6 de janeiro de 2016
5 de janeiro de 2016
os bons e os maus
o bambi perde a mãe, o dinossauro perdeu o pai, ganhou e perdeu um amigo. as lágrimas corriam-lhe quando o medroso dinossauro empurrava o amigo, círculo familiar adentro. estávamos refastelados nuns grandes cadeirões de uma pequenina sala de cinema, pernas esticadas, costas a 45º. dinossauros fofinhos prometiam uma tarde de descontracção mas acabaram duas cadeiras vazias, abraços apertados e muita tensão no ar amplificada pelo esvaziamento da rede de afectos em que o regresso nos fez mergulhar. no dia seguinte misturava os desabafos e tim tim por tim tim verbalizou conclusões desconcertantes. nos filmes de bons e maus, onde vezes a mais a mãe vê violência gratuita, os bons derrotam os maus. por outro lado aqui os bons estão em apuros entregues a si próprios, por sua conta para vencer. mama ao menos o homem aranha diz piadas que me fazem rir e derrota os maus.
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4 de janeiro de 2016
3 de janeiro de 2016
regressar
trazemos malas a transbordar de dias bons. paises novos abrem um maravilhoso novo mundo em expansão permanente mas o velho e pequenino mundo de ver filhos a dar a mão aos primos para ajudar a crescer, de tão pequenino e básico que é, que não fique perdido. agarra-mo-lo com tanta força quanta a que metíamos nos nossos dias mancos de nós.
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2 de janeiro de 2016
resoluções
não há por aqui grandes resoluções ou objectivos só porque o ano se renova. janeiro pede-nos listas de novos propósitos. só temos velhos. pouco ambiciosos e realizáveis propósitos. nada pomposo. tudo pequeno. em janeiro como em outros meses vão cabendo sonhos pequeninos. olhar para ele, para janeiro, sem conseguir ver essa grotesca renovação que ele parece querer exigir, sem saber se será mesmo suposto recomeçar com datas solenes o que quer que seja. é janeiro e aqui nada começou. tudo continua.
1 de janeiro de 2016
e o mundo rola de novo
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31 de dezembro de 2015
umademim
não sei para que serve este espaço. não sei para que importa quem sou. comando um navio, executo um diário de bordo. se um dia o alzheimer me invadir espero te-lo impresso, permanentemente em cima do móvel. quando um dia eles forem às suas vidas, a casa estiver em silêncio e as imagens que enquadro ficarem mais vazias, espero que ele continue a crescer em mais volumes. mas estes primeiros volumes vão para sempre ser os mais mágicos. o ano está prestes a acabar. o blogue a fazer 9 anos. umademim é uma parte de uma parte de mim. nunca escrevo para ti. mas este é um espaço público. quem está ai?
30 de dezembro de 2015
rescaldo de um dia de mãe em tranquilidade absoluta
sabe-se que para uma grande parte das mães este seria um dia de mãe perto de um apoteótico ataque de nervos. meninos em exaltação em pleno reencontro metidos dentro de armários de lanterna na mão a magicar as mais soltas brincadeiras. o momento do lançamento do míssil só estava a começar e a mãe perante animado avanço tranquilizava. nada a deixa mais tranquila que meninos a soltar a imaginação, a partilhar momentos fisicamente. seguiu-se um almoço tranquilo entre garfadas de riso que contagiam qualquer grão de arroz a saltar chão fora, a mãe, sorriu aos grãos de arroz que ficaram no prato, eles sorriam de volta. os meninos saíram arrastados, pelo caminho passaram na "selva" e no "deserto", enfiaram uma máscara de macaco e fartaram-se de arrancar picos afiados de um cacto. tudo sem previsibilidade. o sol disse-lhes olá e eles não quiseram perder tempo com ele e foram fazer uma espécie de sesta entre legos. sussurravam entre encaixes e partilharam construções até à hora do lanche. encaixamos uns chutos no exterior entre a suposta sesta e o lanche. até o despertador da fome tocar. entre garfadas de cerelac fizeram magia a cada gota de corante alimentar que lhes era servido num prato ao lado. os pratos de leite transformaram-se em obras de arte abstracta. as duas dezenas de fotos guardadas comprovam-no. brincar de forma orientada e de forma livre são pratos da mesma balança. por isso quando se lançaram no projecto de construir uma cabana no quarto, envolvendo camas arrastadas, camas de bonecas a fazer de estantes de livros para a cabana, mantas com muitos nós e colchões e almofadas a dançar, foi quando a mãe se sentiu mais no céu. nada supera sentir meninos a partilhar momentos assim. que se lixem as arrumações. desarrumar para brincar arruma as cabeças das crianças. temo que uma casa arrumada e uma criança com um suporte eletrónico lhe possa desarrumar mais a cabeça. terminamos com uma refeição completa, ninguém se queixou da sopa e de sobremesa servimos um trivial pursuit. trocamos as perguntas tradicionais por vários quiz's temáticos e queridas mães nem imaginam o que eles já sabem sobre o mundo! eu adorei ouvi-los! foi um rico dia! obrigada às mães que o permitiram!
