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26 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO QUARTO DIA
























segunda semana a terminar. dizem que abrimos a fase de mitigação. já ninguém controla quem contamina quem, onde, como e quando avança o contágio. o M voltou a ter dificuldades a adormecer, o V rói mais as unhas do que nunca, o X anda em piruetas no meio do que o envolve a crescer. há um feliz por fazer escola em casa, um a repensar que isto da escola em casa afinal tem o seu lado negativo e outro com os dois pratos da balança sempre em balanço porque quando se é pequenino se criam empatias com quem nos cuida durante algumas horas por dia. os dias tem tido mais ritmo mas muito menos sumo de partilha, afinal estamos sempre lá, na vida uns dos outros. tudo em suspenso. sugam-nos até ao limite e ficamos sempre a perder 3-2.

25 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO TERCEIRO DIA
























ontem tentamos estruturar melhor os trabalhos. não correu mal. vamos cumprir os exercícios tradicionais mas cruzaremos com a introdução de novos paradigmas de estudo. somos capazes, nem todas as famílias o serão, aproveitemos as trocas de aprendizagens entre todos e entre as ferramentas disponíveis de saber, de cultura, de materiais, de criatividade e de tudo o mais que temos ao dispor. escola e família com oportunidade de se meterem na vida uma da outra como nunca e, numa família numerosa, um imperativo. os cumprimentos laborais andam no mesmo nível de toda a gestão e de todas as dimensões da vida. o tele trabalho fora de horas laborais. voltei aqui mas ainda não consegui voltar a uma série de outras coisas em que o eu esteja num outro nível. há mais eles, e os outros. a vida a acontecer e a mandar. há uma lista mental de ideias. um milhão de intenções mas domar meia dezena de seres vivos com vontades próprias e mil emoções à mistura é a mais exigente tarefa dos dias. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele. décimo quarto dia, permiti-mo-nos sair. muniram-se de bicicleta, skate e trotinete. a marginal tem fitas condicionar o estacionamento. esticaram-se na areia o sol deu-lhes alguns beijinhos na pele, não o suficiente para trazerem em vez de areia vitamina D. mas a areia é matéria moldável e o X parou a senti-la. a polícia interpelou-nos. as ordens são manter a circulação. não lhe dissemos que não tínhamos feito nenhuma saída há 14 dias nem para qualquer ida ao supermercado, temos o nosso próprio bunker onde repescamos munições. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele.

24 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO SEGUNDO DIA
























andamos às apalpadelas a tentar construir rotinas que se mantém desrotinadas ao sabor de espetos que nos lançam de vários lados. lá fora está sol e, apesar da amplitude espacial, ainda não pacifiquei a ideia de que possamos passear cães e não filhos. entraremos na segunda semana adentro num processo de desaceleração relativa por não querer que se entreguem  permanentemente a ecrãs. as férias serão uma espécie de dias em contínuo, espero, com novos ritmos encontrados neste novo registo. o m pedia várias vezes ausências da face aborrecida da escola, matérias repetitivas e pouco estimulantes mas, agora em modo livre, ainda não se libertou num voo solto pela criatividade. o v precisa de ar, pede-o muitas vezes e gosta bastante da vida com ecrãs mas a sua costela mais pragmática funciona bem nas aulas de piano à distância. o x precisa de inputs para largar a caixa que carrega vezes demais ao colo que já manuseia com destreza e de forma autónoma, um perigo. quando lhe abrimos o mundo obviamente adere mas precisa que o conduzam nessa descoberta porque se habituou a caminhar entre muita gente a precisar de coisas na sua estrutura familiar. ontem quando assistiu à canção dos bons dias da sua professora, sentiu-se intimidade e estranho. é o que menos percebe do que se passa. o que quer que se passe não tem dias contados e 2020 irá ser sem dúvida um dos anos mais marcantes da história desta geração. tocaremos esta música com os instrumentos disponíveis a ritmos antagónicos e nem sempre em composições perfeitas. um dia de cada vez. uma hora de cada vez, cada minuto, cada segundo a apalpar um futuro incerto.

