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13 de novembro de 2023

eXtra boy





 











rudolf steiner terá dito que a vida rola em setênios. encerras o teu primeiro a navegar arrastado por muitos mundos diferentes à custa do ninho recheado que te recebeu. solidificas alicerces e raízes ramificadas num quarteto que te ampara e, às vezes,  interfere no campo das tuas explorações. entras em negociações como diplomata aprendiz. sabemos da tua escassez de exclusividade e das tuas estratégicas muletas que repiscas a cada manhã numa casa recheada de vivências e de objetos de mais infâncias antes da tua. puxas um ligeiro drama nos quereres por saberes do atrofiamento da disponibilidade parental na gestão do tempo e do espaço. fechas este ciclo tão teu e nós um outro ciclo tão pouco nosso. a cada setênio temos dado voltas à vida que nos trazem muitas vivências. um imbróglio de desrotinas  e um monte de novidades. no meio delas vieste safar-te à grande. dás mergulhos e saltos em camas elásticas em pequenos mortais, lês e safas te a escrever sem ninguém perceber que poderias ser o chamado condicional. espalhas-te em açúcar e em séries muito mais do que devias e esta culpa tento não carregar. sabes dos ciclos que tens pela frente, das conversas e negociações e vais-te aproximando e afastando do irmão que mais te convém já que há sempre mais um para além do pas de deux a que te associes. foi um dia em cheio encravado entre o dia real e o dia em que na verdade ias nascer já que te programamos sem nada programar. parabéns eXtra boy 

13 de novembro de 2022

meia dúzia da nossa meia dezena mais pequena


metemo-nos no avião e voltamos a fazer a viagem. aviões e viagens repetidas são parte do nosso this is us. ainda apertas o nariz para mergulhar ao teu lado. ainda arrastas "muletas" para todo o lado. andas sempre literalmente à caça de objetos novidade que te amparem uma espécie de bem estar social mas vais com tudo. vais com confiança. agarras a tua vida. e vais te safando no meio de tanta gente. queres três filhos na tua vida. ser professor de ginástica ou de qualquer outra coisa. ter uma namorada que nem te trate mal nem te chateie e te ajude a fazer as coisas. chamamos coisas a bens e valores, ao que existe mas poderemos não saber bem nomear. real ou abstrato. encaixarei nessa referência feminina numa casa tão masculina numa transferência milionária entre o ver para o querer? amanhã outra coisa qualquer diferente surgirá porque ninguém é sempre a mesma coisa. e podemos sempre ser mais outras coisas para além daquilo que somos, para além daquilo que achamos que somos. para além daquilo que acham que somos. para além daquilo que fomos. não te esqueças de conjugar os verbos todos, os pretéritos nos futuros. são meia dúzia de translações, mais de 2 mil rotações, como não ficar tonto com tanta volta? mesmo sem a dedicação, a disponibilidade e a entrega de uma primeira viagem continuamos a descobrir um mundo novo de combinações. vais atrás das competências físicas dos teus irmãos, uma referência constante nos teus dias. superas-te como se carregasses em cima mais meia dúzia de anos. tens muita gente para te amparar a queda e também muita gente a chutar opiniões aos desafios que te pertencem por isso temos aproveitado aqueles bocadinhos de filho único em que quase jantas sozinho num exercício de exclusividade total. aí redimo me de uma espécie de incompetência que passei a exercer por haver três canais com necessidades de sintonização em frequências diferentes.

parabens x boy

18 de setembro de 2020

2020 da sorte que temos

 


temos sorte. no meio do caos. temos sorte. no meio do incerto. 2020 é o ano mágico. a ficar nas memórias deles. a ficar nas páginas dos livros. temos sorte porque é nos desafios que mais crescemos. temos sorte porque eles vão ganhar com a vida não ser sempre facilitada. temos sorte porque as experiências com desafios nos reportam mais consistência. temos sorte. mais sorte temos com as escolas deles. as medidas não nos assustaram no pré escolar. estão centradas num compromisso entre ser criança e adaptação a um vírus novo, as medidas estão a ser razoáveis no primeiro ciclo, há bola e corrida e ar livre. o segundo ciclo avança hoje e a apresentação da diretora de turma numa sala com pais arrancou com tudo menos só covid. acabou nas contingências desta vida mas foi mais para além disso. toda a comunidade a apalpar terrenos, tudo a encarar desafios. tudo a minimizar impactos foi o que sentimos. havia silêncio entre os pais e pouca agitação e é essa a mensagem que nos tem de pairar no sótão. quando a vida nos põe questões e desafios, temos sorte. porque a vida não é uma linha reta perfeita e quanto mais curvas mais ginástica mental ganhamos para a viver. temos sorte porque esta geração vai ganhar vida, profundidade, vivências marcantes que lhes aportarão material valioso. temos sorte porque o covid nos pôs a pensar mais e em mais coisas. temos sorte porque tomamos consciência do quão valioso são coisas pequenas. temos sorte porque nos lembramos que eles têm de brincar. temos sorte porque voltamos a por questões, a por coisas em perspetiva, a envolvermo-nos na vida. não nos queixemos. temos sorte. temos mesmo muita sorte porque eles vão poder escrever nos seus livros de memórias histórias de desafios que não se vão tornar A sua vida mas um episódio dela. a sorte que nós temos. a sorte que eles têm.

