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7 de fevereiro de 2023

teen third year

















há em ti essa seriedade que te invade desde que eras filho único. há em ti esse pensamento maturado, elaborado, lógico e cheio de hiperligações como quando deixaste em suspenso uma fila de pessoas num atividade em parkers piece. há em ti essa precaução de quem mede as decisões e que te faz proteger da retaguarda dos mortais. há em ti essa cautela de quem abre livros a 23º. há em ti o desejo de receber um caixote de tempo. nao sei até quando fugirás ligeiramente de beijos e amaços. há em ti uma silenciosa vontade que te leia os pensamentos ensarilhados. há em ti mais acrobacias do que melaço e muitas habilidades gravadas em ADN. há em ti minúcia e áreas que navegas sem esforço. não gostas de emendas, de rascunhos e de rasurado.  é na experimentação, no mundo, a ver o mundo, com todos os sentidos soltos que vais sugando ligações. oh quantas ligações e mundo há em ti. há em ti essa introspecção amiúde que te enriça pensamentos que depois te custam a sair. há em ti um mundo a desabrochar. e, não queremos saber dos étimos porque há muito mais coisas em nós do que as coisas que dizem de nós. parabéns a ti que nos fizeste nascer a (PA) (MA) E ternidade.

13 de novembro de 2022

meia dúzia da nossa meia dezena mais pequena


metemo-nos no avião e voltamos a fazer a viagem. aviões e viagens repetidas são parte do nosso this is us. ainda apertas o nariz para mergulhar ao teu lado. ainda arrastas "muletas" para todo o lado. andas sempre literalmente à caça de objetos novidade que te amparem uma espécie de bem estar social mas vais com tudo. vais com confiança. agarras a tua vida. e vais te safando no meio de tanta gente. queres três filhos na tua vida. ser professor de ginástica ou de qualquer outra coisa. ter uma namorada que nem te trate mal nem te chateie e te ajude a fazer as coisas. chamamos coisas a bens e valores, ao que existe mas poderemos não saber bem nomear. real ou abstrato. encaixarei nessa referência feminina numa casa tão masculina numa transferência milionária entre o ver para o querer? amanhã outra coisa qualquer diferente surgirá porque ninguém é sempre a mesma coisa. e podemos sempre ser mais outras coisas para além daquilo que somos, para além daquilo que achamos que somos. para além daquilo que acham que somos. para além daquilo que fomos. não te esqueças de conjugar os verbos todos, os pretéritos nos futuros. são meia dúzia de translações, mais de 2 mil rotações, como não ficar tonto com tanta volta? mesmo sem a dedicação, a disponibilidade e a entrega de uma primeira viagem continuamos a descobrir um mundo novo de combinações. vais atrás das competências físicas dos teus irmãos, uma referência constante nos teus dias. superas-te como se carregasses em cima mais meia dúzia de anos. tens muita gente para te amparar a queda e também muita gente a chutar opiniões aos desafios que te pertencem por isso temos aproveitado aqueles bocadinhos de filho único em que quase jantas sozinho num exercício de exclusividade total. aí redimo me de uma espécie de incompetência que passei a exercer por haver três canais com necessidades de sintonização em frequências diferentes.

parabens x boy

22 de setembro de 2020

memórias de verão




estão a construir as suas memórias de verão com os filhos de amigos a quem chamam primos, a extensão das primas e primos em vários graus no papel e em primeiro grau na relação. há uma rede de espaços e contactos recorrente que as sedimenta e que as enche de confetis. usamos a envolvente e os recursos mais à mão, encaixamo-los em rotinas fora de rotinas recorrentes.  alimentamos o levar e o trazer, o ir e o vir, há sempre no backstage pelo menos um adulto a fazer a manutenção da combinação de várias idades e a promover o estar. têm a escola do primeiro ciclo a uni-los a todos, com cores e memórias de rotinas que reconhecem e será sempre um tema mesmo quando no desfasamento do crescimento se dispersarem por ai. hão de voltar. hão de se voltar a reunir em encontros e desencontros e confrontos de ser e estar. acabou o verão mas enquanto a metereologia entra em modo montanha russa e nos vier brindar com dias de picos amistosos faremos por encher ainda mais o saco. há dias que já quase se sente o natal a chegar, outros em que sentimos a água mais amena que nunca. todos os dias saem novos números a parecer um totoloto recorrente mas vemos poucos noticiários e alheamo-nos um pouco do bombardeamento de um tema com o qual temos de conviver.
 

