começámos o ano a usar os vales que, entre tantas outras distrações a que as crianças do século xxi estão sujeitas, foram largados num canto. cabe-nos ser orientadores e puxar o essencial abafando o supérfluo que inevitavelmente acumulamos. em 2018 volto a repetir em loop menos ter e mais viver. menos objetos e mais memórias. vale número 1-dormir com amigos-checked.
31 de dezembro de 2017
boa noite 2017
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29 de dezembro de 2017
férias e programas
às vezes basta tirá-los de quatro paredes, sair. às vezes há reclamações iniciais mas depois, depois, descobrimos sempre coisas novas.
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dar-lhes música
as férias, o desgoverno dos dias, as desoras, fora de horas, os programas desprogramados para nos dedicarmos apenas à desprogramação dos dias. uns dias a esvaziar. mas, há rotinas dentro da desgovernação imprescindíveis e nem sempre nos podemos expandir fora de paredes. no último dia de férias os rapazes provocaram-se num processo reativo comum em pig pong na versão mais pateta e desgastante, entre remates de trabalhos para férias por terminar. surgiu todo o lixo de que tinham memória, canções de letras vazias e mais provocações. disparar palavras de comando, pedidos a subir de volume, entramos sempre nesse poço sem fundo, num mergulho profundo que nos mostra a escuridão. depois o que sempre nos salva é a inversão de marcha, sempre o inverso, sempre o contrário do que é suposto, sempre a reinvenção. parar. parar mesmo. respirar. puxar o fundo de nós e, responder-lhes assim e assim. e, tudo voltou ao lugar certo.
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24 de dezembro de 2017
20 de dezembro de 2017
11 de dezembro de 2017
10 de dezembro de 2017
8 de dezembro de 2017
climb boy
dir-te-ei sempre ao ouvido para não ires atrás, que não tens de conseguir fazer tudo o que faz um irmão mais velho. dir-te-ei sempre ao ouvido que os teus desenhos são fantásticos que és um expressionista, que não percas a tua singularidade, que as nossas caraterísticas são para levar ao colo vida fora. mas o teu sorriso, quando queimas etapas que já viste queimar com tanta proximidade, não havemos de castrar.
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22 de novembro de 2017
serões
parecia tudo calmo, alinhavado, uma articulação suprema. mas eis que um tufão se formou e surgiram dúvidas que um não queria ver esclarecidas pelo outro, tudo no mesmo preciso momento em que o pequeno reclama que a fralda estava suja. tentei arrastar o turbilhão para junto do mudador, espalhamos dezenas e apanhamos unidades. voltamos a arrastar leituras por classes enquanto apanhávamos com salpicos do banho do bebé. de fundo tínhamos um tenor a fazer transcrições. continuamos a arrastar contas invertidas e a tentar somar espaço de bancada para espalhar o jantar numa bancada em negativo. há caixotes abertos, muitas miudezas fora do sítio, sacos a pedirem saídas imediatas. mas, no meio de tudo, no meio do furacão, é àqueles segundos enquadrados, registados, aqueles segundos observados que procuro que fiquem. aqueles que um dia voltaremos a visitar.
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20 de novembro de 2017
18 de novembro de 2017
dêem-lhes mundo
o objetivo era outro, outra exposição desejada. mas o que se descobre sempre que saimos é sempre maior, por isso, agendaremos muitas mais idas.
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17 de novembro de 2017
andante
as estatísticas dizem que serás o último filho andante. estás no princípio do fim em várias coisas mundanas. coisas que pouco importam para o que vais construindo de ti. ficamos sentados a descobrir-te mesmo que a vida dos objetos espalhados cresça descontrolada.
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16 de novembro de 2017
poliedros de platão
não interessa que a imagem seja a materialização da técnica do quadrado usada na batalha de aljubarrota, cheia de palitos espetados e buracos camuflados baptizados de tocas do lobo. é deslumbrante voltar a espreitar portas e janelas de descobertas quando se tem filhos em idade escolar. temos como máxima que aprender, brincar e descobrir deviam ser três palavras que raramente deviam largar as mãos. a filosofia hoje tinha o seu dia, contou-nos o rádio pela amanhã e o nome Platão veio fazer saltar filho grande e despoletar de novo o fervilhar de ideias com que tinha chegado no dia anterior. tínhamos papeis rascunho deixados por casa com projectos de descoberta dos poliedros de Platão e seus poderes, pedidos para exploração do tema e o tema ameaçava ficar a marinar por causa da falta de tempo. e este é um mergulho que não devíamos deixar escapar porque é o mergulho motivado de uma criança. e a motivação é pedra preciosa na relação de amor tão importante que uma criança estabelece com a descoberta. contra os dias que lidamos com trabalho mimético, contra os dias que nos inundamos de tarefas rotineiras, contra os dias que os jantares, os banhos e a dispersão de tarefas nos consome. a favor dos dias em que nos sentamos e caminhamos, em família, em descobertas, seja com que motor de arranque for, marchar, marchar!
