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4 de julho de 2019

perto que é ir mais longe



pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.

1 de julho de 2019

férias e os mergulhos nos campos, atl´s, atividades e campos de férias



houve anos em que as voltas que a vida nos deu e a volta que demos à vida fizeram com que nos entregássemos uns aos outros de forma mais intensiva. não havia atl´s, nem campos de férias e às vezes nem escola. hoje ainda se tenta atirá-los para o máximo de dias sem. sem orientações, sem atividades de ocupação. sem horas, sem merendas. com o avançar das idades os dias de deriva acabam muitas vezes em mergulhos eletrónicos profundos. são sempre em profundidade já que os eletrónicos criam uma relação difícil com a manutenção do corpo à tona da água. este ano vamos ter um apogeu de ocupações. não há como não aceitar as circunstâncias no tempo verbal a que elas pertencem. as suas memórias serão muito diferentes da geração anterior nem para melhor nem para pior que as memórias de infância hão-de ser sempre memórias doces. porta aberta ao triplo mês das férias escolares. 

13 de junho de 2019

uma dezena de quilómetros serra acima serra abaixo





































mais de quatro quilómetros acima, mais de quatro quilómetros abaixo, um almoço improvisado e o posto de vigia com vista 360º. meio pão do pequeno almoço para cada um, uma banana para o pequeno, leite e umas tostas. almoçamos no restaurante da vila à hora do lanche. abastecemos de mais cerejas e de água do alardo na bica disponível. rodamos o castelo da vizinhança com amigos e voltamos de pés sujos e alma limpa.

12 de junho de 2019

montanha acima, ruído abaixo


à medida que cavalgamos a montanha, à medida que subíamos montanha acima, descia o silêncio neles corpo abaixo. dar-lhes caminho pacifica-os, regula-os, conecta-os. quanto mais os desconectamos mais se conectam. é ligá-los a estas fichas mais vezes. a bateria carrega sem gastar energia.

11 de junho de 2019

o nosso domo feito casulo de hibernação



enfiei-nos num domo onde nos apeteceu hibernar. quase vivemos em metamorfose acelerada depois da excitação inicial. do casulo enroscados, aninhados uns nos outros ao primeiro voo, qual bater de asas a sentir o vento e o céu encaixado na montanha numa primavera tardia e fresca. levem-me os anéis, os presentes de pérolas, as pedras preciosas, os diamantes. dispenso as malas, as peles e muitos gadgets. presenteiem-me com mais dias assim. só assim. com tempo para eles subirem o monte e descerem os decibéis. tão natural quanto a natureza que os envolveu. 

27 de maio de 2019

retalhos de rotinas


as nossas rotinas nunca estagnaram. cumprimos o calendário que a vida nos permite. voámos com asas a sério. damos tiros nos pés. damos tiros para o ar. carregamos filhos e cadilhos e caixotes às costas anos a fio. fazemos rodar rotinas e desregulamos os dias. queixa-mo-nos dos meninos mas sabemos que no fundo são uns bons projetos de gente a crescer. encaixamos tudo, ajusta-mo-nos, apertamos daqui alargamos dali, multiplicamos rotinas dividimos trabalhos. fazemos acontecer: memórias, refeições especiais, atividades, conversas e bocadinhos de serões com eles, sem eles, connosco sem nós, sem um, sem o outro, com tudo. a manta de retalhos cresce colorida. as memórias são quadrados cosidos pousados na velhice. 

30 de abril de 2019

até velhinhos


é uma miúda. tem 3 filhos e viveu em 3 países. teve um namorado durante um década e partilha vivências intensas há uma dúzia de anos. parece que está sempre zangada mas tem o coração serenado e tão agradecido que tem medo que transborde. é daquelas mães insuportáveis que faz saquinhos, lanches e vai a todas as reuniões, conta muitas histórias e gosta de cumprir rotinas. faz muitas macacadas, pendura matéria para estudar nas árvores, canta tabuadas com rimas patéticas mas grita tanto que fica com o coração em trovoada. tem o parceiro melhor deste planeta porque não sabe da vida em outros. desconfia que caminharão até velhinhos, que farão viagens em lista de espera, juntos, mas teve durante muitos anos um sentimento secreto de que as relações podem não durar para sempre e não faz mal. cada vez que olha para o caminho percorrido faz adormecer o sentimento e sorri para o futuro que lembrará ainda mais o passado. chegaram juntos à adolescência da relação, são verdadeiramente uns maduros teenagers. quer muito chegar ao alzheimer a ler a sua própria história de vida, acompanhada por amor. o amor da sua vida. 