20 de setembro de 2020

vida em azul





 












terão uma infância exposta a muita informação. às vezes também é preciso esvaziar. não ir, não ver, não fazer. só estar. parar. ficar. reduzir os estímulos, as coisas, as viagens, as exposições que lhes inundam as memórias. parar. deixar as memórias serem arrumadas nas gavetas. mas neste balanço mareado que tem sido a nossa vida ter certeza que as vivências que carregam os constrói únicos e singulares na sua / nossa história. 

19 de setembro de 2020

o poder da nossa paz outdoor





engolir milhões de vezes as palavras. permanecer sempre entre os opostos como se fossem sempre verdade, a afirmação e a sua negação. há sempre um lado B, um outro lado da margem do mesmo rio que corre vivo. ser morno, impulsivo e tranquilo e médio. aceitar a pandemia, aceitar as orientações. aceitar ainda com mais força que vivam sem máscaras. aceitar que brinquem em liberdade. aceitar que se constipem. aceitar que se aproximem. aceitar que convivam. aceitar que adoeçam. aceitar que cresçam. aceitar que há opções muito pouco razoáveis. 




 

15 de setembro de 2020

distanciamento mental














esta natureza que carrego continua a recusar-se a entrar numa espécie de histeria coletiva. há desafios gigantes em contaminações próximas mas há cá dentro uma espécie de repulsa em reconhecer o não óbvio. atrai-me, atraiu sempre, o distanciamento social, viva às praias vazias de outono, atrai-me o ninho com os meus se o balançar com inputs muito esporádicos de convívios selecionados a dedo. atrai-me a contenção, atrai-me o convívio faccionado, atrai-me o contacto distanciado, atrai-me o silencio. mas não vivo em calmia se estas crianças não brincarem em liberdade e não casarem o corpo e a mente. se não conviverem com os pares, se não desenvolverem interação mesmo que reduzam substancialmente o número de contactos. que este ano nos traga nada mais que viroses ligeiras e a prova de que o mundo continua igual.

14 de setembro de 2020

"pontapé e fé em deus"














é o pontapé de saída. inicio de um estranho ano letivo. a dinâmica muda. retirada de ecrãs com reclamações que se contagiam. ao segundo dia o miolo da nossa vida brindou-nos com mozart no piano.  numa espécie celebração do madrugar. o mini tentava cantar o som que lhes lancei já que agora a magia da roda das canções na escola está extinta por causa dos covids. a escola a implementar razoabilidade. a vida a recomeçar no balanço delicioso das rotinas que nos orientam os dias e nos ritmam os convívios. daqui a uns meses desejaremos a anarquia de estarmos juntos, o ir daqui para fora, o estar de calções e uma tshirt. nada de novo. é sempre neste balanço dos opostos que nos alimentamos. pré escolar. primeiro ciclo. segundo ciclo. tudo a espalhar-se em novos desafios. e esta retaguarda que nos sabe a sobremesa. farta de gel desinfetante e do espírito ameaçador de noticias superficiais. farta de números sem historia e de previsões do futuro próximo. 

3 de setembro de 2020

triangulações



não é preciso pedir mais nada que esta triangulação amparada.  não é preciso pedir mais nada que o suporte mútuo eterno. nada mais que uma mini equipa de retaguarda. nada mais que a consistência da convivência que o suportará.  que atravessam a vida numa triangulação independente. seguros do suporte do equilíbrio.


7 de julho de 2020

meia dezena our boys

para lá dos minutos e das horas contadas estejam sempre lá uns para os outros. que sejam sempre uns dos outros. que contem sempre os dias das memórias uns aos outros. que tenham sempre o que vos une no baú do que vos pertence uns aos outros. que cresçam uns com os outros. que se amparem uns aos outros. que se protejam uns aos outros. há uma linha que vos une. agarrem-na. mantenham os nós. façam dela corda que vos segura na escalada. que vos ampara na queda. que vos amortece as tristezas. estejam uns para os outros. até ao dia em que a vossa ascendência não esteja. será uns nos outros que ela permanecerá.

