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14 de setembro de 2020

"pontapé e fé em deus"














é o pontapé de saída. inicio de um estranho ano letivo. a dinâmica muda. retirada de ecrãs com reclamações que se contagiam. ao segundo dia o miolo da nossa vida brindou-nos com mozart no piano.  numa espécie celebração do madrugar. o mini tentava cantar o som que lhes lancei já que agora a magia da roda das canções na escola está extinta por causa dos covids. a escola a implementar razoabilidade. a vida a recomeçar no balanço delicioso das rotinas que nos orientam os dias e nos ritmam os convívios. daqui a uns meses desejaremos a anarquia de estarmos juntos, o ir daqui para fora, o estar de calções e uma tshirt. nada de novo. é sempre neste balanço dos opostos que nos alimentamos. pré escolar. primeiro ciclo. segundo ciclo. tudo a espalhar-se em novos desafios. e esta retaguarda que nos sabe a sobremesa. farta de gel desinfetante e do espírito ameaçador de noticias superficiais. farta de números sem historia e de previsões do futuro próximo. 

3 de junho de 2020

confinamento rebelde-desconfinamento confinado



























farta de formulários, de diretivas, de planos de contingência. farta de confinamento e desconfinamento. vivia em permanente confinamento imperfeito e em permanente desconfinamento confinado. gosto das praias vazias, de andar contra corrente. gosto da praia fora da época e da praia que ninguém quer dentro da época. gosto de ir onde o ambiente é selecionado por critérios  opostos ao que a expressão define. a quarentena não custa nos moldes globais, custam as mesmas coisas de sempre , não lhes dar mais tempo vazio de paredes e de objetos e de eletrodomésticos e gadgets e ecrãs. a quarentena trouxe uma vontade extemporânea uma vez que o tempo avança a desfavor, ter um bocadinho de terra nos pés 2/3 na semana. de resto confirma-se que o aglomerado que nos invade tem aspetos positivos na socialização que precisam para crescer. há um mundo estranho na envolvente mais infantil que nos espera e que apanha o crucial primeiro triénio do pequeno. até aqui nada de novo, cresce entre irmãos que nem sempre o ensinam a brincar. mas um dia, vai chegar o dia em que tratará por tu o afastamento que ainda não conhece bem. mas foram mais desafios que não nos largaram desde sempre e apesar do agridoce são o que recheia a vida na sua melhor versão. as contra correntes, as estranhas, os desafios. 

20 de julho de 2019

out sider life / in sider growth



A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")

8 de julho de 2019

e quando crescemos em plena quarta década


























sabemos melhor a cada década que passa o que queremos. o que não queremos. o que procurar. o que evitar. para onde fugir. para onde correr. na fonte boa uma hora boa salvou-nos o dia. conjugamos sempre o verbo ir. há sempre um infinito no verbo ir. seja para onde for.

25 de junho de 2019

we call home


estamos quase lá. sem encargos e sem fardos. sem obrigações, sem contemplações. a casa dos primos. sem piscina, sem jardim, 



11 de agosto de 2018

praia norte



a lista de ires aos solavancos ficou este ano muito aquém do espectável mesmo com roteiros ao virar da esquina. agora que arranca um novo ano letivo cheio de rotinas estranguladoras hei-de deixá-los afixados na porta todos os ires por ir a ver se vamos.

19 de maio de 2018

2 de abril de 2018

1 de janeiro de 2018

querido 2017



estamos imensamente gratos. estamos gratos por todos os dias intensos de 2017, todas as viagens, todas as idas e voltas. estamos imensamente gratos por chegarmos aqui a esta manha, a este condensado de duas horas. a este concentrado com toda a fruta que qeremos degustar muitas vezes. nem sempre precisamos de ir muito para longe, nem no espaço nem no tempo e nem muito para longe de nós. basta estarmos perto, assim, com ar na cara e alguns amigos que são a família que escolhemos.

31 de dezembro de 2017

boa noite 2017



começámos o ano a usar os vales que, entre tantas outras distrações a que as crianças do século xxi estão sujeitas, foram largados num canto. cabe-nos ser orientadores e puxar o essencial abafando o supérfluo que inevitavelmente acumulamos. em 2018 volto a repetir em loop menos ter e mais viver. menos objetos e mais memórias. vale número 1-dormir com amigos-checked.

29 de outubro de 2017

objetos



brincar entre objetos em desuso, no meio de gigantes de outras vidas num museu chamado quase de lixo.

28 de outubro de 2017

viva a praia de outono


























viva praias vazias, viva praia de outono,

30 de setembro de 2017

o nosso pinhal


voltamos atestados de oxigénio, de areia nos bolsos, de saltos nas dunas, de muitos paus e de cabelos desalinhados. 

5 de setembro de 2016

dar alimento




às memórias do passado lá num futuro mais à frente....

4 de setembro de 2016

do nosso pinhal



teremos sempre o nosso pinhal, este que nos faz sair, rebolar dunas e recolher muitos paus.

2 de setembro de 2016

acabaram as férias





























desmembrados em dias soltos cheios dos seus pares, crianças soltas em descompressão.

1 de setembro de 2016

a nossa praia secreta





 























juntamos 6 meninos e meninas à praia dos nossos refúgios secretos, cheia de matéria animada e inanimada para explorar, escorregas, godos repletos de padrões, simetrias e espirais. construímos um guarda sol que nos guardou do sol, afiamos ardósia até termos facas, dispusemos placas de pedra até termos mesas e prolongamos o tempo.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982