ontem tentamos estruturar melhor os trabalhos. não correu mal. vamos cumprir os exercícios tradicionais mas cruzaremos com a introdução de novos paradigmas de estudo. somos capazes, nem todas as famílias o serão, aproveitemos as trocas de aprendizagens entre todos e entre as ferramentas disponíveis de saber, de cultura, de materiais, de criatividade e de tudo o mais que temos ao dispor. escola e família com oportunidade de se meterem na vida uma da outra como nunca e, numa família numerosa, um imperativo. os cumprimentos laborais andam no mesmo nível de toda a gestão e de todas as dimensões da vida. o tele trabalho fora de horas laborais. voltei aqui mas ainda não consegui voltar a uma série de outras coisas em que o eu esteja num outro nível. há mais eles, e os outros. a vida a acontecer e a mandar. há uma lista mental de ideias. um milhão de intenções mas domar meia dezena de seres vivos com vontades próprias e mil emoções à mistura é a mais exigente tarefa dos dias. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele. décimo quarto dia, permiti-mo-nos sair. muniram-se de bicicleta, skate e trotinete. a marginal tem fitas condicionar o estacionamento. esticaram-se na areia o sol deu-lhes alguns beijinhos na pele, não o suficiente para trazerem em vez de areia vitamina D. mas a areia é matéria moldável e o X parou a senti-la. a polícia interpelou-nos. as ordens são manter a circulação. não lhe dissemos que não tínhamos feito nenhuma saída há 14 dias nem para qualquer ida ao supermercado, temos o nosso próprio bunker onde repescamos munições. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele.
by umademim
25 de março de 2020
QUARENTENA DÉCIMO TERCEIRO DIA
ontem tentamos estruturar melhor os trabalhos. não correu mal. vamos cumprir os exercícios tradicionais mas cruzaremos com a introdução de novos paradigmas de estudo. somos capazes, nem todas as famílias o serão, aproveitemos as trocas de aprendizagens entre todos e entre as ferramentas disponíveis de saber, de cultura, de materiais, de criatividade e de tudo o mais que temos ao dispor. escola e família com oportunidade de se meterem na vida uma da outra como nunca e, numa família numerosa, um imperativo. os cumprimentos laborais andam no mesmo nível de toda a gestão e de todas as dimensões da vida. o tele trabalho fora de horas laborais. voltei aqui mas ainda não consegui voltar a uma série de outras coisas em que o eu esteja num outro nível. há mais eles, e os outros. a vida a acontecer e a mandar. há uma lista mental de ideias. um milhão de intenções mas domar meia dezena de seres vivos com vontades próprias e mil emoções à mistura é a mais exigente tarefa dos dias. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele. décimo quarto dia, permiti-mo-nos sair. muniram-se de bicicleta, skate e trotinete. a marginal tem fitas condicionar o estacionamento. esticaram-se na areia o sol deu-lhes alguns beijinhos na pele, não o suficiente para trazerem em vez de areia vitamina D. mas a areia é matéria moldável e o X parou a senti-la. a polícia interpelou-nos. as ordens são manter a circulação. não lhe dissemos que não tínhamos feito nenhuma saída há 14 dias nem para qualquer ida ao supermercado, temos o nosso próprio bunker onde repescamos munições. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele.
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24 de março de 2020
QUARENTENA DÉCIMO SEGUNDO DIA
andamos às apalpadelas a tentar construir rotinas que se mantém desrotinadas ao sabor de espetos que nos lançam de vários lados. lá fora está sol e, apesar da amplitude espacial, ainda não pacifiquei a ideia de que possamos passear cães e não filhos. entraremos na segunda semana adentro num processo de desaceleração relativa por não querer que se entreguem permanentemente a ecrãs. as férias serão uma espécie de dias em contínuo, espero, com novos ritmos encontrados neste novo registo. o m pedia várias vezes ausências da face aborrecida da escola, matérias repetitivas e pouco estimulantes mas, agora em modo livre, ainda não se libertou num voo solto pela criatividade. o v precisa de ar, pede-o muitas vezes e gosta bastante da vida com ecrãs mas a sua costela mais pragmática funciona bem nas aulas de piano à distância. o x precisa de inputs para largar a caixa que carrega vezes demais ao colo que já manuseia com destreza e de forma autónoma, um perigo. quando lhe abrimos o mundo obviamente adere mas precisa que o conduzam nessa descoberta porque se habituou a caminhar entre muita gente a precisar de coisas na sua estrutura familiar. ontem quando assistiu à canção dos bons dias da sua professora, sentiu-se intimidade e estranho. é o que menos percebe do que se passa. o que quer que se passe não tem dias contados e 2020 irá ser sem dúvida um dos anos mais marcantes da história desta geração. tocaremos esta música com os instrumentos disponíveis a ritmos antagónicos e nem sempre em composições perfeitas. um dia de cada vez. uma hora de cada vez, cada minuto, cada segundo a apalpar um futuro incerto.