14 de agosto de 2020

deus das pequenas coisas














Deus das pequenas coisas. O caminho que se faz caminhando.  Das aldeias que as formigas constroem. Da natureza construtora sem intenções. Da espontaneidade da vida selvagem. Das coisas sem importância. Da vida devagar. Da natureza das coisas.


1 de junho de 2020

ausente e omnipresente

























estou atrás da câmara. estou em trânsito. a levá-los, a trazê-los. estou a segurar toalhas e merendas e casacos e tpc's. estou ausente, quase omnipresente. invisível, sempre audível. a montar memórias e encontros e contactos e a dar-lhes pessoas. estou cá atrás a vê-los mergulhar, a vê-los crescer. estou cá atrás quase sempre a assistir numa plateia improvisada sempre a tentar recusar o ímpeto de os encher com mais objetos e a navegar em permanência em programas que impliquem sempre ir. fazer caminhos. construir memórias. montar experiências. lançar-lhes tapetes de muitas texturas. podia deixar fluir porque o que for é de qualquer maneira mas esta talvez seja uma espécie de missão. sou ausente e omnipresente e pouco consistente. sou do ir e do vir.

2 de dezembro de 2019

do que conta para a história das memórias






























às vezes conversamos sobra a nossa história, as vossas memórias e as vivências individuais e coletivas. a vossa infância é única, especial e muito vossa, fruto da construção desta família que começou neste pai e nesta mãe. a cada um dos vossos nascimentos há coladas histórias a marcarem o percurso de todos. M fruto do museu ibere início dourado da vida laboral, da vida familiar, do trabalho emancipado num escritório, V fruto da crise instalada e início dos nossos vai e vens enquanto família, a emigraçao ao rubro, as viagens, o mundo aberto, dois paises a fazer de lar, presenças nas ausencias, ausencias nas presenças, um ano na s mathews school. X fruto dos regressos, das reconstruções, das reinvenções mais e menos duras, fecho de ciclo. fruto de um ciclo. 

2 de setembro de 2019

a escola que já é cor nas nossas vidas



conhecemos as combinações. o corpo docente que se mantém. sabemos dos cantos e dos recantos nas suas vertentes homónimas porque os cantos têm sons conhecidos. sabemos das rotinas e conhecemos quase de cor os conteúdos. sabemos das caras familiares e dos familiares propriamente ditos. sabemos das abordagens e das posturas. sabemos quase tudo de cor. sabemos também que o mini sente que sabemos mas o que vê são muitas caras novas e rotinas onde ainda não penetrou. o tempo, esse grande escultor, molda ao de leve e fará deste novo ciclo seguramente um dos melhores ciclos da sua vida e da nossa. 

27 de agosto de 2019

picardia ao rubro



este foi ano do " dão-se como irmãos". o beliscão, a gestão dos desenhos animados, até a sedução da relação com o pequeno irmão. o apogeu da vossa relação de irmãos, o desequilíbrio esporádico do "não chego para todos". mas no fundo vocês sabem que eu sei que o cordão invisível que vos une está lá. haja o que houver.

1 de agosto de 2019

tudo a rolar



























arrancamos em força este querido mês de agosto. não temos outro. as escolas fecham e a gestão fica imperativa e apontada para aqui. são os nossos oitavos de final ou de início ou de paragem ou do que quiserem que seja. munimo-nos de todas as armas necessárias ao desfralde do mais novo e arrancamos viagem sem olhar para trás. 

23 de julho de 2019

a urgência de viagens mundanas


eles trocam de atividades a cada semana. eles rodam a casa de amigos na hora de dormir. sobra o pequeno a viajar ainda em voos baixinhos. e as dificuldades que estão a ser as viagens à casa de banho.

20 de julho de 2019

out sider life / in sider growth



A canção dos adultos
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.
Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.
E já nem isso compreendemos.
Manuel António Pina
(do livro "O pássaro da cabeça")

18 de julho de 2019

lutas sem som

as disputas territoriais são a orquestra dos dias, detesto mediar conflitos que envolvam física quântica. sabem ser ruidosos. nada de novo. eles conhecem-se e conhecem os calcanhares de Aquiles, sabem que torções de tornozelos fazer-se. noutro dia enquanto o pequeno caía no sono ficaram a prolongar-se no jogo do rodopio entre quartos. cumpriram o nível de som a roçar o silêncio. foram apanhados encavalitados e afirmaram tratar-se de um luta sem som.