25 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO TERCEIRO DIA
























ontem tentamos estruturar melhor os trabalhos. não correu mal. vamos cumprir os exercícios tradicionais mas cruzaremos com a introdução de novos paradigmas de estudo. somos capazes, nem todas as famílias o serão, aproveitemos as trocas de aprendizagens entre todos e entre as ferramentas disponíveis de saber, de cultura, de materiais, de criatividade e de tudo o mais que temos ao dispor. escola e família com oportunidade de se meterem na vida uma da outra como nunca e, numa família numerosa, um imperativo. os cumprimentos laborais andam no mesmo nível de toda a gestão e de todas as dimensões da vida. o tele trabalho fora de horas laborais. voltei aqui mas ainda não consegui voltar a uma série de outras coisas em que o eu esteja num outro nível. há mais eles, e os outros. a vida a acontecer e a mandar. há uma lista mental de ideias. um milhão de intenções mas domar meia dezena de seres vivos com vontades próprias e mil emoções à mistura é a mais exigente tarefa dos dias. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele. décimo quarto dia, permiti-mo-nos sair. muniram-se de bicicleta, skate e trotinete. a marginal tem fitas condicionar o estacionamento. esticaram-se na areia o sol deu-lhes alguns beijinhos na pele, não o suficiente para trazerem em vez de areia vitamina D. mas a areia é matéria moldável e o X parou a senti-la. a polícia interpelou-nos. as ordens são manter a circulação. não lhe dissemos que não tínhamos feito nenhuma saída há 14 dias nem para qualquer ida ao supermercado, temos o nosso próprio bunker onde repescamos munições. ainda há chocolate, o mar parece um lago, o sol brilha, a vida lá fora suspensa como se o sol se tivesse apagado da pele.

24 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO SEGUNDO DIA
























andamos às apalpadelas a tentar construir rotinas que se mantém desrotinadas ao sabor de espetos que nos lançam de vários lados. lá fora está sol e, apesar da amplitude espacial, ainda não pacifiquei a ideia de que possamos passear cães e não filhos. entraremos na segunda semana adentro num processo de desaceleração relativa por não querer que se entreguem  permanentemente a ecrãs. as férias serão uma espécie de dias em contínuo, espero, com novos ritmos encontrados neste novo registo. o m pedia várias vezes ausências da face aborrecida da escola, matérias repetitivas e pouco estimulantes mas, agora em modo livre, ainda não se libertou num voo solto pela criatividade. o v precisa de ar, pede-o muitas vezes e gosta bastante da vida com ecrãs mas a sua costela mais pragmática funciona bem nas aulas de piano à distância. o x precisa de inputs para largar a caixa que carrega vezes demais ao colo que já manuseia com destreza e de forma autónoma, um perigo. quando lhe abrimos o mundo obviamente adere mas precisa que o conduzam nessa descoberta porque se habituou a caminhar entre muita gente a precisar de coisas na sua estrutura familiar. ontem quando assistiu à canção dos bons dias da sua professora, sentiu-se intimidade e estranho. é o que menos percebe do que se passa. o que quer que se passe não tem dias contados e 2020 irá ser sem dúvida um dos anos mais marcantes da história desta geração. tocaremos esta música com os instrumentos disponíveis a ritmos antagónicos e nem sempre em composições perfeitas. um dia de cada vez. uma hora de cada vez, cada minuto, cada segundo a apalpar um futuro incerto.

23 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO PRIMEIRO DIA










acabamos o projeto a que nos propomos. usando a matéria de estudo do meio de terceiro ano e envolver todos. os conceitos estão apreendidos e sem fichas. desenhamos animais usando sombras e assistimos aos vídeos enviados pelas professoras dos mais pequenos.  li-lhes dois capítulos do diário de anne frank enquanto se esticaram junto da janela numa espécie de banhos de bacia em que raios de sol a substituem. almoçamos as sobras de domingo, um frango caseiro com massa. mante-mo-nos a usar os recursos disponíveis e hoje fizemos chapati com chocolate para o lanche, uma bela oportunidade para o pequeno esticar a massa e espalhar farinha por todos os lados. o v aspirou a sala mas ha muitas tarefas por fazer. o pequeno tem usado tempo de mais com ecrã mas o tempo de ecrãs é sempre demais seja ele qual for. relaxo, desvalorizo.

