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7 de julho de 2020

meia dezena our boys

para lá dos minutos e das horas contadas estejam sempre lá uns para os outros. que sejam sempre uns dos outros. que contem sempre os dias das memórias uns aos outros. que tenham sempre o que vos une no baú do que vos pertence uns aos outros. que cresçam uns com os outros. que se amparem uns aos outros. que se protejam uns aos outros. há uma linha que vos une. agarrem-na. mantenham os nós. façam dela corda que vos segura na escalada. que vos ampara na queda. que vos amortece as tristezas. estejam uns para os outros. até ao dia em que a vossa ascendência não esteja. será uns nos outros que ela permanecerá.

3 de junho de 2020

confinamento rebelde-desconfinamento confinado



























farta de formulários, de diretivas, de planos de contingência. farta de confinamento e desconfinamento. vivia em permanente confinamento imperfeito e em permanente desconfinamento confinado. gosto das praias vazias, de andar contra corrente. gosto da praia fora da época e da praia que ninguém quer dentro da época. gosto de ir onde o ambiente é selecionado por critérios  opostos ao que a expressão define. a quarentena não custa nos moldes globais, custam as mesmas coisas de sempre , não lhes dar mais tempo vazio de paredes e de objetos e de eletrodomésticos e gadgets e ecrãs. a quarentena trouxe uma vontade extemporânea uma vez que o tempo avança a desfavor, ter um bocadinho de terra nos pés 2/3 na semana. de resto confirma-se que o aglomerado que nos invade tem aspetos positivos na socialização que precisam para crescer. há um mundo estranho na envolvente mais infantil que nos espera e que apanha o crucial primeiro triénio do pequeno. até aqui nada de novo, cresce entre irmãos que nem sempre o ensinam a brincar. mas um dia, vai chegar o dia em que tratará por tu o afastamento que ainda não conhece bem. mas foram mais desafios que não nos largaram desde sempre e apesar do agridoce são o que recheia a vida na sua melhor versão. as contra correntes, as estranhas, os desafios. 

1 de junho de 2020

ausente e omnipresente

























estou atrás da câmara. estou em trânsito. a levá-los, a trazê-los. estou a segurar toalhas e merendas e casacos e tpc's. estou ausente, quase omnipresente. invisível, sempre audível. a montar memórias e encontros e contactos e a dar-lhes pessoas. estou cá atrás a vê-los mergulhar, a vê-los crescer. estou cá atrás quase sempre a assistir numa plateia improvisada sempre a tentar recusar o ímpeto de os encher com mais objetos e a navegar em permanência em programas que impliquem sempre ir. fazer caminhos. construir memórias. montar experiências. lançar-lhes tapetes de muitas texturas. podia deixar fluir porque o que for é de qualquer maneira mas esta talvez seja uma espécie de missão. sou ausente e omnipresente e pouco consistente. sou do ir e do vir.

24 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO SEGUNDO DIA
























andamos às apalpadelas a tentar construir rotinas que se mantém desrotinadas ao sabor de espetos que nos lançam de vários lados. lá fora está sol e, apesar da amplitude espacial, ainda não pacifiquei a ideia de que possamos passear cães e não filhos. entraremos na segunda semana adentro num processo de desaceleração relativa por não querer que se entreguem  permanentemente a ecrãs. as férias serão uma espécie de dias em contínuo, espero, com novos ritmos encontrados neste novo registo. o m pedia várias vezes ausências da face aborrecida da escola, matérias repetitivas e pouco estimulantes mas, agora em modo livre, ainda não se libertou num voo solto pela criatividade. o v precisa de ar, pede-o muitas vezes e gosta bastante da vida com ecrãs mas a sua costela mais pragmática funciona bem nas aulas de piano à distância. o x precisa de inputs para largar a caixa que carrega vezes demais ao colo que já manuseia com destreza e de forma autónoma, um perigo. quando lhe abrimos o mundo obviamente adere mas precisa que o conduzam nessa descoberta porque se habituou a caminhar entre muita gente a precisar de coisas na sua estrutura familiar. ontem quando assistiu à canção dos bons dias da sua professora, sentiu-se intimidade e estranho. é o que menos percebe do que se passa. o que quer que se passe não tem dias contados e 2020 irá ser sem dúvida um dos anos mais marcantes da história desta geração. tocaremos esta música com os instrumentos disponíveis a ritmos antagónicos e nem sempre em composições perfeitas. um dia de cada vez. uma hora de cada vez, cada minuto, cada segundo a apalpar um futuro incerto.