10 de julho de 2019

a passos largos para a terceira volta estar completa


todos os dias pede cuecas mas continua a usar fralda sob pena de termos acidentes em loop. estamos em dead lines em setembro ingressa na escola de todos. descobriu a manga curta e a leveza da roupa de verão. vê desenhos animados inapropriados porque ter irmãos mais velhos não são só coisas positivas. pronuncia tudo na perfeição mas continua a insistir na pamta quando abre garrafas de água.

8 de julho de 2019

e quando crescemos em plena quarta década


























sabemos melhor a cada década que passa o que queremos. o que não queremos. o que procurar. o que evitar. para onde fugir. para onde correr. na fonte boa uma hora boa salvou-nos o dia. conjugamos sempre o verbo ir. há sempre um infinito no verbo ir. seja para onde for.

5 de julho de 2019

fomos "almoçar" fora


























é uma das praias "à mão de semear" que mais gostamos. tão vazia em tempo de férias. tão cheia de matéria prima. encravada entre a água doce e a salgada, entre areal dunar e pinhal e sol e sombra. entre mar revolto e poças e rochas e areia fina. dispensamos enfiar as pernas sob uma mesa e dispensamos a musculação de talheres na mão. alimenta-mo-nos desse improviso esvaziado de artefactos. concluímos sempre que bate qualquer refeição saudável porque nos alimenta para lá do óbvio.


4 de julho de 2019

perto que é ir mais longe



pedras, areia, dunas, água, água salgada, água doce, godos, ardósia, um canivete, uma tenda e uma merenda. não precisamos de nem um brinquedo. não precisamos gerir conflitos. não precisamos de gerir aflitos. este nosso pousio secreto transborda de matéria prima para passar um dia a sacudir o tédio e a alimentar a arte da divagação, imaginação, exploração, concentração, e animação. eles trepam duna acima, rebolam duna abaixo. eles afiam paus e lascam pedras, selecionam godos e saltam com as pulgas. instalam o silêncio e fazem rodopiar os pensamentos.

2 de julho de 2019

o puzzle do tempo ou o tempo de um puzzle



nem sempre o tempo encaixa no tempo que queremos que o tempo tenha. encaixar peças requer tempo essa medida de tempo que parece que corre. o tempo de um puzzle faz nos regressar ao tempo que o tempo deve ter. é um programa que encaixa em tempo de férias onde o tempo deve regressar a essa unidade de medida das rotações e das translações a compassos de ritmos alinhados com a natureza da vida.

1 de julho de 2019

férias e os mergulhos nos campos, atl´s, atividades e campos de férias



houve anos em que as voltas que a vida nos deu e a volta que demos à vida fizeram com que nos entregássemos uns aos outros de forma mais intensiva. não havia atl´s, nem campos de férias e às vezes nem escola. hoje ainda se tenta atirá-los para o máximo de dias sem. sem orientações, sem atividades de ocupação. sem horas, sem merendas. com o avançar das idades os dias de deriva acabam muitas vezes em mergulhos eletrónicos profundos. são sempre em profundidade já que os eletrónicos criam uma relação difícil com a manutenção do corpo à tona da água. este ano vamos ter um apogeu de ocupações. não há como não aceitar as circunstâncias no tempo verbal a que elas pertencem. as suas memórias serão muito diferentes da geração anterior nem para melhor nem para pior que as memórias de infância hão-de ser sempre memórias doces. porta aberta ao triplo mês das férias escolares. 

19 de junho de 2019

três ao cubo


finais de dia colado em mimo a condicionar o olfato de qualquer familiar próximo. vê qualquer desenho animado mesmo que a mãe desanime com o desajuste a que os irmãos o expõe. assiste a teatros, espetáculos, saraus e apresentações de forma exemplar.  nas pequenas explosões caraterísticas da idade não nos acerta com estilhaços porque normalmente, mesmo sem curso superior, levamos um nível de autodidatismo que nos permite contornar as questões em paz até porque o tempo aos dois anos mede outro tempo e as frustrações contornam-se a uma velocidade acelerada. é incontornável o nível a que está exposto a açucares e coisas que não era suposto já explorar, ainda assim, não há gomas, sumos ou chupas. come, veste-se, calça-se e quase toma banho muitas vezes por sua conta. andou sem chupeta uma semana mas fizemos marcha-atrás. fala muito de cuecas mas a mãe nunca mais as compra. verbaliza tudo. discurso direto e indireto. é o nosso condicional a entrar na escola antes de dar as três voltas ao sol. cremos vá ser incondicional a sua adaptação.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982