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13 de novembro de 2017
um
deste uma volta ao sol mas ainda não arriscas dar um passo desapoiado para pisar a "lua". tens meia dúzia de dentes de fora e dois meio fora meio dentro. comes toda a fruta que te oferecem e desde cedo que a comes à dentada, para isso, são te indiferentes os dentes. adaptaste-te na perfeição às quatro horas e meia que passas fora, na creche, no infantário, na escola, ou o que lhe quiserem chamar. a mãe "impôs" transição e nas primeiras semanas em vez dos saltinhos de colo em colo atreveu-se a sentar-se no chão da sala por uns minutos, a paz com que a transição se fez fê-la regressar às horas laborais de uma forma incrivelmente diferente da que viveu há quase dez anos atrás. és mais próximo da fornada do teu irmão do meio, fisicamente falando. e também começaste cedo a gingar o corpo a cada som ordenado musicalmente, como ele. os momentos musicais na escola, mesmo para bebés muito pequenos, são momentos mesmo mesmo bons, isso vê-se. dispenso a vertente papparazzi mas isso agora também não interessa nada. gostas do momento do banho, levas com baldes pela cabeça abaixo, e mantivemos a redução de parafernália para bebés reduzida ao máximo. nada de tapetes de actividades, nada de andarilhos, parques e nem brinquedos para bebés. temos uma equipa maior a fazer controlo. como todos os bebés que gatinham livremente és o nosso aspirador e apanhas as miudezas mais inacreditáveis. adoras papel e podia chamar-te o incrível rapaz que comia livros . é aliás um objecto que te é incrivelmente familiar, neste momento, não ainda pelo conteúdo mas mais pela diversão em vê-los saltar todos da estante um a um. passaste para um quarto sozinho no momento em que deixaste de caber no primeiro berço que depois de esticado deixou de caber no quarto dos pais. são sempre questão práticas e pragmáticas que nos têm desta vez regido a parentalidade. esquecemos os livros, as orientações pediátricas e os mil textos sobre teorias à cerca da parentalidade, de como devem dormir os bebés, de como devem comer os bebés, de como devem arrotar os bebés. quanto ao dormir ainda estamos por descobrir em que momento te agarraste ao nosso nariz e ansiamos pelo dia em que nos deixes o nosso orgão olfactivo em paz. temos este mistério por desvendar, este, como aquele outro que se agarrava ao umbigo. o ano voou e nem demos por ela. ainda estava munida de sling a tiracolo, a acalmar cólicas fugazes e de duração curta enquanto, em equipa, os dois, adormecíamos os teus irmãos e já estamos aqui contigo em aplausos coordenados a cada vez que soltamos a melodia dos parabéns. somos meia dezena e és o nosso poema que veio fazer com que todas as estrofes rimem.
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12 de novembro de 2017
10 de novembro de 2017
1,2,3
cresces neste ninho de amor. cheio de colos e animação a quatro dimensões. cresces, às vezes, num corropio de colos e agitação.
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9 de novembro de 2017
meus motores
8 de novembro de 2017
i need wifi
as armas e os barões assinalados conectados, uma linguagem não totalmente acessível para quem ainda não chegou à primeira década. vontade. vontade de fazer desta leitura a leitura dos tempos mortos na escola. que este exercício de desconexão com os meios electrónicos encontre no nosso lar sempre o máximo de momentos que conseguirmos. não será uma luta mas será sempre um exercício que nos esforçaremos por ter presente. a bem da vossa geração.
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7 de novembro de 2017
2 de novembro de 2017
1 de novembro de 2017
primeiro de novembro
até podermos, as tradições que nos fazem sentido, mantê-las-emos. um dia este território pode já não fazer parte delas e só das memórias. alimentê-mo-las enquanto pudermos é disso que se tratam muitos feriados.
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31 de outubro de 2017
30 de outubro de 2017
quando o início e o fim se tocam
espalha-mo-nos em muitas casas. guarda-las-emos a todas no coração e nas memórias, todas, na gaveta das memórias boas. fica para um dia traduzir estas imagens em letras para além das letras que lá metemos dentro, dentro das imagens. dentro destas imagens há muitas histórias lá dentro, muitas letras. dentro da história grande há cinco histórias dentro que traremos guardadas para sempre.
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29 de outubro de 2017
objetos
brincar entre objetos em desuso, no meio de gigantes de outras vidas num museu chamado quase de lixo.
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28 de outubro de 2017
18 de outubro de 2017
daily life
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16 de outubro de 2017
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