23 de junho de 2018

sete anos


tens sete anos. já tens sete anos. passas aos saltinhos pela vida. serpenteias mecos e pinos. trazes um sorriso na mão e um amuo no bolso. sabes dar nome às tuas reações. tens plena consciência das tuas capacidades. és confiante. arrumas-te facilmente e desligas instantaneamente para passar a outra etapa. hás-de ir onde o teu coração te levar e nós, a nossa meia dezena, estará cá a ver-te ir. tens sete anos e os teus alicerces principais lançados, dizem.  agora, nosso miolo doce, a vida é mais ou menos tua. 

7 de junho de 2018

as pernas para o ar da vida


























escolher para conversar com o alzheimer os melhores momentos, as imagens mais sorridentes, os dias com mais recheio feliz, os dias mais pacíficos. estes dias acontecem mais vezes do lado de fora das rotinas, do lado de dentro ficam por tradição muitas horas ditas chatas. a vida de todos não é recheada de instamoments sorridentes. há dias que nos entra o caos porta dentro, na maior parte dos dias distribuem-se jantares por entre conversas desalinhadas, estudo, ou conversas soltas de tudo. diriam que um dia olharia para as fotos com um sorriso no coração mas eu que já sou meio virada do avesso fico apaixonada por estas imagens.

6 de junho de 2018

um ponto que foi passear





às vezes abrimos livros e saem desenhos teus, sem data. foi o desenho, também, que te deu confiança num ambiente inóspito, num país diferente. é do desenho que os teus colegas falam agora que se recolhe um apanhado de um fim de um ciclo. delongo-me a observar o minucioso recheio daquela rena. desenhos e animais um dia reconto-te as horas que passamos a ver david attenborough.

5 de junho de 2018

o equilíbrio em ti


há em ti um equilíbrio desequilibrado. tropeças de forma literal tanto, cais quedas pequenas impensáveis. esbarras em postes gigantes. tantas vezes porque te equilibras e exprimes com corpo e alma. querias muito que chegasse este meio do ano para deixares meia dúzia de vida para trás. estás tão no meio de tudo o que já vivemos. és tão o nosso miolo. és tão o nosso meio caminho. és tão o nosso gingar constante de adaptações e readaptações vividas. há tão em ti um miolo perspicaz que nos desafia. há tão em ti um miolo doce que nos recheará a vida.  

2 de junho de 2018

prensa ao cubo


há dias, vários dias, desde há muitos dias atrás, que se vai sentindo prensada. assim como se uma prensa cúbica lhe passasse em cima. às vezes já não consegue dar-se a um de cada vez com a mesma paz com que se deu e isso sabemos que a aflige. depois sabe que a chamam sem chamar e nem sempre está livre porque a prendem tarefas de bebé. fraldas por mudar, sopas por meter numa boca, controlo motor obrigatório. é ai que grita como não se lembra de ter gritado na primeira viagem. é ai que se sente atada e bloqueada. às vezes pede o que não dá: controlo. às vezes dispara para muitos lados como se pudesse coordenar muitas marionetas ao mesmo tempo e em simultâneo, como se pudesse unicamente puxar fios fininhos e as extremidades estivessem em conexão para uma causa efeito imediata. um dia, algum dia, certo dia, mais dia menos dia, vai chegar o dia. o dia em que fala baixinho e só espalha amor. vai chegar um dia em que volta a sentar-se no chão, a penumbra acesa e as histórias a ecoar no quarto. ou então nao, já não vai a tempo desse dia. haverá sempre o dia em pode sentar-se no chão à porta dos quartoS com o seu próprio livro na mão e de vez em quando espreitará pelas frinchas das páginas do meio e se distrairá na história do que observará.

1 de junho de 2018

1,5



constróis-te no meio do turbilhão dos nossos dias. sossega-nos saber que as palavras que não dizes sairão em catadupa num repente. tens-nos dito que tens um lugar no nosso ninho. esta semana parece ter feito uma entrada nos terrible two precoce.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982