30 de agosto de 2017

quercus cuccifera

espraimo-nos como os arbustos, densificamos ramificações como as carrasqueiras. cumprimos destinos programados e apresenta-mo-nos a mais lugares do nosso próprio território. os passadiços em espinha, e não em labirínto, são obra espontânea de registo, sem intervenção estética programada. o sado estava pantanoso e o sol não estava no lado certo do momento mas esticamo-nos até o máximo possível.  corremos entre arrozais, esmagamos banana para alimentar a cria pequena entre as estacas mais seguras e aviamo-nos de ostras. um dia voltamos a tentar catalogar aves, a apanhar o sol a pôr-se e a tentar descodificar se a recolha de grãos tão pequenos dá mesmo todo o trabalho que imaginamos.

29 de agosto de 2017

exclusividade de memórias


os dias em que constroem a equipa perfeita, em que se estimulam mutuamente, em que se encaixam nas vossas diferenças. os dias em que construímos as nossas próprias memórias, os dias em que construímos a história da família que fazemos acontecer. os dias em que nos entregamos a nós são os melhores.

28 de agosto de 2017

into the wild


às vezes chegas-me do paleolítico e descarregas raivas, frustrações e conflitos de uma forma mais grotesca. Guardas tanto no baú e descarregas tão pouco e tão devagarinho que quando as horas passam e as passas a afiar pedra da forma mais artesanal, ancestral e meticulosa olho o calendário a ver se nos enfiamos into the Wild muitas vezes. saíram dezenas de ferramentas cortantes que qualquer homem do paleolítico teria negociado em troca direta. és um fazedor. tens o poder de fazer e fazer é poder .

25 de agosto de 2017

this moment



o ano em que passaste a dominar os mergulhos.

13 de agosto de 2017

amor (eira)



prometi-me voltar todos os anos a este cantinho.

janelas novas





























andámos muito por muitos sítios por aí fora, noutras paragens a desbravar sítios novos. depois, temos duas semanas com rotinas fora das rotinas e um pacto. a cada percurso para sítios do costume explorar novos lugares do nosso velho lugar. este ano começamos pelo princípio.

11 de agosto de 2017

férias

fechar a porta às rotinas, abrir janelas ao improviso. férias aqui vamos nós.


31 de julho de 2017

ENTA



uma vénia a tudo o que vivi. o melhor e o pior. o agreste e o doce. aqui e ali. assim e assado. com eles e sem eles. tudo cá dentro. arrumado. a preparar mais quarenta.

25 de julho de 2017

improvisos+primos+brincar
















































nestes dias lembrar de não esquecer que as cumplicidades da família alargada dão frutos diferentes.

24 de julho de 2017

cartas III





























trarás colado ao corpo para sempre a cidade de cambridge a nossa casa de pés no chão, um pátio verde e o esquilo nestum conquistado com o mesmo sabor. trarás para sempre colado ao corpo os anos de vai e vem, as memórias que se esvaem na cabeça dos teus irmãos das brincadeiras na neve e dos mergulhos no tanque do nosso apartamento fronteiriço de basel. nada disto, prevê-se, fará parte das tuas memórias, só da tua história. são tornados de circulações entre três cidades que nos foram arrastando enquanto família como os meses em tornado em que finquei os pés para não nos levar o vento e mantive um adulto para três crianças em modo operacional. garantimos todos as rotinas básicas que incluíam banhos tomados, refeições equilibradas, acompanhamento escolar, amor, histórias ao deitar e algum lazer com rotinas apertadas à cadência de três horas para amamentar, trocar fraldas e dar mimo de bebé colado ao corpo. sobrevivemos. sobrevivemos já a tantas histórias. sobrevivemos já a tanta carga metida nos contentores. trarás para sempre colado ao corpo uma vida em trânsito de que não te recordarás. uma língua com a qual apenas contactarás nos bancos de escola. saberás que surgiste no improviso que construímos com ainda mais amor, no incerto que agarramos com mais união apesar dos dias em que nos espalhávamos entre os três chãos que te dão história. saberás do skype, do facetime e das audio e video chamadas da segunda década do segundo milénio. saberás que foste o presente que nos demos na comemoração da nossa década oficial. saberás que foste a viagem que a vida nos propôs fazer em troca de acrescentar milhas às milhas desses anos. tens entretenimento diário a 4 dimensões, duas personalidades em loop a emanar energia. um a estrafegar-te de beijos apertados e a contagiar-te de amor e bichos, outro munido da sua paciência, sapiência, serenidade e vontade, no alto dos seus 9 anos, a ajudar-te a queimar etapas de crescimento envolvido no mais delicado casulo de carinho. tu a mostrar que conheces o teu clã, os quatro pés da cadeira de baloiço confortável onde te embalas a crescer. a sapiência em pessoa aos 8 meses, que denuncias ao sorrir para um ecrã onde só usas dois sentidos para reconhecer o nosso boy mor. derrete-mo-nos. e eu e os meus botões sabemos que os solavancos de tempo em que me estás a permitir descansar serão passageiros. e que a maior viagem é esta a da vida da família que construímos.