1 de fevereiro de 2019

eu tu ele nós vós eles-uma carta ao passado


miuda, vão ser grandiosos aqueles anos. houve muitos dias que parecia que um certo sofrimento ia durar para sempre e isso nunca aconteceu. foste épica nos equilíbrios e nos trapézios. estrebuchaste muito. estrebuchaste tanto que te mantiveste em cima do trapézio. sabes, ás vezes parecias ser duas. tu eras duas pessoas, a certinha, a contida, a calada, a sossegada, a misteriosa, a quase apáticae, na mesma medida, a radical, a provocadora, a refilona, a inquietada, a turbulenta e a sedutora disfarçada. sabes que vais encontrar um par perfeito a anos luz dos vários miúdos a quem deste a mão e com quem jogaste ao quarto escuro assim que os anos teen te rebentaram a bolha. é ele que te vai oferecer de mão beijada os melhores anos e os melhores capítulos que te vão encher as páginas da tua vida. não vai ser a infância a parte doce do teu percurso e nem a adolescência. essa vai te preparar para muito, mesmo muito. não vais ter uma vida pacata, anónima e muito menos amorfa. não vais ter uma vida rotineira, oca, trivial e vulgar. vais ter matéria para rechear muitas páginas e conteúdo para decorar de cores muitas imagens. nada vai ser épico mas tudo terá muito conteúdo. vai ser o género masculino quem mais te fornecerá matéria de escrita. ao teu lado um motor de magia. ele, levar-te-á pelos melhores caminhos que irás percorrer. tranquiliza-te esses dias turbulentos serão uns míseros dias em quantidade. sabes? foram as melhores decisões essas que te trouxeram aqui. podes alternar a manta nas pernas e a lareira acesa com as viagens que ficavam, a cada ano, por fazer, eras uma ambiciosa camuflada, no fundo sabias disso , não sabias? por esses caminhos onde te moves terás ao teu lado o melhor estruturador. quem te vai tirar mais vezes da rotina para além das fronteiras. vai-te levar para fora e vai-te colar ao corpo mais de ti. vai ser a força indescritível e silenciosa que mais paz te trará à vida e mais te vai provar que o caminho é maravilhoso de fazer. demonstrar-te-á que a inteligência se expande. ele vai expandi-la para fora de si próprio. e, naquele dia, sentados no parque da cidade, estavas a transbordar de lucidez. não a percas. por favor. vais achar muitas vezes, quase sempre, que não vai ser para sempre, mas com os anos esse sentimento vai apaziguar-se. parece que te vais apaixonar várias vezes e muitas vezes ao longo dos anos só que vai sempre pela mesma pessoa e pela família que vais construir. os dois, a dois, vão equilibrar a vida no meio do caos. vão correr e voar imenso. vão andar de fios invisíveis atados. vão estar alguns anos numa proximidade afastada e num afastamento próximo mas, longe ou perto, vão permanecer conectados. serão nós cheios de nós atados e uma tribo feita família atrás. vais ter um disco externo sem tetas suficientes para tantos momentos selecionados para brilhar nas memórias. pastas e pastas de registos cheias de vida lá dentro. anos cheios de recheios fotográficos dignos de molduras mas sem caber nelas tamanhas serão as coisas que vão contar as duas dimensões das imagens. vais-te encantar muitas vezes com coisas grandiosas e com miudezas. com um projeto da astrazeneca e com pés pequeninos na areia a uns metros de casa, com meninos numa escola pública inglesa e com palavrôes em livros da sophia.

2 de janeiro de 2019

a sibéria na lousa



levamos os piolhos a passear enquanto víamos o ano acabar assim, à pressa.

30 de dezembro de 2018

segunda pessoa do plural


picam-se, espicaçam-se, amordaçam-se, disputam-se, partilham-se, influenciam-se, estimulam-se, provocam-se, empurram-se, incitam-se, desafiam-se, animam-se, desenvolvem-se. serão sempre um imperativo e no plural.

17 de dezembro de 2018

cantinhos a que hei-de sempre voltar

temos sítios nas cidades por onde passamos onde plantamos memórias. mas, por passarmos muito mais tempo numa, há muitos percursos que fazemos que nem sempre nos devolvem uma espécie de estética de bem estar que ultrapassa várias dimensões e níveis de estar. gosto de os levar a expandir em dois sítios nesta cidade, um com um de horizontes infinitos com uma presença infinita de muitos por de sois e este parque. 

8 de dezembro de 2018

18 de outubro de 2018

numero 2

este és tu cheio de cor. é o que és. focado, determinado, centrado, objetivo. basta-te saber com o que contas e é ver-te ir. finalmente demos-te o que sempre soube que pudesses querer sem saberes. uma única aula parece antever um sentido que tinha no peito. mas és o segundo na fase de abrir portas para te encaixar num mundo que agora tem três. da-mos cambalhotas todos os dias. mas havemos de vos dar o que poderão descobrir que queriam, a cada um, individualizando o mais possível ao que já vão sendo.

12 de outubro de 2018

o terceiro ângulo


às vezes pareces-me o vértice que faltava para passarmos para geometrias de níveis diferentes. às vezes pareces-me um vértice que não sabia que transformava uma linha numa figura geométrica. não sabia que ver-vos em mais quantidade me aumentava este enriquecimento geométrico. talvez soubesse mas não racionalizasse essa hipótese para planos concretos.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982