23 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO PRIMEIRO DIA










acabamos o projeto a que nos propomos. usando a matéria de estudo do meio de terceiro ano e envolver todos. os conceitos estão apreendidos e sem fichas. desenhamos animais usando sombras e assistimos aos vídeos enviados pelas professoras dos mais pequenos.  li-lhes dois capítulos do diário de anne frank enquanto se esticaram junto da janela numa espécie de banhos de bacia em que raios de sol a substituem. almoçamos as sobras de domingo, um frango caseiro com massa. mante-mo-nos a usar os recursos disponíveis e hoje fizemos chapati com chocolate para o lanche, uma bela oportunidade para o pequeno esticar a massa e espalhar farinha por todos os lados. o v aspirou a sala mas ha muitas tarefas por fazer. o pequeno tem usado tempo de mais com ecrã mas o tempo de ecrãs é sempre demais seja ele qual for. relaxo, desvalorizo.

22 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO DIA
























fim de semana entregues a ecrãs. quebra estratégica. mete-mo-nos todos no carro com abandono do habitáculo apenas e só por um adulto a deixar uma caixa de perecíveis na bisavó de noventa anos. quando liguei a dar notícia da caixa foi uma espécie de de natal. chamou-me anjo. outra paragem estratégica para o ÁFRICA MINHA, extenso para aguentar o V e o X. acrescentamos uma espécie de ginástica no arrancar do fim de semana. meia hora de leitura no aconchego de uns raios de sol que entravam pela janela, este nível de jogo acontece quase sempre na base da negociação e / ou imposição mas que seja. muito pouco tele trabalho batido entre um frango caseiro e um crumble. de manha fiz alongamentos e dancei em simultâneo enquanto conversava com a desarrumação da cozinha. aproveitamos recursos, tudo é gerido ao detalhe e a cozinha tornou-se um laboratório permanente, não é nova a gestão da dinâmica de, no mínimo, quatro refeições por dia. o nosso âmago acusa tensão e o pequenino baralhação com grau elevado de presença parental. tentamos ingerir doses pequenas de noticiários para que o tema e as palavras repetidas à exaustão não lhes martelem na cabeça e façam uma espécie de voo rasante temporário ao tema. as alterações de rotina, a presença de muita gestão familiar e os inputs externos são matéria suficiente para que sintam que o momento será marcante na nossa história de vida. o pequeno disse que gostava muito da professora, acusa sinais de saudades, mas gosta muito do pai e da mãe. começará a segunda semana de desafios. ainda não estamos em condições de alterar o paradigma escolar e laboral mas caminhamos a passos largos. em uma semana entram de "férias" seja lá o que isso for e tenha lá que sentido tiver. o diário de anne frank, agora que a diretora de turma do M lhes impôs 4 linhas por dia num diário pessoal, faz todo o sentido. a introduzir fora do horário noturno para não lhes moldar os sonhos.

18 de março de 2020

QUARENTENA - QUINTO DIA
























Consegui trabalhar meia hora entre sopas e coisas. Chamam mãe muitas vezes e a partir de muitos sítios. Não os tenho pressionado com trabalho escolar . Andamos entre uma espécie de férias com uma ficha atrás. Não há mãos a medir para tanta gestão de grupos what’s up, emails da escola. moddle, etc . Nunca estivemos tão agarrados a máquinas e longe da vida. Passamos a vida na troca vazia . Descobri que a minha visão passou a outro nível a quarentena revelou a quarentona em mim, isso e a vista cansada. começo a desfocar a vida, esta vida. Há uma cárie e um lábio aberto. 5 dias em casa e tenho inveja de quem vai passear o cão. Porque sinto que devia ir passear o filhos. Dar lhes ar que também é uma necessidade básica . Vivo em processo pingue-pongue entre a versão hipocondríaca e a versão cavaleiro sem saber bem onde me posicionar . Eles andam para aqui meios perdidos , meios desorientados , a querer dar se à inércia . Não é um mundo novo, tenho dejá vues constantes, já passei por processo semelhante num longínquo inverno. Eram dois e ninguém me impedia de sair. Mas a gestão de necessidades e rotinas de duas crianças entregues unicamente a mim traz-me constantemente memórias. 

