30 de junho de 2007

ir às lulas



ando nauseabunda e desfalecida mas não expilo as entranhas. evito os mariscos e os mal lavados que não quero que as entranhas me fiquem contaminadas. elas agradecem que eu sei. tenho os humores e as tensões tencionadas para baixo e repentinas. balanço-me com agonia como se me deslocasse num barco ao sabor das ondas, parado. a verdade é que não viro o barco por nada. apesar disso, sinto-me rainha na selva e, como leoa que sou, fome devoradora a entrar pela noite dentro. sinto-me amarga por fora mas doce por dentro que as amarguras não me justificam sensações de desistência. estou ritmada na ingestão e desritmada no sono. se agora o barco me embalasse talvez lhe ficasse adormecida e não agoniada. e agora que o sol se decidiu a brilhar mais me reluzia o olhar.
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e a (des) propósito já lá vão uns tempos desde que deixámos de apanhar lula na costa e nunca a nausea me assolou. doces aqueles meses de setembro embalados pelo entardecer partilhado por amigos. nos últimos anos, uma vezes por causa de petróleos derramados outras por desencontros menores, não temos ido e, tenho pena. é que me caíam bem aquelas lulas recheadas e apanhadas por nós. directamente do mar para a boca, sem intermediários (mesmo com a certeza de estar poluído). a ver se este ano a amiga nos ondula os fins de tarde outra vez. e se os meus desejos são mesmo ordens. pois eu desejo uns finais de tarde repetíveis mesmo que nos saia no loto lula escassa e eu me irrite com as esperas e as lanternas. tenho o meu peixinho preparado e o anzol aguçado que o que mais gosto nesta pesca é da limpeza da caçada...

26 de junho de 2007

costurar no masculino











trouxemos dois panos rematados no momento por dois simpáticos costureiros que nos acolheram no seu "atelier". os homens no sul da índia usavam-nas bastante (e eu que não me lembro agora do nome), não precisam de botões colchetes nem molas, no enrolar está o truque para o não desenrolar. são um pano inteiro de algodão rematado. onde fores ter faz como vires fazer. foi o que fizemos.
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e no masculino faziam-se mais coisas que a lavandaria oficial da cidade de bombaim, de onde nos expulsaram por não ser permitido o acesso, escondia muitos em muitos recantos como este, este e este. por cá usava-se ir lavar aos tanques com água corrente e geladinha, sabão puro e corar ao sol, mas em formato lavandaria nunca havia presenciado.
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decidi alternar de vez em quando post's de viagens passadas é que nomeadamente da viagem que fiz à índia há tanto para contar que receio a memória me vá traindo algumas "estórias" que quero reter. e este cérebro já não tem a frescura de outros tempos que as directas queimaram-lhe alguns bocaditos tenho a certeza.

22 de junho de 2007

cor de siza



este, parece-me, o passo de gigante de siza na sua carreira. a fundação ibere camargo, que constroi em porto alegre, no brasil, tem todos os ingredientes para o fazer voar mais uma vez. é uma magnífica obra que suplanta serralves e santiago de compostela. ele farta-se de percorrer as mangas, virtual e fisicamente, que já deve conhecer como as palmas das mãos e que são funcionalmente próximas destas. e eu começo a vê-las por um canudo é que a inauguração, para já marcada para o início de março, aponta-me para uma altura de mobilidade condicionada.
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o museu é um tema relativamente recente na história da arquitectura, solidificaram-se enquanto tipologia no século XVIII mas durante o século XX pulverizaram-se pelo mundo. hoje qualquer cidade rivaliza por um e a maior parte aposta em actividades complementares utilizando (às vezes mais, às vezes menos) vertentes lucrativas.
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ao contrário de serralves e santiago, do mesmo autor, cujo programa era vago e sem coleção própria, a fundação ibere camargo, tem uma coleção alojada de raiz do pintor que lhe dará nome e cuja obra é pouco conhecida pelo menos na europa tendo sido aliás ela própria o mote para a sua construção. ibere camargo morreu em 1994, pertenceu à geração de portinari e deixou uma vasta obra expressionista no brasil. nós já apreciamos o catálogo.
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cá para mim siza misturou num caldeirão oscar niemeyer, lina bo bardi, frank lloid wright e uma bagagem repleta das suas experiências sensoriais ao longo da sua vida umas mais outras menos relacionadas com arquitectura e materializou a obra para o século XXI.
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e eu a vê-la por um canudo.

19 de junho de 2007

da semana

as semanas afinal quantas são? de hoje a uma semana há mais semanas em nós e uma semana mais quanto tempo é? mais quantas semanas faltam para a data recomendada? e de semana em semana chego às férias e das férias chego mais longe e mais umas quantas vem o natal e do natal mais umas semanas para outra etapa. e de etapa em etapa as semanas correm na medida de 7 dias. mais quantos dias são uma semana? 84 dias são 2.016 horas, isso quantas semanas são? a tal da data bate certo. começo a contar minutos na semana e a arrastar e encher segundos de moleza. esta semana deixo a semana correr e o corpo comandar.