18 de julho de 2017

ali ficou a tua história



a mais pequenina história. o preâmbulo da tua história.

16 de julho de 2017

por nossa conta


esta ausência de interferência, este por nossa conta total, era muitas vezes perfeito. que consigamos sempre construir destas rotinas de meia dezena. e que consigamos sempre encaixar das outras alargadas sem penalizar estas horas tão preciosas quanto as outras.

15 de julho de 2017

programação para férias


a nossa escola em casa já foi mesmo em casa. agora a nossa escola em casa passa-se nas férias porque todos os dias são bons para não fazer nada e fazer tudo. porque tudo é aprender e tudo pode ser relaxar.

14 de julho de 2017

cartas II

























saltas os projectos do começar direto para o acabar porque os teus objectivos estão concentrados no verbo fazer e no verbo terminar. tens uma sinceridade por vezes dilacerante mas na mesma medida um contorcionismo matreiro. largas-te como uma fera indomável na brincadeira provocatória porque queres sempre parceiro para ela. interessam-te os maus do mundo animado. os animais para ti têm mais interesse quando são inanimados. apagaste o inglês à mesma velocidade com que entraste nele. achas sempre que os desenhos do teu irmão são perfeitos e que não és capaz de desenhar nada, mesmo o que desejas com toda a tua vontade. eu uso esta referência pela segunda vez mas sei que no fundo a existência de uma referência direta acrescenta uma gestão mental ainda mais desafiante às frustrações normais entre o desejo e a capacidade de traduzir o que vos vai em pensamento. achas sempre que tens poucos sapatos e esse facto deve explicar as persistências que alimentavas aos 18 meses de querer usar sapatos desadequados da estação em que nos encontrávamos mesmo que nos encontrássemos a viver na suíça em pleno inverno e nevasse ou na persistência que sempre alimentaste em não usar os que não te agradavam num conceito estético tão teu. queres sempre os pés quentes e umas meias a fazer garrote para as calças de pijama não saírem do sítio, faça frio ou faça mesmo muito calor. emanas luz e um sorriso sempre rasgado e gingas o corpo solto de todas as tensões que te imputem. dás-te. abraças. beliscas. sorris e deitas tudo o que não te interessa fora. sempre. estás sempre a deitar fora o que não interessa por isso no teu nariz há sempre esse ranho que não interessa guardar. serpenteias a dizer que estás presente e que de nós esperas reações. és distraído, desfocado, desgovernado, expressivo. tens uma omnipresente referencia no teu irmão maior e uma paixão desejada no teu irmão menor. tens sempre em ti um moinho que mói noite e dia e muitas vezes dedicas-te a moer em meu redor as tuas moagens. móis os teus quereres para que a água não deixe de passar, vais moendo mesmo que o vento não vá de feição. um dia mostro-te o cartaz que há dentro de ti e já esteve do lado de fora da tua própria história: não interessa quem faz o que interessa é que se faça. és o nosso huckleberry finn.

12 de julho de 2017

cartas I

























és o meu tom sawyer que vacila entre viver numa aldeia a pastar gado no monte e correr intercalando pinos, rodas e cambalhotas amparado na palha amortecedora. terias sempre um pé enfiado na terra, uma mão num lápis e outra na tesoura e o corpo balançado numas argolas desde que o júri estivesse riscado do teu mapa mental. mas se a terra te atrai ela também parece disputar lugar com o raciocínio lógico porque te estimula também a ginástica mental e queres ser tão completo que te exiges o infinito. andamos a exercitar-te a desaceleração e a fazer-te relaxar essa tua sede em descobrir as proporções perfeitas das colunas gregas que constróis cada dia em ti. ciência, terra, zoologia, matemática, geografia, biologia, arte, agarras quase tudo com sede e só te questionas porque raio tens de saber que os adjectivos, os verbos e todas as variações de pronomes que já usas têm de ter um nome. Este ano voltaste a montar o teu cavalo seguro mas soltaste-lhe as rédeas, deste-lhe com os calcanhares e lançaste-te feroz nesse teu regresso quase a querer voar em vez de cavalgar. lançaste-te sôfrego a querer agarrar tudo com unhas e dentes e um dia o ar pareceu pouco para aspirar tudo em tua volta. tens o teu computador tão cheio que nalguns dias tivemos de te massajar com muita força os pés, flecti-los com intensidade a fazer esticar todos os tendões ao máximo até conectarem todas as extremidades a te voltarem a ligar-te entre a terra e o céu. tens um exercício novo entregue: focar-te na contagem dos meninos que têm mochila azul na escola. contas-me coisas com delays prolongados que denunciam a velocidade e ao mesmo o alcance da tua maturação e nos surpreendem. vais moendo devagarinho, guardadas nas tuas gavetas, as tuas vivências. estamos aqui para te ajudar a arrumá-las. vai com calma meu tom sawyer. 

11 de julho de 2017

o nosso pedaço de chão




























as férias deles. os privilégios deles.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982