18 de julho de 2017

ali ficou a tua história



a mais pequenina história. o preâmbulo da tua história.

16 de julho de 2017

por nossa conta


esta ausência de interferência, este por nossa conta total, era muitas vezes perfeito. que consigamos sempre construir destas rotinas de meia dezena. e que consigamos sempre encaixar das outras alargadas sem penalizar estas horas tão preciosas quanto as outras.

15 de julho de 2017

programação para férias


a nossa escola em casa já foi mesmo em casa. agora a nossa escola em casa passa-se nas férias porque todos os dias são bons para não fazer nada e fazer tudo. porque tudo é aprender e tudo pode ser relaxar.

14 de julho de 2017

cartas II

























saltas os projectos do começar direto para o acabar porque os teus objectivos estão concentrados no verbo fazer e no verbo terminar. tens uma sinceridade por vezes dilacerante mas na mesma medida um contorcionismo matreiro. largas-te como uma fera indomável na brincadeira provocatória porque queres sempre parceiro para ela. interessam-te os maus do mundo animado. os animais para ti têm mais interesse quando são inanimados. apagaste o inglês à mesma velocidade com que entraste nele. achas sempre que os desenhos do teu irmão são perfeitos e que não és capaz de desenhar nada, mesmo o que desejas com toda a tua vontade. eu uso esta referência pela segunda vez mas sei que no fundo a existência de uma referência direta acrescenta uma gestão mental ainda mais desafiante às frustrações normais entre o desejo e a capacidade de traduzir o que vos vai em pensamento. achas sempre que tens poucos sapatos e esse facto deve explicar as persistências que alimentavas aos 18 meses de querer usar sapatos desadequados da estação em que nos encontrávamos mesmo que nos encontrássemos a viver na suíça em pleno inverno e nevasse ou na persistência que sempre alimentaste em não usar os que não te agradavam num conceito estético tão teu. queres sempre os pés quentes e umas meias a fazer garrote para as calças de pijama não saírem do sítio, faça frio ou faça mesmo muito calor. emanas luz e um sorriso sempre rasgado e gingas o corpo solto de todas as tensões que te imputem. dás-te. abraças. beliscas. sorris e deitas tudo o que não te interessa fora. sempre. estás sempre a deitar fora o que não interessa por isso no teu nariz há sempre esse ranho que não interessa guardar. serpenteias a dizer que estás presente e que de nós esperas reações. és distraído, desfocado, desgovernado, expressivo. tens uma omnipresente referencia no teu irmão maior e uma paixão desejada no teu irmão menor. tens sempre em ti um moinho que mói noite e dia e muitas vezes dedicas-te a moer em meu redor as tuas moagens. móis os teus quereres para que a água não deixe de passar, vais moendo mesmo que o vento não vá de feição. um dia mostro-te o cartaz que há dentro de ti e já esteve do lado de fora da tua própria história: não interessa quem faz o que interessa é que se faça. és o nosso huckleberry finn.

12 de julho de 2017

cartas I

























és o meu tom sawyer que vacila entre viver numa aldeia a pastar gado no monte e correr intercalando pinos, rodas e cambalhotas amparado na palha amortecedora. terias sempre um pé enfiado na terra, uma mão num lápis e outra na tesoura e o corpo balançado numas argolas desde que o júri estivesse riscado do teu mapa mental. mas se a terra te atrai ela também parece disputar lugar com o raciocínio lógico porque te estimula também a ginástica mental e queres ser tão completo que te exiges o infinito. andamos a exercitar-te a desaceleração e a fazer-te relaxar essa tua sede em descobrir as proporções perfeitas das colunas gregas que constróis cada dia em ti. ciência, terra, zoologia, matemática, geografia, biologia, arte, agarras quase tudo com sede e só te questionas porque raio tens de saber que os adjectivos, os verbos e todas as variações de pronomes que já usas têm de ter um nome. Este ano voltaste a montar o teu cavalo seguro mas soltaste-lhe as rédeas, deste-lhe com os calcanhares e lançaste-te feroz nesse teu regresso quase a querer voar em vez de cavalgar. lançaste-te sôfrego a querer agarrar tudo com unhas e dentes e um dia o ar pareceu pouco para aspirar tudo em tua volta. tens o teu computador tão cheio que nalguns dias tivemos de te massajar com muita força os pés, flecti-los com intensidade a fazer esticar todos os tendões ao máximo até conectarem todas as extremidades a te voltarem a ligar-te entre a terra e o céu. tens um exercício novo entregue: focar-te na contagem dos meninos que têm mochila azul na escola. contas-me coisas com delays prolongados que denunciam a velocidade e ao mesmo o alcance da tua maturação e nos surpreendem. vais moendo devagarinho, guardadas nas tuas gavetas, as tuas vivências. estamos aqui para te ajudar a arrumá-las. vai com calma meu tom sawyer. 