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23 de março de 2020
QUARENTENA DÉCIMO PRIMEIRO DIA
acabamos o projeto a que nos propomos. usando a matéria de estudo do meio de terceiro ano e envolver todos. os conceitos estão apreendidos e sem fichas. desenhamos animais usando sombras e assistimos aos vídeos enviados pelas professoras dos mais pequenos. li-lhes dois capítulos do diário de anne frank enquanto se esticaram junto da janela numa espécie de banhos de bacia em que raios de sol a substituem. almoçamos as sobras de domingo, um frango caseiro com massa. mante-mo-nos a usar os recursos disponíveis e hoje fizemos chapati com chocolate para o lanche, uma bela oportunidade para o pequeno esticar a massa e espalhar farinha por todos os lados. o v aspirou a sala mas ha muitas tarefas por fazer. o pequeno tem usado tempo de mais com ecrã mas o tempo de ecrãs é sempre demais seja ele qual for. relaxo, desvalorizo.
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22 de março de 2020
QUARENTENA DÉCIMO DIA
fim de semana entregues a ecrãs. quebra estratégica. mete-mo-nos todos no carro com abandono do habitáculo apenas e só por um adulto a deixar uma caixa de perecíveis na bisavó de noventa anos. quando liguei a dar notícia da caixa foi uma espécie de de natal. chamou-me anjo. outra paragem estratégica para o ÁFRICA MINHA, extenso para aguentar o V e o X. acrescentamos uma espécie de ginástica no arrancar do fim de semana. meia hora de leitura no aconchego de uns raios de sol que entravam pela janela, este nível de jogo acontece quase sempre na base da negociação e / ou imposição mas que seja. muito pouco tele trabalho batido entre um frango caseiro e um crumble. de manha fiz alongamentos e dancei em simultâneo enquanto conversava com a desarrumação da cozinha. aproveitamos recursos, tudo é gerido ao detalhe e a cozinha tornou-se um laboratório permanente, não é nova a gestão da dinâmica de, no mínimo, quatro refeições por dia. o nosso âmago acusa tensão e o pequenino baralhação com grau elevado de presença parental. tentamos ingerir doses pequenas de noticiários para que o tema e as palavras repetidas à exaustão não lhes martelem na cabeça e façam uma espécie de voo rasante temporário ao tema. as alterações de rotina, a presença de muita gestão familiar e os inputs externos são matéria suficiente para que sintam que o momento será marcante na nossa história de vida. o pequeno disse que gostava muito da professora, acusa sinais de saudades, mas gosta muito do pai e da mãe. começará a segunda semana de desafios. ainda não estamos em condições de alterar o paradigma escolar e laboral mas caminhamos a passos largos. em uma semana entram de "férias" seja lá o que isso for e tenha lá que sentido tiver. o diário de anne frank, agora que a diretora de turma do M lhes impôs 4 linhas por dia num diário pessoal, faz todo o sentido. a introduzir fora do horário noturno para não lhes moldar os sonhos.
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19 de março de 2020
QUARENTENA NONO DIA
Abrir as portadas, as janelas, vestir, passo a vida em ordens de comando. para que nos vamos vestir se vamos ficar em casa. é o nono dia. já não sei em que dia fizemos o que. tentei gerir o caos e propus um projeto que os envolvesse a todos, plasticina caseira. um modelo 3d com matéria de estudo do meio de terceiro ano. rio, afluente, planalto, montanha, encosta, ilha, cabo, planície, etc. entretive o pequeno a congelar mamíferos, repteis e peixes em separado.
