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22 de setembro de 2020

memórias de verão




estão a construir as suas memórias de verão com os filhos de amigos a quem chamam primos, a extensão das primas e primos em vários graus no papel e em primeiro grau na relação. há uma rede de espaços e contactos recorrente que as sedimenta e que as enche de confetis. usamos a envolvente e os recursos mais à mão, encaixamo-los em rotinas fora de rotinas recorrentes.  alimentamos o levar e o trazer, o ir e o vir, há sempre no backstage pelo menos um adulto a fazer a manutenção da combinação de várias idades e a promover o estar. têm a escola do primeiro ciclo a uni-los a todos, com cores e memórias de rotinas que reconhecem e será sempre um tema mesmo quando no desfasamento do crescimento se dispersarem por ai. hão de voltar. hão de se voltar a reunir em encontros e desencontros e confrontos de ser e estar. acabou o verão mas enquanto a metereologia entra em modo montanha russa e nos vier brindar com dias de picos amistosos faremos por encher ainda mais o saco. há dias que já quase se sente o natal a chegar, outros em que sentimos a água mais amena que nunca. todos os dias saem novos números a parecer um totoloto recorrente mas vemos poucos noticiários e alheamo-nos um pouco do bombardeamento de um tema com o qual temos de conviver.
 

15 de setembro de 2020

distanciamento mental














esta natureza que carrego continua a recusar-se a entrar numa espécie de histeria coletiva. há desafios gigantes em contaminações próximas mas há cá dentro uma espécie de repulsa em reconhecer o não óbvio. atrai-me, atraiu sempre, o distanciamento social, viva às praias vazias de outono, atrai-me o ninho com os meus se o balançar com inputs muito esporádicos de convívios selecionados a dedo. atrai-me a contenção, atrai-me o convívio faccionado, atrai-me o contacto distanciado, atrai-me o silencio. mas não vivo em calmia se estas crianças não brincarem em liberdade e não casarem o corpo e a mente. se não conviverem com os pares, se não desenvolverem interação mesmo que reduzam substancialmente o número de contactos. que este ano nos traga nada mais que viroses ligeiras e a prova de que o mundo continua igual.

14 de setembro de 2020

"pontapé e fé em deus"














é o pontapé de saída. inicio de um estranho ano letivo. a dinâmica muda. retirada de ecrãs com reclamações que se contagiam. ao segundo dia o miolo da nossa vida brindou-nos com mozart no piano.  numa espécie celebração do madrugar. o mini tentava cantar o som que lhes lancei já que agora a magia da roda das canções na escola está extinta por causa dos covids. a escola a implementar razoabilidade. a vida a recomeçar no balanço delicioso das rotinas que nos orientam os dias e nos ritmam os convívios. daqui a uns meses desejaremos a anarquia de estarmos juntos, o ir daqui para fora, o estar de calções e uma tshirt. nada de novo. é sempre neste balanço dos opostos que nos alimentamos. pré escolar. primeiro ciclo. segundo ciclo. tudo a espalhar-se em novos desafios. e esta retaguarda que nos sabe a sobremesa. farta de gel desinfetante e do espírito ameaçador de noticias superficiais. farta de números sem historia e de previsões do futuro próximo. 

3 de junho de 2020

confinamento rebelde-desconfinamento confinado



























farta de formulários, de diretivas, de planos de contingência. farta de confinamento e desconfinamento. vivia em permanente confinamento imperfeito e em permanente desconfinamento confinado. gosto das praias vazias, de andar contra corrente. gosto da praia fora da época e da praia que ninguém quer dentro da época. gosto de ir onde o ambiente é selecionado por critérios  opostos ao que a expressão define. a quarentena não custa nos moldes globais, custam as mesmas coisas de sempre , não lhes dar mais tempo vazio de paredes e de objetos e de eletrodomésticos e gadgets e ecrãs. a quarentena trouxe uma vontade extemporânea uma vez que o tempo avança a desfavor, ter um bocadinho de terra nos pés 2/3 na semana. de resto confirma-se que o aglomerado que nos invade tem aspetos positivos na socialização que precisam para crescer. há um mundo estranho na envolvente mais infantil que nos espera e que apanha o crucial primeiro triénio do pequeno. até aqui nada de novo, cresce entre irmãos que nem sempre o ensinam a brincar. mas um dia, vai chegar o dia em que tratará por tu o afastamento que ainda não conhece bem. mas foram mais desafios que não nos largaram desde sempre e apesar do agridoce são o que recheia a vida na sua melhor versão. as contra correntes, as estranhas, os desafios. 

14 de março de 2020

QUARENTENA-PRIMEIRO DIA



























Dia 1 é uma maneira de dizer porque entramos mais para dentro numa sexta feira, antes de ser decretado o encerramento das escolas. Por isso o último dia da semana já se fez entre paredes. Deixa-mo-nos estar entregues à ausência de rotina depois de os ter forçado a aceitar ir a uma praia deserta, a nossa praia secreta, a 40 quilómetros de distância. Improvisamos sandes e fizemos pic nic isolados. Mas as decisões pendentes, pressões eminentes, tensões resistentes tinham alarmes ativos, demos- lhes 1 hora a rebolar nas dunas e a recolher godos e pedras para os dias de clausura. Recolhe-mo-nos com os bolsos cheios de vitamina D e de areia. 

