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1 de janeiro de 2016
e o mundo rola de novo
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26 de dezembro de 2015
natal
metemos sempre a mão na massa. somos matriarcas adolescentes rodeadas de testosterona. aumentaremos as queixas com a idade só porque faz parte mas repetiremos tudo de novo a cada ano. alinharemos em duo a ginástica física e mental que ciclicamente fazemos numa exigente gestão que herdamos. a cada ano que passa mais nos apaziguamos com os flashs que retemos. encaixamos novas rotinas e enquadramos as nossas tradições em ebulição em rituais que serão uma continuação de nós e o início da história deles. eles ter-se-ão uns aos outros. em parte já percebem dessa riqueza de se terem.
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19 de dezembro de 2015
until the edge
ansiosa pela praia de inverno. a mágica praia de inverno. esse nosso canto desamparado onde as melhores memórias de infância deles podiam ficar enterradas. a nortada, um parque infinito de brincadeiras sem orientações, um imenso tapete amortizante e uma imensidão de material moldável pronto a espalhar brincadeiras e a dificultar as corridas nas mais altas velocidades. essa mesmo. essa praia de casacos polares apertados até ao pescoço, às vezes de gorros a tapar orelhas resfriadas. essa praia deserta de gente e preenchida de bandos de gaivotas. esse maravilhoso parque infantil sem barreiras, nem temas. sem nada. esse maravilhoso mundo onde ao nada se tira quase tudo o que às vezes basta. essa praia com onde o sol se deita alaranjado. essa que mesmo no pico do inverno nos faz tirar as meias dos pés porque o sol fez cócegas nos grãos de areia. essa que se encerra de nevoeiro. essa praia que fica literalmente aos nossos pés à distância dos nossos olhos.
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18 de dezembro de 2015
25 de novembro de 2015
das viagens espaciais ao canto das memórias
camisas transformadas em mantas porque há objectos que podem ter mais vida para além da sua. contam-se histórias aos quadradinhos, uma, duas vezes.
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13 de novembro de 2015
3 de novembro de 2015
o meu melhor avô
queria muito ter guardado todas as frases que disseste. todas as refeições que partilhamos quando esperava que regressasses impregnado de cheiro a serrim. guardei aquele teu dia angustiado pela tua nítida consciência que os teus dias se acabavam todos os dias. tu querias fazer tudo. eu sabia que tu eras uma espécie de sábio. a imagem de um sábio. eras gigante, doce, tranquilo o mais afectivo dos adultos no masculino. estudavas todos os dias a medicina dos teus dias e sabias. falavas com os netos sem infantilidade, com paciência, respeito e correspondência. nunca tinhas lido sobre parentalidade positiva. naquele dia em que toda a família se sentia perdida nas tuas atitudes e tiveste de sair eu corri atrás de ti e trataste-me com respeito. eras o menos exaltado e o que mais razões para isso tinha. segredaste-me o amor que tinhas por todos. naquele dia fiquei da tua altura quando me segredaste o os teus raciocínios sem eco no meio dos adultos. depois, naquele dia de natal percebi nitidamente que a directa que fizeste de forma sobrenatural para nos dar a mais preciosa prenda de toda a nossa vida seria das últimas. foi o teu último fôlego. está torneado em cada uma das reentrâncias que nos quiseste deixar. a primeira lágrima que te vi cair por não as teres conseguido forrar de ouro. por não as teres conseguido fazer reluzir. era dia de natal. dali saiste para o hospital e resististe uns meros 6 dias mais. nem mais nem menos. o ano novo começou sem ti. 1990 começou sem ti. tínhamos chegado a esboçar projectos para a minha adolescência e a tua reforma. queria muito ter guardado as tuas conversas. as tuas palavras. as tuas partilhas. a tua morte não me custou. eu não sabia o que custavam as mortes. as mortes não custam. as mortes são só momentos. momentos de um dia. o que custa vem depois. custa o vazio dos anos seguintes, custa agora a ausência de uma pessoa que não se chegou a viver. custa não viver uma pessoa que se queria muito viver. custa a ausência da pessoa que mais se queria viver. custa a ausência da pessoa que mais queria que os nossos filhos conhecessem. eras o bisavô idealizável.
