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23 de junho de 2022

eleven-eleve












queria metade da tua confiança. uma competência tão sedutora que se teoriza como alcançá-la. foi uma das caraterísticas reconhecidas desde cedo na tua ascendência. quando eras metade esbarrávamos porque tinhas quereres com letra maiúscula. hoje sabes ir procurar palavras para fazer fusão, essa beleza de palavra que traduz a passagem do estado sólido para o estado líquido. isso funde-nos numa relação sólida que tem tanta abstração como o estado gasoso da matéria. continuas a nossa abelha a espalhar pólen onde passa, a espicaçar a envolvente próxima e a fazer tremer quem não aceita a natureza do que nos é intrínseco. às vezes falhamos porque te castramos impulsos do que te vem das entranhas mas sabemos lá no fundo que o problema está em nós. não sabemos bem que questões vais ter para resolver muito lá para a frente. daquelas internas e que se guardam nas profundezas. sabemos contudo que enquanto saltitares e fores vendo o mundo a fazer o pino vais sacudindo as questões que te vão caindo em cima. tens certeza das tuas dúvidas. tens certeza daquilo que ainda vais conquistar. conquistas até imensa arte abstrata que imprimes em ti cada vez que existem molhos e sumos coloridos para te nutrir. és uma explosão de vida. extravasas. és a extroversão inata. e para comemorar haja bolo de manga da prima n.

14 de setembro de 2020

"pontapé e fé em deus"














é o pontapé de saída. inicio de um estranho ano letivo. a dinâmica muda. retirada de ecrãs com reclamações que se contagiam. ao segundo dia o miolo da nossa vida brindou-nos com mozart no piano.  numa espécie celebração do madrugar. o mini tentava cantar o som que lhes lancei já que agora a magia da roda das canções na escola está extinta por causa dos covids. a escola a implementar razoabilidade. a vida a recomeçar no balanço delicioso das rotinas que nos orientam os dias e nos ritmam os convívios. daqui a uns meses desejaremos a anarquia de estarmos juntos, o ir daqui para fora, o estar de calções e uma tshirt. nada de novo. é sempre neste balanço dos opostos que nos alimentamos. pré escolar. primeiro ciclo. segundo ciclo. tudo a espalhar-se em novos desafios. e esta retaguarda que nos sabe a sobremesa. farta de gel desinfetante e do espírito ameaçador de noticias superficiais. farta de números sem historia e de previsões do futuro próximo. 

23 de junho de 2020

9 meses dentro 9 anos de fora



és a nossa pulga elétrica, a nossa abelha de zumbido fácil, o nosso pica pau, o nosso recheio sempre a transbordar, o nosso pincha. a nossa melhor tradução do que significa ensino à distância. zero. sem conexão não há educação, sem presença temos uma espécie de informação no ar a divagar, sem estímulo, sem desafio, sem comparação, sem pares, sem recreio, sem dentro e fora, não há COM. é tudo sem. fizeste 9 anos em pleno desconfinamento. escolheste 3 amigos que composemos com as nossas 3 amigas e mais 3 primos a festa foi perfeita. uma quinta da conceição quase só para nós. o tempo que nos demos, o improviso, a bola nos pés que tanto ansiavas. as corridas, o ar puro, o estar ali. o teu sorriso de satisfação. guarda sempre essa persistência que nos quase enlouquece, guarda sempre essa certeza dos quereres, guarda sempre essa energia sem fim, essa alegria, guarda sempre essa vontade de interação que te invade o corpo e usa-a no teu caminho, nas melhores escolhas, nas melhores experimentações. embora nos queixemos que por vezes nos canse é ela que te faz único e os outros, os outros já existem. queremos-te assim em versão original e única.

18 de março de 2020

o interior do miolo do que fica no meio de tudo



usam as mesmas mochilas desde sempre, não concebemos uma a cada ano. gerimos a otimização de tudo incluindo roupas e rotatividades. apuramos técnicas de fazer malas e arrumar roupa que já não largamos. fazemos rolinhos para tudo que encaixam nas paletas que construímos. mas há um elemento desligado, desfocado, não pede mundos nem fundos, aproveita os materiais até se reduzirem ao centímetro mas deixa tudo num estado lastimoso. há na natureza naturezas diferentes.

13 de fevereiro de 2020

imaginação viral



o vírus que ataca a histeria e traz inspirações a atividades de concentração escolar. material: uma fita rebentada de cartão escolar de segundo ciclo, um texto de opinião reutilizado, imaginação origami.

2 de dezembro de 2019

do que conta para a história das memórias






























às vezes conversamos sobra a nossa história, as vossas memórias e as vivências individuais e coletivas. a vossa infância é única, especial e muito vossa, fruto da construção desta família que começou neste pai e nesta mãe. a cada um dos vossos nascimentos há coladas histórias a marcarem o percurso de todos. M fruto do museu ibere início dourado da vida laboral, da vida familiar, do trabalho emancipado num escritório, V fruto da crise instalada e início dos nossos vai e vens enquanto família, a emigraçao ao rubro, as viagens, o mundo aberto, dois paises a fazer de lar, presenças nas ausencias, ausencias nas presenças, um ano na s mathews school. X fruto dos regressos, das reconstruções, das reinvenções mais e menos duras, fecho de ciclo. fruto de um ciclo. 

