às vezes lê entrevistas ou historias de vidas cheias, com substancia e profundidade. é tão ordinária que acha que nunca ousaria vivê-las talvez porque farta de exposição sempre desejou a contra corrente, a estrada menos concorrida, a praia mais vazia. atrai-a os bilhetes de identidade como o da maria filomena, as entrevistas biográficas de gente cheia de conteúdo. às vezes esquece-se que tem aventuras e substânica que chegue para preencher uma milésima de conteúdo com substrato. a sua verdade não é a verdade daqueles com quem viveu enquanto floresceu. tem tanto mas tanto deles que todos os dias transbordam as diferenças que os separam. é um contra senso que cheio de sentido quanto a noite e o dia. é o contra senso, esse sentido que tem das coisas contrário às ideias de maioria mas que não ousa gritar nem viver porque, lá está, é ordinária e não extraordinária. básica, sem pejos e sem adornos. adora ir para poder voltar ao canto encolhido do lar onde nem sabe bem onde seja. deixa-se ir na corrente mas os seus olhos brilham na contra corrente. é o tolo do meio da ponte, o que ama o sim e o não e todos os antónimos que existem.
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31 de julho de 2019
no miolo da vida
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20 de julho de 2019
out sider life / in sider growth






A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")
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8 de julho de 2019
e quando crescemos em plena quarta década
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5 de julho de 2019
fomos "almoçar" fora






é uma das praias "à mão de semear" que mais gostamos. tão vazia em tempo de férias. tão cheia de matéria prima. encravada entre a água doce e a salgada, entre areal dunar e pinhal e sol e sombra. entre mar revolto e poças e rochas e areia fina. dispensamos enfiar as pernas sob uma mesa e dispensamos a musculação de talheres na mão. alimenta-mo-nos desse improviso esvaziado de artefactos. concluímos sempre que bate qualquer refeição saudável porque nos alimenta para lá do óbvio.
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4 de julho de 2019
perto que é ir mais longe








pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.
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19 de junho de 2019
três ao cubo
finais de dia colado em mimo a condicionar o olfato de qualquer familiar próximo. vê qualquer desenho animado mesmo que a mãe desanime com o desajuste a que os irmãos o expõe. assiste a teatros, espetáculos, saraus e apresentações de forma exemplar. nas pequenas explosões caraterísticas da idade não nos acerta com estilhaços porque normalmente, mesmo sem curso superior, levamos um nível de autodidatismo que nos permite contornar as questões em paz até porque o tempo aos dois anos mede outro tempo e as frustrações contornam-se a uma velocidade acelerada. é incontornável o nível a que está exposto a açucares e coisas que não era suposto já explorar, ainda assim, não há gomas, sumos ou chupas. come, veste-se, calça-se e quase toma banho muitas vezes por sua conta. andou sem chupeta uma semana mas fizemos marcha-atrás. fala muito de cuecas mas a mãe nunca mais as compra. verbaliza tudo. discurso direto e indireto. é o nosso condicional a entrar na escola antes de dar as três voltas ao sol. cremos vá ser incondicional a sua adaptação.
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13 de junho de 2019
uma dezena de quilómetros serra acima serra abaixo
mais de quatro quilómetros acima, mais de quatro quilómetros abaixo, um almoço improvisado e o posto de vigia com vista 360º. meio pão do pequeno almoço para cada um, uma banana para o pequeno, leite e umas tostas. almoçamos no restaurante da vila à hora do lanche. abastecemos de mais cerejas e de água do alardo na bica disponível. rodamos o castelo da vizinhança com amigos e voltamos de pés sujos e alma limpa.
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11 de junho de 2019
o nosso domo feito casulo de hibernação
enfiei-nos num domo onde nos apeteceu hibernar. quase vivemos em metamorfose acelerada depois da excitação inicial. do casulo enroscados, aninhados uns nos outros ao primeiro voo, qual bater de asas a sentir o vento e o céu encaixado na montanha numa primavera tardia e fresca. levem-me os anéis, os presentes de pérolas, as pedras preciosas, os diamantes. dispenso as malas, as peles e muitos gadgets. presenteiem-me com mais dias assim. só assim. com tempo para eles subirem o monte e descerem os decibéis. tão natural quanto a natureza que os envolveu.
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4 de maio de 2019
1 de maio de 2019
do que nos une

a minha riqueza está na ausência e na presença de um anel. não fomos a lado nenhum. há sempre um furo no anel que nos fura a" tradicionalidade" dos programas estipulados se é que posso inventar assim umas palavras a traduzir coisas patetas. íamos sem eles, depois com eles. não fomos a lado nenhum. mas é esta a vida que gostamos de viver. esta plasticina que nos cola a família que construímos. este barro duro que molhado se molda. esta matéria que sendo a mesma se adapta e sofre processos transformativos. somos água fresca, pedra sólida e gás oxigenado. sabemos que todos os dias comemoramos a vida.
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26 de abril de 2019
esher e mergulhos fora da rotina



descobri-mo-nos a cada exposição, a cada passeio, a cada momento de lazer. é fora das rotinas que mergulhamos mais fundo na vida que a rotina dá.
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