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18 de março de 2020
QUARENTENA - QUINTO DIA
Consegui trabalhar meia hora entre sopas e coisas. Chamam mãe muitas vezes e a partir de muitos sítios. Não os tenho pressionado com trabalho escolar . Andamos entre uma espécie de férias com uma ficha atrás. Não há mãos a medir para tanta gestão de grupos what’s up, emails da escola. moddle, etc . Nunca estivemos tão agarrados a máquinas e longe da vida. Passamos a vida na troca vazia . Descobri que a minha visão passou a outro nível a quarentena revelou a quarentona em mim, isso e a vista cansada. começo a desfocar a vida, esta vida. Há uma cárie e um lábio aberto. 5 dias em casa e tenho inveja de quem vai passear o cão. Porque sinto que devia ir passear o filhos. Dar lhes ar que também é uma necessidade básica . Vivo em processo pingue-pongue entre a versão hipocondríaca e a versão cavaleiro sem saber bem onde me posicionar . Eles andam para aqui meios perdidos , meios desorientados , a querer dar se à inércia . Não é um mundo novo, tenho dejá vues constantes, já passei por processo semelhante num longínquo inverno. Eram dois e ninguém me impedia de sair. Mas a gestão de necessidades e rotinas de duas crianças entregues unicamente a mim traz-me constantemente memórias.
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17 de março de 2020
QUARENTENA-TERCEIRO DIA
Plano de intervenção instalado. Alguma tensão ao rubro. Pingue-pongue entre o cumprimento das orientações e a alteração quando convém a todas as partes para o bem e para o mal seja lá o que isso for. Estamos todos baralhados. Cheios de intenções a e por cumprir.
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15 de março de 2020
QUARENTENA-SEGUNDA DIA

Fizeram um ringue com fita cola e almofadas a forrar elementos de perigo. Extravasaram energia acumulada mas ainda só passaram dois dias. Decidiram instalar como rotina o sobe e desce dos 5 pisos a que estamos confinados. Estivemos uma meia dezena entre este cenário e filmes e séries e sofá e arena. Rematamos o dia com um esboço da nossa escola em casa em vias de começar.
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14 de março de 2020
QUARENTENA-PRIMEIRO DIA
Dia 1 é uma maneira de dizer porque entramos mais para dentro numa sexta feira, antes de ser decretado o encerramento das escolas. Por isso o último dia da semana já se fez entre paredes. Deixa-mo-nos estar entregues à ausência de rotina depois de os ter forçado a aceitar ir a uma praia deserta, a nossa praia secreta, a 40 quilómetros de distância. Improvisamos sandes e fizemos pic nic isolados. Mas as decisões pendentes, pressões eminentes, tensões resistentes tinham alarmes ativos, demos- lhes 1 hora a rebolar nas dunas e a recolher godos e pedras para os dias de clausura. Recolhe-mo-nos com os bolsos cheios de vitamina D e de areia.
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13 de fevereiro de 2020
imaginação viral
o vírus que ataca a histeria e traz inspirações a atividades de concentração escolar. material: uma fita rebentada de cartão escolar de segundo ciclo, um texto de opinião reutilizado, imaginação origami.
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7 de fevereiro de 2020
tradições, comemorações a começar
um bolo de chocolate intragável que devia ter-se chamado delícia de chocolate mas só existia perdido numa prateleira chocolate magro em pó biológico e a coisa não se deu. a massa endureceu e quase encravou as lâminas da máquina faz tudo. as panquecas com tamanho de crepe pela manhã imaginadas em sobressalto pela madrugada a explodir em vulcão, que é o que nos espera esta fase pré teen, não ficaram mal mas depois descobri que quase não havia chocolate para as barrar. a rotina a despertar, as horas a queimar, a pressa a rebentar, tudo a bombar. a vida tal como ela é IMPERFEITA! em surdina raspei os olhos no horário detetei que era a disciplina de inglês a abrir o dia e a perspicácia do teu pai à percepção do que afinal precisavas neste dia combinou um tiro à primeira aula e uma deslocação a rasgar o vento, a quebrar essa maldita rotina espartilhada. um dia peço te desculpa por te ter alimentado as piores memórias no toque de caixa que imprimo à vida como se a pressa nos fosse levar mais longe quando é sempre mais perto que está tudo. e está cá tudo.
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2 de dezembro de 2019
do que conta para a história das memórias
às vezes conversamos sobra a nossa história, as vossas memórias e as vivências individuais e coletivas. a vossa infância é única, especial e muito vossa, fruto da construção desta família que começou neste pai e nesta mãe. a cada um dos vossos nascimentos há coladas histórias a marcarem o percurso de todos. M fruto do museu ibere início dourado da vida laboral, da vida familiar, do trabalho emancipado num escritório, V fruto da crise instalada e início dos nossos vai e vens enquanto família, a emigraçao ao rubro, as viagens, o mundo aberto, dois paises a fazer de lar, presenças nas ausencias, ausencias nas presenças, um ano na s mathews school. X fruto dos regressos, das reconstruções, das reinvenções mais e menos duras, fecho de ciclo. fruto de um ciclo.