27 de agosto de 2019

picardia ao rubro



este foi ano do " dão-se como irmãos". o beliscão, a gestão dos desenhos animados, até a sedução da relação com o pequeno irmão. o apogeu da vossa relação de irmãos, o desequilíbrio esporádico do "não chego para todos". mas no fundo vocês sabem que eu sei que o cordão invisível que vos une está lá. haja o que houver.

23 de julho de 2019

a urgência de viagens mundanas


eles trocam de atividades a cada semana. eles rodam a casa de amigos na hora de dormir. sobra o pequeno a viajar ainda em voos baixinhos. e as dificuldades que estão a ser as viagens à casa de banho.

20 de julho de 2019

out sider life / in sider growth



A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")

18 de julho de 2019

lutas sem som

as disputas territoriais são a orquestra dos dias, detesto mediar conflitos que envolvam física quântica. sabem ser ruidosos. nada de novo. eles conhecem-se e conhecem os calcanhares de Aquiles, sabem que torções de tornozelos fazer-se. noutro dia enquanto o pequeno caía no sono ficaram a prolongar-se no jogo do rodopio entre quartos. cumpriram o nível de som a roçar o silêncio. foram apanhados encavalitados e afirmaram tratar-se de um luta sem som.

11 de julho de 2019

histórias aos quadradinhos



quando lhe púnhamos picotagem na frente mostrava impaciência, enfado e fazia-o a despachar, sem entusiasmo. fomos catalogando a coisa assim: gestão de paciência para tarefas demoradas num nível baixo. mas as gavetas onde enfiamos características de pessoas a crescer não são caixas estanque, amovíveis, impenetráveis, bloqueadas. quando na escola lhe abriram este espectro da pintura de quadrados levou-a ao infinito, explorando com sapiência, paciência e empenho a tarefa de não descansar enquanto toda a folha não estivesse preenchida. abram gavetas, não deixem nada com aloquete e não cataloguemos os meninos que o crescimento é barro que se molda para sempre.

8 de julho de 2019

e quando crescemos em plena quarta década


























sabemos melhor a cada década que passa o que queremos. o que não queremos. o que procurar. o que evitar. para onde fugir. para onde correr. na fonte boa uma hora boa salvou-nos o dia. conjugamos sempre o verbo ir. há sempre um infinito no verbo ir. seja para onde for.

5 de julho de 2019

fomos "almoçar" fora


























é uma das praias "à mão de semear" que mais gostamos. tão vazia em tempo de férias. tão cheia de matéria prima. encravada entre a água doce e a salgada, entre areal dunar e pinhal e sol e sombra. entre mar revolto e poças e rochas e areia fina. dispensamos enfiar as pernas sob uma mesa e dispensamos a musculação de talheres na mão. alimenta-mo-nos desse improviso esvaziado de artefactos. concluímos sempre que bate qualquer refeição saudável porque nos alimenta para lá do óbvio.


4 de julho de 2019

perto que é ir mais longe



pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.

2 de julho de 2019

o puzzle do tempo ou o tempo de um puzzle



nem sempre o tempo encaixa no tempo que queremos que o tempo tenha. encaixar peças requer tempo essa medida de tempo que parece que corre. o tempo de um puzzle faz nos regressar ao tempo que o tempo deve ter. é um programa que encaixa em tempo de férias onde o tempo deve regressar a essa unidade de medida das rotações e das translações a compassos de ritmos alinhados com a natureza da vida.

1 de julho de 2019

férias e os mergulhos nos campos, atl´s, atividades e campos de férias



houve anos em que as voltas que a vida nos deu e a volta que demos à vida fizeram com que nos entregássemos uns aos outros de forma mais intensiva. não havia atl´s, nem campos de férias e às vezes nem escola. hoje ainda se tenta atirá-los para o máximo de dias sem. sem orientações, sem atividades de ocupação. sem horas, sem merendas. com o avançar das idades os dias de deriva acabam muitas vezes em mergulhos eletrónicos profundos. são sempre em profundidade já que os eletrónicos criam uma relação difícil com a manutenção do corpo à tona da água. este ano vamos ter um apogeu de ocupações. não há como não aceitar as circunstâncias no tempo verbal a que elas pertencem. as suas memórias serão muito diferentes da geração anterior nem para melhor nem para pior que as memórias de infância hão-de ser sempre memórias doces. porta aberta ao triplo mês das férias escolares. 

25 de junho de 2019

oito no ponto de biscoito


fazemos sempre muita festa. prolongamos a festa. repetimos a festa. no parque, na escola, em casa, nas garagens da tradição. criamos a tradição dos legos da festa e dos animais em festa. 

23 de junho de 2019

oito, ponto de biscoito



minha abelhinha doce e de zumbido fácil. sorris para a vida. és meloso e por vezes muito melodioso. és um brother que se importa com os seus "others". provocador nato. perspicaz inato. és o nosso novo pincha cheio de energia. és o nosso foguete direcionado, focado, objetivo. és tão desafiador quanto auto desafiado inato. até parece que herdaste uma costela que até sei de onde. treinas, treinas-te, focas-te. impões-te objetivos. melhoras-te. nivelas-te. encaixas-te. gostas dos patamares. gostas de te superar. de subir degraus qualquer que seja a área. ensaias remates e fintas, decalcas desenhos e sobes o nível arriscando desenhos por observação sem decalque, fazes rodas e pinos e queres avançar para mortais, pedes contas no supermatik e nos jogos de matemática que a mãe instala nos gadgets e que ficam abandonados. sabes os degraus que queres subir, os que podes ainda subir, os degraus que já subiste sem esforço e os que não vale a pena investir. já lá estás. oito anos. 

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982