14 de março de 2020

QUARENTENA-PRIMEIRO DIA



























Dia 1 é uma maneira de dizer porque entramos mais para dentro numa sexta feira, antes de ser decretado o encerramento das escolas. Por isso o último dia da semana já se fez entre paredes. Deixa-mo-nos estar entregues à ausência de rotina depois de os ter forçado a aceitar ir a uma praia deserta, a nossa praia secreta, a 40 quilómetros de distância. Improvisamos sandes e fizemos pic nic isolados. Mas as decisões pendentes, pressões eminentes, tensões resistentes tinham alarmes ativos, demos- lhes 1 hora a rebolar nas dunas e a recolher godos e pedras para os dias de clausura. Recolhe-mo-nos com os bolsos cheios de vitamina D e de areia. 

13 de fevereiro de 2020

imaginação viral



o vírus que ataca a histeria e traz inspirações a atividades de concentração escolar. material: uma fita rebentada de cartão escolar de segundo ciclo, um texto de opinião reutilizado, imaginação origami.

1 de agosto de 2019

tudo a rolar



























arrancamos em força este querido mês de agosto. não temos outro. as escolas fecham e a gestão fica imperativa e apontada para aqui. são os nossos oitavos de final ou de início ou de paragem ou do que quiserem que seja. munimo-nos de todas as armas necessárias ao desfralde do mais novo e arrancamos viagem sem olhar para trás. 

31 de julho de 2019

no miolo da vida



às vezes lê entrevistas ou historias de vidas cheias, com substancia e profundidade. é tão ordinária que acha que nunca ousaria vivê-las talvez porque farta de exposição sempre desejou a contra corrente, a estrada menos concorrida, a praia mais vazia. atrai-a os bilhetes de identidade como o da maria filomena, as entrevistas biográficas de gente cheia de conteúdo. às vezes esquece-se que tem aventuras e substânica que chegue para preencher uma milésima de conteúdo com substrato. a sua verdade não é a verdade daqueles com quem viveu enquanto floresceu. tem tanto mas tanto deles que todos os dias transbordam as diferenças que os separam. é um contra senso que cheio de sentido quanto a noite e o dia. é o contra senso, esse sentido que tem das coisas contrário às ideias de maioria mas que não ousa gritar nem viver porque, lá está, é ordinária e não extraordinária. básica, sem pejos e sem adornos. adora ir para poder voltar ao canto encolhido do lar onde nem sabe bem onde seja. deixa-se ir na corrente mas os seus olhos brilham na contra corrente. é o tolo do meio da ponte, o que ama o sim e o não e todos os antónimos que existem.

23 de julho de 2019

a urgência de viagens mundanas


eles trocam de atividades a cada semana. eles rodam a casa de amigos na hora de dormir. sobra o pequeno a viajar ainda em voos baixinhos. e as dificuldades que estão a ser as viagens à casa de banho.

20 de julho de 2019

out sider life / in sider growth



A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")

8 de julho de 2019

e quando crescemos em plena quarta década


























sabemos melhor a cada década que passa o que queremos. o que não queremos. o que procurar. o que evitar. para onde fugir. para onde correr. na fonte boa uma hora boa salvou-nos o dia. conjugamos sempre o verbo ir. há sempre um infinito no verbo ir. seja para onde for.

5 de julho de 2019

fomos "almoçar" fora


























é uma das praias "à mão de semear" que mais gostamos. tão vazia em tempo de férias. tão cheia de matéria prima. encravada entre a água doce e a salgada, entre areal dunar e pinhal e sol e sombra. entre mar revolto e poças e rochas e areia fina. dispensamos enfiar as pernas sob uma mesa e dispensamos a musculação de talheres na mão. alimenta-mo-nos desse improviso esvaziado de artefactos. concluímos sempre que bate qualquer refeição saudável porque nos alimenta para lá do óbvio.