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5 de novembro de 2019
apertar os cintos primeira viagem a arrancar para novas dimensões
montanha russa acima montanha russa abaixo. sei que acabamos de aterrar na bilheteira e que ainda olhamos perdidos a lista de diversões, ainda estudamos o mapa e balançamos entre as atrações radicais e os divertimentos seguros. serás sempre tu que nos levarás aos mais recentes parques de diversões. já sabemos da risota pegada, do nervosismo acelerado e do medo e da adrenalina. as piadas parvas do início do parque são só para relaxar e nos ambientar. vamos apertando o cinto a cada recado da escola a ver se a soltura não descamba e se as piadolas do átrio de entrada não se tornam em bebedeiras nem pôem ninguém em coma cerebral. vamos esgotando blá blás morais e espicaçando o efeito fora de grupo. sabemos das emoções a darem sinais de contrações de braxton tal e qual o alerta do parto não eminente mas muito próximo. esta semana havia sinais positivos, uma calmia que esperamos prolongada para não estarmos sempre em apneia. e, como veio recado para casa coletivo mas em versão positiva armamo-nos com cana de pesca e botas de chuva e lançamos o anzol a pescar episódios escolares. lá vieram emoções e histórias, miudezas e profundezas mas entre o sacado saiu um pedido de desculpas espontâneo e sincero à professora de evt. se foi motor ou promotor não sabemos mas serviu para falarmos do efeito borboleta a ver se contagia estes infindáveis dias de chuva que nos têm alagado a mercearia das contas que fazemos. há sempre injustiças e justiças e tensões e emoções mas assim que se acalma o inverno que guarde a imagem da borboleta colorida que lhe mostrei e que nunca queira ser peça do tetris que faz linha e desaparece.
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13 de setembro de 2019
regresso às rotinas espartilho
és um obreiro mas para ti a boa vida é uma vida boa. apanhavas sempre esse barco das férias. não és saudoso nem das atividades extra que não queres deixar, nem do cheiro a cadernos novos, apesar de zeloso com tudo o que é material. guardas esses medos abafados a ganhar bafio e quando te soltas é a roçar pequenas explosões. sabes ser o estereótipo do irmão mais velho, zeloso, atencioso, cuidador. sabes ser o engenhocas tipo doutor pardal. manuseias à vontade o x ato e o cartão, as dobragens e os origamis, as cores e o preto no branco. escorregas na leitura e deixas-te ir com todos os apesares. tens na eminência de começar o último ano nesta escola de transição. caminhas a passos largos nas areias movediças da pré adolescência por isso te tolero algumas explosões. desafio-te para este ano a conteres as maçadas das professoras e das disciplinas mais maçadoras.
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2 de setembro de 2019
a escola que já é cor nas nossas vidas
conhecemos as combinações. o corpo docente que se mantém. sabemos dos cantos e dos recantos nas suas vertentes homónimas porque os cantos têm sons conhecidos. sabemos das rotinas e conhecemos quase de cor os conteúdos. sabemos das caras familiares e dos familiares propriamente ditos. sabemos das abordagens e das posturas. sabemos quase tudo de cor. sabemos também que o mini sente que sabemos mas o que vê são muitas caras novas e rotinas onde ainda não penetrou. o tempo, esse grande escultor, molda ao de leve e fará deste novo ciclo seguramente um dos melhores ciclos da sua vida e da nossa.
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31 de agosto de 2019
a beleza do que está parado no tempo
fomos a casa da família do luis. o luis continua em basel mas quer voltar. não arrasta ninguém atrás e por isso tem soltura mas já não está disposto a trabalhar ao rubro. preparou-nos a casa na aldeia com todos os pormenores que reparo serem pormaiores. esqueceu-nos de lho dizer com mais afinco. as três patas das panelas, as chitas nas mesas de pedra, as canecas rodadas com água límpida, o tanque, o roteiro, as histórias, a conjugação de pessoas a juntar histórias e cruzamentos e condimentos.