15 de março de 2020

QUARENTENA-SEGUNDA DIA

























Fizeram um ringue com fita cola e almofadas a forrar elementos de perigo. Extravasaram energia acumulada mas ainda só passaram dois dias. Decidiram instalar como rotina o sobe e desce dos 5 pisos a que estamos confinados. Estivemos uma meia dezena entre este cenário e filmes e séries e sofá e arena. Rematamos o dia com um esboço da nossa escola em casa em vias de começar. 

25 de julho de 2019

builder son



és o construtor. o que nunca se entedia. o que quer mais horas por dia. o menino dos projetos entalado em atividades. que o martelo Mjölnir te poupe a grandes trovões, relâmpagos e tempestades e a épicas batalhas. que tenhas a proteção da humanidade e uma coleção gigante de pequenos momentos de felicidade. há sempre uma força dentro de nós.

10 de julho de 2019

a passos largos para a terceira volta estar completa


todos os dias pede cuecas mas continua a usar fralda sob pena de termos acidentes em loop. estamos em dead lines em setembro ingressa na escola de todos. descobriu a manga curta e a leveza da roupa de verão. vê desenhos animados inapropriados porque ter irmãos mais velhos não são só coisas positivas. pronuncia tudo na perfeição mas continua a insistir na pamta quando abre garrafas de água.

2 de julho de 2019

o puzzle do tempo ou o tempo de um puzzle



nem sempre o tempo encaixa no tempo que queremos que o tempo tenha. encaixar peças requer tempo essa medida de tempo que parece que corre. o tempo de um puzzle faz nos regressar ao tempo que o tempo deve ter. é um programa que encaixa em tempo de férias onde o tempo deve regressar a essa unidade de medida das rotações e das translações a compassos de ritmos alinhados com a natureza da vida.

21 de junho de 2019

breadwinner


muito para além dos filmes correntes das salas de cinema e que o poderoso marketing nos impõe, impinge e nos cerca, perco algumas vezes, o tempo que foge entre os dedos, a ir além. além do que nos chega fácil. não precisa ser atual. precisa de encaixar nos muitos parâmetros que fui mentalmente construindo. eles preferem os ligeiros, leves, ou de violência transparente, com os bons e os maus definidos e pouco profundos de exploração emocional. apesar disso qualquer karaté kid se tornou concensual. para além disso o melhor está muitas vezes para além do primeiro clique e praticamente nunca no primeiro piscar de olhos. como o tempo é acelerado guardei o breadwinner nos favoritos porque assim de relance "cheirou-me" encaixar no que está para além do básico. explico-lhes por vezes que os produtos com marketing mais forte são na grande maioria das vezes os de menos qualidade, se há necessidade de investir num produto é, para mim, porque ele tem pouco sumo na sua pureza. nos alimentos fica fácil mostrar-lhes, uma maçã, uma macieira tem a natureza por trás por isso não usa marketing para ser consumida. já os cereais mais recheados de açúcar, os que mais pobreza terão na sua produção, consomem bastante do seu valor em estratégias de venda. a menina que virou menino ganha-pão da família mostrou ser o que estava à espera. ótimos cenários, ótima imagem, ótima história, ótima oportunidade para crianças ocidentais verem para além das suas rotinas. é para maiores de treze anos mas fico muitas vezes na dúvida como os pratos da balança se baralham quando os desenhos animados estão recheados de violência gratuita. 

27 de maio de 2019

retalhos de rotinas


as nossas rotinas nunca estagnaram. cumprimos o calendário que a vida nos permite. voámos com asas a sério. damos tiros nos pés. damos tiros para o ar. carregamos filhos e cadilhos e caixotes às costas anos a fio. fazemos rodar rotinas e desregulamos os dias. queixa-mo-nos dos meninos mas sabemos que no fundo são uns bons projetos de gente a crescer. encaixamos tudo, ajusta-mo-nos, apertamos daqui alargamos dali, multiplicamos rotinas dividimos trabalhos. fazemos acontecer: memórias, refeições especiais, atividades, conversas e bocadinhos de serões com eles, sem eles, connosco sem nós, sem um, sem o outro, com tudo. a manta de retalhos cresce colorida. as memórias são quadrados cosidos pousados na velhice. 

