito menos amorfa. não vais ter uma vida rotineira, oca, trivial e vulgar. vais ter matéria para rechear muitas páginas e conteúdo para decorar de cores muitas imagens. nada vai ser épico mas tudo terá muito conteúdo. vai ser o género masculino quem mais te fornecerá matéria de escrita. ao teu lado um motor de magia. ele, levar-te-á pelos melhores caminhos que irás percorrer. tranquiliza-te esses dias turbulentos serão uns míseros dias em quantidade. sabes? foram as melhores decisões essas que te trouxeram aqui. podes alternar a manta nas pernas e a lareira acesa com as viagens que ficavam, a cada ano, por fazer, eras uma ambiciosa camuflada, no fundo sabias disso , não sabias? por esses caminhos onde te moves terás ao teu lado o melhor estruturador. quem te vai tirar mais vezes da rotina para além das fronteiras. vai-te levar para fora e vai-te colar ao corpo mais de ti. vai ser a força indescritível e silenciosa que mais paz te trará à vida e mais te vai provar que o caminho é maravilhoso de fazer. demonstrar-te-á que a inteligência se expande. ele vai expandi-la para fora de si próprio. e, naquele dia, sentados no parque da cidade, estavas a transbordar de lucidez. não a percas. por favor. vais achar muitas vezes, quase sempre, que não vai ser para sempre, mas com os anos esse sentimento vai apaziguar-se. parece que te vais apaixonar várias vezes e muitas vezes ao longo dos anos só que vai sempre pela mesma pessoa e pela família que vais construir. os dois, a dois, vão equilibrar a vida no meio do caos. vão correr e voar imenso. vão andar de fios invisíveis atados. vão estar alguns anos numa proximidade afastada e num afastamento próximo mas, longe ou perto, vão permanecer conectados. serão nós cheios de nós atados e uma tribo feita família atrás. vais ter um disco externo sem tetas suficientes para tantos momentos selecionados para brilhar nas memórias. pastas e pastas de registos cheias de vida lá dentro. anos cheios de recheios fotográficos dignos de molduras mas sem caber nelas tamanhas serão as coisas que vão contar as duas dimensões das imagens. vais-te encantar muitas vezes com coisas grandiosas e com miudezas. com um projeto da astrazeneca e com pés pequeninos na areia a uns metros de casa, com meninos numa escola pública inglesa e com palavrôes em livros da sophia.

2 de janeiro de 2019

o novo ano nos momentos renovados sem data nem hora marcada



















apesar da avalanche turbulenta do mês de dezembro e de 2018 nos ter trazido muitos trabalhos e muitas horas de entrega a mil e uma coisas, de nos sentirmos em constante operação incêndios, de não conseguir, como nos últimos anos, espaço para preparar a construção dos nossos dias, recuperei alguns dias de leitura ao serão. sempre foi uma das nossas melhores rotinas. estes dias lemos a menina gotinha de água, algumas passagens do principezinho e, finalmente, ismael e chopin. num desses dias deixei-os, ao final da história, nesse mergulho profundo dos noturnos de chopin e, agora que revisito esse momento realizo que deveríamos voltar a ele mais vezes. é este recomeço a que nos permitimos a cada momento que é para mim um novo ano.

29 de dezembro de 2018

our star grows every day



a mãe lança as armaduras, leva os lanches, agenda os dias, traça trilhos, monta cenários, mete chão, espalha bases, faz rebolar rotinas, monitoriza recheios de mochilas, de recados, de agendas de tarefas, lança histórias lidas, palavras e rimas, lança sementes e raizes que o pai rega e transforma em magia, dá-lhes céu, dá-lhes corpo, espalha momentos, concebe as melhores vivências, os mais descontraídos ensinamentos, as mais importantes referências, as mais espetaculares idas, o mais especial equilíbrio, a mais mágica maturidade emocional. põe o nosso edifício todo em pé. a mãe observa muitas vezes de fora.  nesta estrutura já não importam os remates porque interessa o miolo, o espaço, o dentro, o conteúdo. está lá um poema seja qual for a última frase é só nesta meia dezena que o poema ganha voz. e, um dia, quando a mãe e o pai forem de novo dueto num bis ensurdecedor recordarão, de mãos dadas, os caminhos rasgados com uma dezena de pés a fazer pégadas. o recheio que transborda dos punhos fechados enquanto se lançam, mais devagar, a  fazer mais caminho e a visitar o infinito mundo que haverá por espreitar.