27 de agosto de 2019
picardia ao rubro
este foi ano do " dão-se como irmãos". o beliscão, a gestão dos desenhos animados, até a sedução da relação com o pequeno irmão. o apogeu da vossa relação de irmãos, o desequilíbrio esporádico do "não chego para todos". mas no fundo vocês sabem que eu sei que o cordão invisível que vos une está lá. haja o que houver.
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1 de agosto de 2019
tudo a rolar

arrancamos em força este querido mês de agosto. não temos outro. as escolas fecham e a gestão fica imperativa e apontada para aqui. são os nossos oitavos de final ou de início ou de paragem ou do que quiserem que seja. munimo-nos de todas as armas necessárias ao desfralde do mais novo e arrancamos viagem sem olhar para trás.
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31 de julho de 2019
no miolo da vida
às vezes lê entrevistas ou historias de vidas cheias, com substancia e profundidade. é tão ordinária que acha que nunca ousaria vivê-las talvez porque farta de exposição sempre desejou a contra corrente, a estrada menos concorrida, a praia mais vazia. atrai-a os bilhetes de identidade como o da maria filomena, as entrevistas biográficas de gente cheia de conteúdo. às vezes esquece-se que tem aventuras e substânica que chegue para preencher uma milésima de conteúdo com substrato. a sua verdade não é a verdade daqueles com quem viveu enquanto floresceu. tem tanto mas tanto deles que todos os dias transbordam as diferenças que os separam. é um contra senso que cheio de sentido quanto a noite e o dia. é o contra senso, esse sentido que tem das coisas contrário às ideias de maioria mas que não ousa gritar nem viver porque, lá está, é ordinária e não extraordinária. básica, sem pejos e sem adornos. adora ir para poder voltar ao canto encolhido do lar onde nem sabe bem onde seja. deixa-se ir na corrente mas os seus olhos brilham na contra corrente. é o tolo do meio da ponte, o que ama o sim e o não e todos os antónimos que existem.
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25 de julho de 2019
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és o construtor. o que nunca se entedia. o que quer mais horas por dia. o menino dos projetos entalado em atividades. que o martelo Mjölnir te poupe a grandes trovões, relâmpagos e tempestades e a épicas batalhas. que tenhas a proteção da humanidade e uma coleção gigante de pequenos momentos de felicidade. há sempre uma força dentro de nós.
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23 de julho de 2019
a urgência de viagens mundanas
eles trocam de atividades a cada semana. eles rodam a casa de amigos na hora de dormir. sobra o pequeno a viajar ainda em voos baixinhos. e as dificuldades que estão a ser as viagens à casa de banho.
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20 de julho de 2019
out sider life / in sider growth






A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")
(do livro "O pássaro da cabeça")
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18 de julho de 2019
lutas sem som
as disputas territoriais são a orquestra dos dias, detesto mediar conflitos que envolvam física quântica. sabem ser ruidosos. nada de novo. eles conhecem-se e conhecem os calcanhares de Aquiles, sabem que torções de tornozelos fazer-se. noutro dia enquanto o pequeno caía no sono ficaram a prolongar-se no jogo do rodopio entre quartos. cumpriram o nível de som a roçar o silêncio. foram apanhados encavalitados e afirmaram tratar-se de um luta sem som.
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14 de julho de 2019
pés nas pedras
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11 de julho de 2019
histórias aos quadradinhos
quando lhe púnhamos picotagem na frente mostrava impaciência, enfado e fazia-o a despachar, sem entusiasmo. fomos catalogando a coisa assim: gestão de paciência para tarefas demoradas num nível baixo. mas as gavetas onde enfiamos características de pessoas a crescer não são caixas estanque, amovíveis, impenetráveis, bloqueadas. quando na escola lhe abriram este espectro da pintura de quadrados levou-a ao infinito, explorando com sapiência, paciência e empenho a tarefa de não descansar enquanto toda a folha não estivesse preenchida. abram gavetas, não deixem nada com aloquete e não cataloguemos os meninos que o crescimento é barro que se molda para sempre.
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10 de julho de 2019
a passos largos para a terceira volta estar completa
todos os dias pede cuecas mas continua a usar fralda sob pena de termos acidentes em loop. estamos em dead lines em setembro ingressa na escola de todos. descobriu a manga curta e a leveza da roupa de verão. vê desenhos animados inapropriados porque ter irmãos mais velhos não são só coisas positivas. pronuncia tudo na perfeição mas continua a insistir na pamta quando abre garrafas de água.
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8 de julho de 2019
e quando crescemos em plena quarta década
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