25 de abril de 2019

e quando há resistência à sopa



sacamos sempre de truques da cartola. aguarelas, massas para enfiar em fios, plasticinas, picotagens, tesoura e papel, feijões e tudo o que na envolvente próxima se revelar desafio e mostrar algum campo exploratório por desbravar em alternativa aos animados. quando usamos o caminho mais fácil temos ido pela estrada das english super simple songs. 

11 de março de 2019

drive slowly



























balançamos os dias e a vida entre muito aqui e ali. devagarinho separa-mo-nos e junta-mo-nos mais que nunca. num balanço muito nosso. permanentemente conectado com e sem fios visíveis. visitar coal drops yard foi uma espécie de metáfora ou uma espécie de ode a esta nossa vida dos últimos anos. a que eles viveram, a que lhes demos, a que percorremos. 

4 de março de 2019

zoology



a zoologia entrou nas nossas vidas em cambridge pelas mãos do attenborough e porque o pequeno filho que passou para o meio adormecia cedo. ficávamos ali num namoro a três a repousar e a arrumar as mil gavetas abertas com tanta nova informação para gerir. por isso voltar significava sempre passar pelo recente inaugurado museu. neste momento temos tema para a nossa tribo inteira.

3 de março de 2019

a ponte de cam a que nos ligamos







































































chamamos casa. um ir que é voltar. será sempre regressar e temos onde regressar em vários sítios onde fizemos morada e nos entranhou o espírito do lugar. onde mora muita coisa nossa. a casa, a escola, o parque e as rotinas. cambridge está na nossa história.

10 de fevereiro de 2019

amigos fora da rede até que a rede entre na rede




não sabemos que amigos ficarão, quais entrarão, quais sairão. não sabemos que amigos serão os amigos. não sabemos que amigos serão os amigos dos amigos. mas, ele, quer os amigos fechados na mão, aquela meia dezena que também lhe enche a casa e os afetos basilares. fi-los mergulhar numa piscina animada por uma certa ondulação que lhes caracteriza a idade. embalados, baixaram ligeiramente as energias e estiveram bastante tempo offline o que confere um objetivo positivo no século XXI e, que faz ganhar pontos qualquer parentalidade em ação. de todas as festas de inverno em que nos metemos nesta parentalidade em primeiro grau, pareceu-nos a que melhor funcionou. valeu-nos a ajuda e cumplicidade de um nadador salvador oficial do pedaço. não aderimos a modelos de festas com gelatinas e bolos forrados a massa pão e depois o resultado são aventuras num trapézio. desta vez esticamos distâncias sobre rodas o que dá sempre para fazer algum brainstorming e dá também para ouvir os amigos por que caminhos andam a navegar. foram muitas horas de festa e um filho crescido que adora o tempo que o tempo tem mas mais ainda o tempo que por vezes o tempo não tem. mais do que as prendas é do tempo de ser e do tempo de estar que ele reclama e deverá ter sido a melhor prenda que teve: o tempo que lhe demos mais o tempo distendido ao limite com os amigos. por isso não reclamou de nenhuma prenda nossa porque lhe chegou o tempo que lhe demos embrulhado em mais tempo. deixamos tudo em stand by para que o mergulho em casa tivesse pé. pedimos ajuda parental o que fez prolongar tempo ao tempo de estar. nosso primeiro amor espero que este presente cheio de tempo tenha transbordado na gaveta das tuas expectativas.

30 de dezembro de 2018

contar com contas nas férias



continuo sem aversão nem amor aos trabalhos para casa. às vezes dão-nos momentos maravilhosos, outras vezes tensos, outras vezes magistrais oportunidades de reinventarmos momentos construídos em conjunto, outras vezes imersões no mundo que nos rodeia a partir do mundo pequenino que nos envolve que é a família. vinha escrito no caderno treino de tabuadas e lá continuaram as letras abandonadas a marinar. mas eis que uma comunhão de acasos cruzou um momento em que tropeçamos num jogo com apenas dois filhos em casa e um jantar requentado e foi o apogeu de um momento de partilha que misturou trabalho, jogo, prazer, convívio à mistura e paz. e ali ficamos a montar a tabela e a fazer saltar números. 

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982