1 de novembro de 2015
das tradições
o halloween não nos pertence, o pão por deus nada nos diz. o primeiro dia de novembro tinha incluída uma formalidade familiar. a dimensão espiritual não dizia o mesmo a todos. a cerimoniosa visita ao cemitério esvaziava-se no convívio familiar e no encontro para infinitas brincadeiras que esse dia proporcionava. era um dia feliz. mas lá dentro, lá dentro desses dias cheios ou vazios de significados havia a tradição. as tradições pertencem-nos, constroem-se e destroem-se, mudam-se, adaptam-se, transformam-se, recriam-se, miscigenam-se. é fora e dentro das rotinas que guardamos memórias. na procura dos nossos momentos concentre-mo-nos no essencial. e depois e depois não podemos perder estas e deixar levianamente entrar tudo.
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6 de outubro de 2015
conta-me histórias aos quadradinhos
depois de uma mini manta a marcar o aparecimento de uma tia sobravam ainda camisas cheias de histórias vivas e colarinhos e punhos mortos. serão dois livros abertos a explodir histórias por contar e a merecerem páginas soltas a acompanhá-las. aquecerão noites frias e serões com gente dentro. serão o nosso legado. o vosso conforto.
17 de agosto de 2015
adeus à praia
um dia convenço-te que as memórias que se guardam destas casinhas são muito saborosas. um dia convenço-te que sabe bem o aperto, o improviso, este aconchego. um dia convenço-te a transportar uma casa. um dia convenço-te que isto me aquece a luz das memórias mais apagadas, dos dias com o meu avô do coração.
11 de agosto de 2015
this perfect morning
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30 de junho de 2015
"abrir a cabeça"
tirar de lá metáforas. enchê-la de coisas concretas. enchê-la de mais mundo. saber que o que já lá está dentro não sairá. abri-la a desafios.
29 de junho de 2015
colecionar as nossas memórias
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23 de junho de 2015
a tua felicidade tem sempre a mesma cor
acontece sempre muita coisa no teu dia. e o dia quase nunca é só teu nem no primeiro ano com as pintas da varicela em transito do teu irmão a aterrar em ti ao de leve. dois anos a rivalizar com festas de garagem. este dia tem sempre os mais especiais balões do mundo e este ano o balão não faltou em outros céus. fazem sempre sentido os balões. há dias que somos mais que suficientes.
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1 de maio de 2015
IX
fazer ninho em muitos lugares. virar a vida ao contrário. começar uma e outra vez. ter a casa no chão.
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12 de abril de 2015
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1 de abril de 2015
primas
cresci com as mães delas naquele casarão sem água quente, tectos muito altos, escadaria de palácio, jardim das maravilhas. quando cá em casa arrastam camas, viajam com malas a sério, montam tendas e se metem em todos os armários, mesmo que tudo fique do avesso, desejo que cá voltem de novo. muitas vezes.
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28 de fevereiro de 2015
home away
perco coisas, perco coisas em mim. perco momentos que pouco interessam. perco momentos que pouco interessaram e só vagamente sei de nuances da sua existência. lembro me muito muito bem de ter perdido as minhas sapatilhas de pontas porque depois da intensidade de uma aula voltava a rodopiar em casa enquanto o jantar arrefecia na mesa. encontrei-as muitos meses mais tarde, no fundo do cesto da lenha. era inverno de novo. perco coisas em mim, nas minhas coisas. em bolsos de casacos pouco rodados. em recantos esquecidos. encontro coisas perdidas quando já não vale a pena encontrá-las. preciso abrir todos os sacos, malas e malinhas, carteiras e bolsas para descobrir uns óculos de sol. hibernaram todo o inverno e a primavera está ai à porta, é hora de aparecerem. e a chave. e a chave desaparecida da casa que entrou e saiu da nossa vida a correr e deixar memórias condensadas, um dia aparece quando já não for preciso fechar a porta. para já deixamo-la um bocadinho aberta em nós. here we go again.
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5 de novembro de 2014
filho pequeno
chia um chiar prolongado a entoar nos ouvidos a persistir nos quereres. urge descobrir uma forma de reversão sob pena de um descontrolo permanente de parte a parte.
cheira. cheira-lhe a pessoas e a momentos. o mundo dele tem cheiros. cheira-me a vóvó, cheira-me a aldeia, cheira-me a titi ou a primo, cheira-me a casa de não sei quem, cheira-me a alguém, cheira-me a praia. quase imergimos em episódios engendrados por Suskind num gigantesco armazém de odores e aromas que o transportam a pessoas, a momentos e a sítios.
sonha. diz que está já a sonhar antes de adormecer. que anda a cavalo, de coisas que sabem a gelado, um sem fim de temas. quer histórias e cd's em modo repetido. reclama a roupa e agora pede tpc's.
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