16 de dezembro de 2018

a turbulência feliz do mês de dezembro

o mês de dezembro engole-nos entre festas de natal, aniversários e o final do primeiro ato da vida escolar, entalado entre um período de férias a boicotar as rotinas e a desgovernar os dias. eles têm um calendário do advento sem chocolates a transbordar de momentos construídos para preenchermos os serões que não temos tido. a vida anda desgovernada e os caixotes arrastam-se no corredor em alerta permanente tal e qual a baba de lesma arrastada diretamente do nosso pátio na norfolk street. tenho muitas saudades do nosso pátio de pertersfield e das horas que, senhora do meu nariz, me davam para orientar o nosso bunker familiar. mas como os ses e os mas me definem aprecio agora o que nos faltava antes e, este último fim de semana foi mesmo recheado de pessoas e quando os vejo cheios de pinturas na cara, adereços, sapatos espalhados entre primos e primas de várias faixas etárias a construir memórias preciosas fico também saudosa. uma espécie de saudades a projetar o passado no futuro. há aquele burburinho familiar, aquela espécie de não cerimónia que me relaxa a banha saliente. são muitos anos para chegar aqui a este estádio de convívio.


13 de dezembro de 2018

1 andante 2 falante


em um mês és falante de tudo inclusive frases e explicações. e finalmente desbloqueaste o mano do meio para o seu nome com uma pronúncia perfeita alemã. descobriste as prendas e o natal mas não deixas o nariz de ninguém em paz.

9 de dezembro de 2018

sem parar onde irás parar?


és o nosso recheio que ouve e reflete, que ouve e pergunta, que ouve e opina. és o nosso recheio que pincha, és o nosso recheio tipo peta zetas na boca, és o nosso recheio que derrete e transborda. és o nosso recheio doce como mel, como favo de colmeia encaixado numa forma o mais otimizada possível. és o recheio da nossa sanduíche. és o nosso recheio estaladiço e muito crocante. um destes dias, como de costume, saltitaste de questão em questão com arranque num nome de uma escola profissional, esmiuçaste todos os níveis dos primos mais velhos, cada etapa escolar, cada nível do jogo e remataste como de costume: ah!!!! mas eu vou acabar a faculdade! ninguém me pára!!!


1 de dezembro de 2018

expansão contida



não sabemos se os dias daquele inverno nevoso em basel a fazer muitos origamis com vídeos de apoio se entranharam nas tuas gavetas das memórias. já lá vão 5 anos de distanciamento e muitas vidas no entretanto. queres tempo porque há sempre dentro de ti vivências que materializas em manualidades. és corpo de uma mente contida que se expressa devagarinho. és um miudo cheio de interesses, interessante e interessado. mas precisas do silêncio e de espaço físico e mental para te expandires para além de ti.

15 de outubro de 2018

imprimere

éramos para explorar tóssan mas mergulhamos na exposição seguinte e perdemo-nos ou prendemo-nos mais tempo nos 250 anos da imprensa nacional. eles reviveram o museu do papel e todos nos lamentámos não haver mais interactividade nas exposições. com a envolvência ganhamos todos em todas as frentes. passaram 5 anos e ainda há memórias incrivelmente presentes e isso deve-se sobretudo, cremos, ao envolvimento e à interactividade que uma exposição pode apresentar. 