4 de julho de 2019

perto que é ir mais longe



pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.

1 de julho de 2019

férias e os mergulhos nos campos, atl´s, atividades e campos de férias



houve anos em que as voltas que a vida nos deu e a volta que demos à vida fizeram com que nos entregássemos uns aos outros de forma mais intensiva. não havia atl´s, nem campos de férias e às vezes nem escola. hoje ainda se tenta atirá-los para o máximo de dias sem. sem orientações, sem atividades de ocupação. sem horas, sem merendas. com o avançar das idades os dias de deriva acabam muitas vezes em mergulhos eletrónicos profundos. são sempre em profundidade já que os eletrónicos criam uma relação difícil com a manutenção do corpo à tona da água. este ano vamos ter um apogeu de ocupações. não há como não aceitar as circunstâncias no tempo verbal a que elas pertencem. as suas memórias serão muito diferentes da geração anterior nem para melhor nem para pior que as memórias de infância hão-de ser sempre memórias doces. porta aberta ao triplo mês das férias escolares. 

25 de junho de 2019

we call home


estamos quase lá. sem encargos e sem fardos. sem obrigações, sem contemplações. a casa dos primos. sem piscina, sem jardim, 



21 de junho de 2019

breadwinner


muito para além dos filmes correntes das salas de cinema e que o poderoso marketing nos impõe, impinge e nos cerca, perco algumas vezes, o tempo que foge entre os dedos, a ir além. além do que nos chega fácil. não precisa ser atual. precisa de encaixar nos muitos parâmetros que fui mentalmente construindo. eles preferem os ligeiros, leves, ou de violência transparente, com os bons e os maus definidos e pouco profundos de exploração emocional. apesar disso qualquer karaté kid se tornou concensual. para além disso o melhor está muitas vezes para além do primeiro clique e praticamente nunca no primeiro piscar de olhos. como o tempo é acelerado guardei o breadwinner nos favoritos porque assim de relance "cheirou-me" encaixar no que está para além do básico. explico-lhes por vezes que os produtos com marketing mais forte são na grande maioria das vezes os de menos qualidade, se há necessidade de investir num produto é, para mim, porque ele tem pouco sumo na sua pureza. nos alimentos fica fácil mostrar-lhes, uma maçã, uma macieira tem a natureza por trás por isso não usa marketing para ser consumida. já os cereais mais recheados de açúcar, os que mais pobreza terão na sua produção, consomem bastante do seu valor em estratégias de venda. a menina que virou menino ganha-pão da família mostrou ser o que estava à espera. ótimos cenários, ótima imagem, ótima história, ótima oportunidade para crianças ocidentais verem para além das suas rotinas. é para maiores de treze anos mas fico muitas vezes na dúvida como os pratos da balança se baralham quando os desenhos animados estão recheados de violência gratuita. 

19 de junho de 2019

três ao cubo


finais de dia colado em mimo a condicionar o olfato de qualquer familiar próximo. vê qualquer desenho animado mesmo que a mãe desanime com o desajuste a que os irmãos o expõe. assiste a teatros, espetáculos, saraus e apresentações de forma exemplar.  nas pequenas explosões caraterísticas da idade não nos acerta com estilhaços porque normalmente, mesmo sem curso superior, levamos um nível de autodidatismo que nos permite contornar as questões em paz até porque o tempo aos dois anos mede outro tempo e as frustrações contornam-se a uma velocidade acelerada. é incontornável o nível a que está exposto a açucares e coisas que não era suposto já explorar, ainda assim, não há gomas, sumos ou chupas. come, veste-se, calça-se e quase toma banho muitas vezes por sua conta. andou sem chupeta uma semana mas fizemos marcha-atrás. fala muito de cuecas mas a mãe nunca mais as compra. verbaliza tudo. discurso direto e indireto. é o nosso condicional a entrar na escola antes de dar as três voltas ao sol. cremos vá ser incondicional a sua adaptação.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982