13 de setembro de 2019

regresso às rotinas espartilho


és um obreiro mas para ti a boa vida é uma vida boa. apanhavas sempre esse barco das férias. não és saudoso nem das atividades extra que não queres deixar, nem do cheiro a cadernos novos, apesar de zeloso com tudo o que é material. guardas esses medos abafados a ganhar bafio e quando te soltas é a roçar pequenas explosões. sabes ser o estereótipo do irmão mais velho, zeloso, atencioso, cuidador. sabes ser o engenhocas tipo doutor pardal. manuseias à vontade o x ato e o cartão, as dobragens e os origamis, as cores e o preto no branco. escorregas na leitura e deixas-te ir com todos os apesares. tens na eminência de começar o último ano nesta escola de transição. caminhas a passos largos nas areias movediças da pré adolescência por isso te tolero algumas explosões. desafio-te para este ano a conteres as maçadas das professoras e das disciplinas mais maçadoras.

27 de agosto de 2019

picardia ao rubro



este foi ano do " dão-se como irmãos". o beliscão, a gestão dos desenhos animados, até a sedução da relação com o pequeno irmão. o apogeu da vossa relação de irmãos, o desequilíbrio esporádico do "não chego para todos". mas no fundo vocês sabem que eu sei que o cordão invisível que vos une está lá. haja o que houver.

14 de julho de 2019

pés nas pedras



há sempre pedras no caminho são elas que trazem beleza à natureza dos caminhos.

8 de julho de 2019

e quando crescemos em plena quarta década


























sabemos melhor a cada década que passa o que queremos. o que não queremos. o que procurar. o que evitar. para onde fugir. para onde correr. na fonte boa uma hora boa salvou-nos o dia. conjugamos sempre o verbo ir. há sempre um infinito no verbo ir. seja para onde for.

5 de julho de 2019

fomos "almoçar" fora


























é uma das praias "à mão de semear" que mais gostamos. tão vazia em tempo de férias. tão cheia de matéria prima. encravada entre a água doce e a salgada, entre areal dunar e pinhal e sol e sombra. entre mar revolto e poças e rochas e areia fina. dispensamos enfiar as pernas sob uma mesa e dispensamos a musculação de talheres na mão. alimenta-mo-nos desse improviso esvaziado de artefactos. concluímos sempre que bate qualquer refeição saudável porque nos alimenta para lá do óbvio.


4 de julho de 2019

perto que é ir mais longe



pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.

30 de abril de 2019

até velhinhos


é uma miúda. tem 3 filhos e viveu em 3 países. teve um namorado durante um década e partilha vivências intensas há uma dúzia de anos. parece que está sempre zangada mas tem o coração serenado e tão agradecido que tem medo que transborde. é daquelas mães insuportáveis que faz saquinhos, lanches e vai a todas as reuniões, conta muitas histórias e gosta de cumprir rotinas. faz muitas macacadas, pendura matéria para estudar nas árvores, canta tabuadas com rimas patéticas mas grita tanto que fica com o coração em trovoada. tem o parceiro melhor deste planeta porque não sabe da vida em outros. desconfia que caminharão até velhinhos, que farão viagens em lista de espera, juntos, mas teve durante muitos anos um sentimento secreto de que as relações podem não durar para sempre e não faz mal. cada vez que olha para o caminho percorrido faz adormecer o sentimento e sorri para o futuro que lembrará ainda mais o passado. chegaram juntos à adolescência da relação, são verdadeiramente uns maduros teenagers. quer muito chegar ao alzheimer a ler a sua própria história de vida, acompanhada por amor. o amor da sua vida. 


20 de abril de 2019

atividades extracurriculares


atividades extracurriculares perfeitas são inatividades ativas

19 de abril de 2019

30 de dezembro de 2018

segunda pessoa do plural


picam-se, espicaçam-se, amordaçam-se, disputam-se, partilham-se, influenciam-se, estimulam-se, provocam-se, empurram-se, incitam-se, desafiam-se, animam-se, desenvolvem-se. serão sempre um imperativo e no plural.

29 de dezembro de 2018

our star grows every day



a mãe lança as armaduras, leva os lanches, agenda os dias, traça trilhos, monta cenários, mete chão, espalha bases, faz rebolar rotinas, monitoriza recheios de mochilas, de recados, de agendas de tarefas, lança histórias lidas, palavras e rimas, lança sementes e raizes que o pai rega e transforma em magia, dá-lhes céu, dá-lhes corpo, espalha momentos, concebe as melhores vivências, os mais descontraídos ensinamentos, as mais importantes referências, as mais espetaculares idas, o mais especial equilíbrio, a mais mágica maturidade emocional. põe o nosso edifício todo em pé. a mãe observa muitas vezes de fora.  nesta estrutura já não importam os remates porque interessa o miolo, o espaço, o dentro, o conteúdo. está lá um poema seja qual for a última frase é só nesta meia dezena que o poema ganha voz. e, um dia, quando a mãe e o pai forem de novo dueto num bis ensurdecedor recordarão, de mãos dadas, os caminhos rasgados com uma dezena de pés a fazer pégadas. o recheio que transborda dos punhos fechados enquanto se lançam, mais devagar, a  fazer mais caminho e a visitar o infinito mundo que haverá por espreitar.






eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982