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29 de dezembro de 2015
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28 de dezembro de 2015
a nossa praia
a nossa praia de inverno guardará muitas memórias. não nos cansamos de ver magia nos nossos cantos banais.
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27 de dezembro de 2015
26 de dezembro de 2015
natal
metemos sempre a mão na massa. somos matriarcas adolescentes rodeadas de testosterona. aumentaremos as queixas com a idade só porque faz parte mas repetiremos tudo de novo a cada ano. alinharemos em duo a ginástica física e mental que ciclicamente fazemos numa exigente gestão que herdamos. a cada ano que passa mais nos apaziguamos com os flashs que retemos. encaixamos novas rotinas e enquadramos as nossas tradições em ebulição em rituais que serão uma continuação de nós e o início da história deles. eles ter-se-ão uns aos outros. em parte já percebem dessa riqueza de se terem.
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25 de dezembro de 2015
23 de dezembro de 2015
21 de dezembro de 2015
equinócio
começou o inverno. é quase natal. perceber de onde se misturaram tradições, se cruzaram e se miscigenizaram rituais, se sobreposeram datas e se aglutinaram festejos. os equinócios colam-se sempre a celebrações atuais. bom equinócio!
20 de dezembro de 2015
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19 de dezembro de 2015
until the edge
ansiosa pela praia de inverno. a mágica praia de inverno. esse nosso canto desamparado onde as melhores memórias de infância deles podiam ficar enterradas. a nortada, um parque infinito de brincadeiras sem orientações, um imenso tapete amortizante e uma imensidão de material moldável pronto a espalhar brincadeiras e a dificultar as corridas nas mais altas velocidades. essa mesmo. essa praia de casacos polares apertados até ao pescoço, às vezes de gorros a tapar orelhas resfriadas. essa praia deserta de gente e preenchida de bandos de gaivotas. esse maravilhoso parque infantil sem barreiras, nem temas. sem nada. esse maravilhoso mundo onde ao nada se tira quase tudo o que às vezes basta. essa praia com onde o sol se deita alaranjado. essa que mesmo no pico do inverno nos faz tirar as meias dos pés porque o sol fez cócegas nos grãos de areia. essa que se encerra de nevoeiro. essa praia que fica literalmente aos nossos pés à distância dos nossos olhos.
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18 de dezembro de 2015
17 de dezembro de 2015
anglo saxons world
aquelas mães, uma seca de mães, que estão lá em todas e fazem uma patética inveja porque pegam em máquinas de costura e desencantam fatos em dez minutos. uma seca essas mães.
16 de dezembro de 2015
15 de dezembro de 2015
museu de história natural
o museu de história natural podia vir connosco arrastado e ficar assim à mão de semear. passaríamos lá vários dias a seccionar visitas e a descobrir coisas novas muitas vezes. estão lá muitos dos ingredientes que o filho grande gosta de explorar e muitos ingredientes que filho pequeno apanha no ar. o darwin se cortasse a barba parecia este avô.
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14 de dezembro de 2015
embrulhar e voltar a dar
longe de filas e perto das partilhas. gostar de memórias olfativas, visuais e sensoriais. o natal são os dias que passamos a decorar a casa, a contar dias, a encher o saco das memórias mesmo que se recusem a provar a aletria que apurei até me aproximar da consistência das memórias que estas papilas gustativas registaram da receita da avó. todos os dias até ao dia. todas as horas em que inundamos a nossa casa de nós. este ano contamos preparar surpresas extra para os miúdos para além do presente que escolhem receber na manha de 25. escolherei dois brinquedos já existentes em casa com os quais já não brincam há muito tempo para embrulhar de novo e voltar a fazer parte das novidades.
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