11 de outubro de 2018

a place that smell like home


entrou naquela oficina e sentiu o perfume do serrim invadir-lhe todas as entranhas . um odor que lhe fez vibrar todas as cordas lacrimais. respirou mais profundamente e confirmou mais uma vez que se tem de conter. que lhe faltam para sempre os dias, todos os dias, em que não teve aquele avô. que sente saudade dos dias que não teve. como imaginar dias que não existiram, não sabe. sabe que lhe farão para sempre falta dias que não existiram. esse vazio imaginado. essa riqueza perdida no tempo. às vezes, quando o perfume se lhe cruza o olfato volta a desejar entrar naquela oficina cheia de penumbras. imagina-se sentada no canto esquerdo da entrada cheia de sobras de madeira nas mãos e  mais qualquer coisa de que não se lembra porque não se lembra de lá ter nenhuma barriguita para brincar, nem tédio. deixava sempre o tédio na caixa textil. muitas vezes fez rodar o ferro do torno onde amiúde brincava porque o avô tinha receios que a menina estava rodeada de um batalhão de ferramentas e máquinas para níveis altos de lesão. uma vez a menina fez uma caixa, tinha dez anos e foi imediatamente antes de ter o acidente da sua vida. as idas ficaram meias suspensas nos anos que se seguiram e ninguém sabia que a caixa vazia no peito aumentava cheia de vazio até hoje. o cheiro do serrim é um pó mágico que lhe ativa uns brilhos na caixa vazia que traz no peito. e sabe que as memórias ficam lá num cantinho profundo do hardware. já tem mais 3 décadas em cima mas não escolhemos o que nos fica gravado mesmo que seja no conjunto vivido as mais pequeninas  rotinas que tenhamos usufruído.

29 de maio de 2018

onomatopeias

quase a sair da panela a fervilhar.

1 de março de 2018

verbo viver






























andamos a tentar correr atras da vida, parece que já não há pedalada para ela que corre que se farta. de repente o pequeno fez uma década, uma década como assim? de repente mesmo. entretanto o mesmo verdadeiramente pequeno sabe traduzir linguagem e tem sede de explorar o mundo. uma sede que nos leva a sermos umas sombras o mais visíveis possível, já que só a nossa real materialidade evita quedas de escaladas arriscadas. sabemos que na vida importa viver e viver para aprender é aprender melhor por isso valha-nos uma mão por baixo e infelizmente nao conseguimos confiar só na de deus, essa mega entidade volátil. queremos tanto desacelerar, e para eles eu quero-nos a nós a correr mundo até à esquina da selva mais próxima. porque descobrimos que a medida das distâncias, do perto e do longe é uma coisa relativa. porque sabemos que é com ar na cara e sem brinquedos que eles mais brincam e crescem e se expandem.e nós que estagnamos no crescimento apesar de tudo recorrer à expansao de nós é um recurso útil. mas depois no meio da inutilidade dos dias quando os ouço a cantarolar o perfect day, quando os observo, no quarto, luz apontada, livro aberto, mesmo que as palavras para o de meia dúzia de anos nao saiam todas com sentido, estamos lá, onde queremos estar.

1 de janeiro de 2018

querido 2017



estamos imensamente gratos. estamos gratos por todos os dias intensos de 2017, todas as viagens, todas as idas e voltas. estamos imensamente gratos por chegarmos aqui a esta manha, a este condensado de duas horas. a este concentrado com toda a fruta que qeremos degustar muitas vezes. nem sempre precisamos de ir muito para longe, nem no espaço nem no tempo e nem muito para longe de nós. basta estarmos perto, assim, com ar na cara e alguns amigos que são a família que escolhemos.

31 de dezembro de 2017

boa noite 2017



começámos o ano a usar os vales que, entre tantas outras distrações a que as crianças do século xxi estão sujeitas, foram largados num canto. cabe-nos ser orientadores e puxar o essencial abafando o supérfluo que inevitavelmente acumulamos. em 2018 volto a repetir em loop menos ter e mais viver. menos objetos e mais memórias. vale número 1-dormir com amigos-checked.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982