17 de junho de 2007

do nome

não conheço neste país nenhuma rua com o meu nome. durante todo o percurso académico soube de mais duas homónimas, uma no preparatório, outra na universidade, porque me (su)(ante) cederam nas pautas nada mais. o mais próximo que tive foi uma professora no último ano do secundário a uma disciplina com a qual não morri de amores. sei que as há e pronto, não se cruzam muito comigo. mas foi em rotterdam na holanda numa viagem em 1999? que fui descobrir que afinal também tenho uma rua! e trouxe-lhe a placa nos registos fotográficos e na memória. já se ia lá de novo confirmar a manutenção do nome na tal placa porque pelos mapas confirma-se. não é um nome florido mas habituei-me a partilha-lo pouco, muito pouco, quase nunca. isso sempre me soube bem, não sei bem a quê. mas bem sabe e sabia.

15 de junho de 2007

14 de junho de 2007

balão



diz a progenitora que os primeiros riscos e sarrabiscos foram balões que se espalharam pelas paredes da primeira casa e em particular por trás da porta da casa de banho. já adulta parece que lhes ganhei medo ao estouro e pelas romarias chateiam-me os pseudo balões que impingem às crianças com os heróis da actualidade e afins. não me lembro mesmo nada da ascendência alguma vez mos ter dado ou de alguma vez os ter pedido. nada tenho contra balões mas aqueles não me convencem. em tempo de santos populares a ver se soltamos o balão.

7 de junho de 2007

a minha bíblia








estes dois volumes são uma relíquia especial que protejo com prazer. esta edição de 1961 do então extinto sindicato nacional dos arquitectos retrata as heranças de um país profundo em equilibradas soluções vernaculares distribuídas em dois volumes dividos em norte e sul. também guardamos a actual reedição de 3 volumes. quando há dúvidas funcionam como bíblias e para já recorremos mais à zona norte porque o país é pequeno mas rico em detalhes populares e a profissionalização é demasiado recente para sair da área de influência. só que captar as entranhas das soluções esplanadas nestes volumes reconheço-lhe poucos e talvez o arquitecto siza seja o mais sublime, é que, precisamos de ultrapassar o imediato e isso não é dose para olhos de qualquer um, tenho de admiti-lo. mesmo para os atentos há descobertas constantes que, cá para mim, só têm paralelismo com as descobertas de criança, que devem ser tão fortes e intensas quanto mágicas. parece-me ser um momento de desbloqueio em que (des)associamos ideias e nos sentimos conquistadores.

5 de junho de 2007

bilros




sabia dos bilros de vila do conde onde já visitei o museu em "sua" honra e sabia dos bilros expostos na feira. ultimamente miúdos e graúdos fazem-no in loco. aprecio-lhes a destreza. em julho, desde há mais de vinte anos (que me lembre), dou sempre um giro à feira que já tem tantos anos quanto eu e calha sempre por altura de eu fazer também mais um. este ano, sem excepção, não me escapa ainda que me pareçam sempre muito repetidas as voltas. mas ao tema feira ainda hei-de voltar. o que eu não sabia é que por cá também havia uma velhinha que mantém uma mini loja de porta aberta a trabalhar. passei, estava ainda fechada mas hei-de voltar para saber mais coisas e perguntar se tem mais galão bordado daquele que lhe espreitei num amontoado tombado na vitrina.
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apesar do amontoado um pequeno quadro encostado na montra retrata o dia a dia desta arte e a placa cá fora é elucidativa.
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joana vasconcelos já andou perto explorarando artisticamente o crochet vou continuar a acompanhar-lhe o trabalho.

iku yamamoto



uma exposição a decorrer na biblioteca municipal florbela espanca até 16 de junho na qual a pintora iku yamamoto a partir de reconhecidos poemas portugueses mostra a arte da caligrafia ideográfica japonesa - o sho. o sho é uma forma de arte minimal milenar que utiliza unicamente duas cores, o preto e o branco.

s.p.t




4 de junho de 2007

sweet home


nascer no monte






de uma escapadela curtinha ao "interior" de viana do castelo, fica a pose de pintainho. parece feliz, terá saltado daqui? mas o que me caía bem era esta brisa, que lindo sling! da água que corre directamente do monte apanha-se a que se pode!
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não esquecer de deixar as batatas ao ar que ainda traziam humidade da terra por terem saído no próprio dia de lá.

1 de junho de 2007

ter sido criança feliz




ter tido vestidos de favos e golas com bordados que não eram comprados e saíram daqui
YYY

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982