11 de julho de 2017

o nosso pedaço de chão




























as férias deles. os privilégios deles.

10 de julho de 2017

desacelerar



naquele mês de julho desaceleramos encravados nos ritmos de um bebé e de um adulto em labuta, entregues só a nós. this is us estava só na primeira temporada e a mãe tentava convencer o pai de que estes como aqueles são momentos mágicos que devemos preservar, construir e reconstruir porque é sobretudo nestes que construímos a nossa história. esta mãe daqui aspira a ver dramas em série mas nunca chorou com a série, só se derretia e aguardava impaciente novos episódios imaginando-se a rever a sua espécie de álbuns diário que foi construindo a recear o alzheimer e a babar para cima das memórias todas com os olhos a brilhar.

9 de julho de 2017

the big weekend





fossilizar objetos do século xxi. explorar um mundo dos fósseis pode ser fácil e divertido e esta carta já a temos na manga para repetir. basta uma base de barro esticada e pressionar um objeto à escolha. encher com gesso um molde sobre a base de barro e anexar informação.    


7 de julho de 2017

nestum



olá sou o nestum desta família. conquistado com nestum, avelãs e bolachas. passei a fazer visitas diárias e já ouso maior descontração às aproximações que me fazem. eu fujo, eu já não fujo, eles fogem, eles voltam. vamos ter saudades tuas nestum.

6 de julho de 2017

brincar numa versão traduzida do que são



mostrem-nos os vossos campos de batalha, dir-vos-emos que coordenadores eles têm.

5 de julho de 2017

4 de julho de 2017

férias aos solavancos




iniciar as férias com uma redução abrupta de estímulos. uma paleta de verdes e algum tédio tão subvalorizado. agarramos todos os bocadinhos de sol e sugamos todos os minutos de calor extra que permitiram uma guerra de esguichos com muitos sorrisos espalhados. 

24 de junho de 2017

meia dúzia de parabéns















tiveste, finalmente, uma festa à séria.  a nossa entrega total, como merecias. em outros anos calhou-nos quase sempre estarmos ou em trânsito ou em improvisos. meia dúzia de anos, meia dúzia de amigos, o parque, ideias com muitos contributos  e o teu obrigado reconhecido.

23 de junho de 2017

é meia dúzia para esta mesa do meio

























filho pequeno que passa de dia para dia a filho enlatado. continuas o filho expressionista em variadas direções. entalas-te entre o gozo e a piada que por vezes se excede para provocação. ficas perdido sem o teu guru de brincadeiras e desmotivado e agarras-te à facilidade de mergulhar em ecrans. pedes muito os ecrans e eu meia culpa me deposito mais este contorcionismo gigante para vos chegar a todos. fazes seis anos e a tua plasticidade resolve-te. usas toda a tua expressividade para dar nomes a todos os sentimentos que te avassalam. és uma história tão diferente. nem sempre me sintonizo com tamanha rapidez no teu canal, nem sempre voo da seriedade para uma espécie de stand up comedy que te evidencia cada vez mais. estás no primeiro ano mas já tens uma espécie de bloco base feito, como têm a maior parte dos irmãos mais novos). é-te tudo mais fácil aparentemente, às vezes esqueço-me que ainda és pequenino. parabéns.

22 de junho de 2017

receitas com ideias



já não largamos a receita vencedora que não inclui exclusivamente ingredientes alimentares. para formalizar os parabéns em ambiente escolar passamos a optar por queques individuais que facilitam a hora de esquartejar o bolo e tornam o momento mais prático e funcional. aos queques acrescentamos desafios, adaptados à faixa etária, que incluem mistérios para descobrir. este ano, as contas de somar simples tinham todas o mesmo resultado: a meia dúzia de anos do aniversariante. 

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982