22 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO DIA
























fim de semana entregues a ecrãs. quebra estratégica. mete-mo-nos todos no carro com abandono do habitáculo apenas e só por um adulto a deixar uma caixa de perecíveis na bisavó de noventa anos. quando liguei a dar notícia da caixa foi uma espécie de de natal. chamou-me anjo. outra paragem estratégica para o ÁFRICA MINHA, extenso para aguentar o V e o X. acrescentamos uma espécie de ginástica no arrancar do fim de semana. meia hora de leitura no aconchego de uns raios de sol que entravam pela janela, este nível de jogo acontece quase sempre na base da negociação e / ou imposição mas que seja. muito pouco tele trabalho batido entre um frango caseiro e um crumble. de manha fiz alongamentos e dancei em simultâneo enquanto conversava com a desarrumação da cozinha. aproveitamos recursos, tudo é gerido ao detalhe e a cozinha tornou-se um laboratório permanente, não é nova a gestão da dinâmica de, no mínimo, quatro refeições por dia. o nosso âmago acusa tensão e o pequenino baralhação com grau elevado de presença parental. tentamos ingerir doses pequenas de noticiários para que o tema e as palavras repetidas à exaustão não lhes martelem na cabeça e façam uma espécie de voo rasante temporário ao tema. as alterações de rotina, a presença de muita gestão familiar e os inputs externos são matéria suficiente para que sintam que o momento será marcante na nossa história de vida. o pequeno disse que gostava muito da professora, acusa sinais de saudades, mas gosta muito do pai e da mãe. começará a segunda semana de desafios. ainda não estamos em condições de alterar o paradigma escolar e laboral mas caminhamos a passos largos. em uma semana entram de "férias" seja lá o que isso for e tenha lá que sentido tiver. o diário de anne frank, agora que a diretora de turma do M lhes impôs 4 linhas por dia num diário pessoal, faz todo o sentido. a introduzir fora do horário noturno para não lhes moldar os sonhos.

19 de março de 2020

QUARENTENA NONO DIA


























Abrir as portadas, as janelas, vestir, passo a vida em ordens de comando. para que nos vamos vestir se vamos ficar em casa. é o nono dia. já não sei em que dia fizemos o que. tentei gerir o caos e propus um projeto que os envolvesse a todos, plasticina caseira. um modelo 3d com matéria de estudo do meio de terceiro ano. rio, afluente, planalto, montanha, encosta, ilha, cabo, planície, etc. entretive o pequeno a congelar mamíferos, repteis e peixes em separado.

18 de março de 2020

QUARENTENA - QUINTO DIA
























Consegui trabalhar meia hora entre sopas e coisas. Chamam mãe muitas vezes e a partir de muitos sítios. Não os tenho pressionado com trabalho escolar . Andamos entre uma espécie de férias com uma ficha atrás. Não há mãos a medir para tanta gestão de grupos what’s up, emails da escola. moddle, etc . Nunca estivemos tão agarrados a máquinas e longe da vida. Passamos a vida na troca vazia . Descobri que a minha visão passou a outro nível a quarentena revelou a quarentona em mim, isso e a vista cansada. começo a desfocar a vida, esta vida. Há uma cárie e um lábio aberto. 5 dias em casa e tenho inveja de quem vai passear o cão. Porque sinto que devia ir passear o filhos. Dar lhes ar que também é uma necessidade básica . Vivo em processo pingue-pongue entre a versão hipocondríaca e a versão cavaleiro sem saber bem onde me posicionar . Eles andam para aqui meios perdidos , meios desorientados , a querer dar se à inércia . Não é um mundo novo, tenho dejá vues constantes, já passei por processo semelhante num longínquo inverno. Eram dois e ninguém me impedia de sair. Mas a gestão de necessidades e rotinas de duas crianças entregues unicamente a mim traz-me constantemente memórias. 

o interior do miolo do que fica no meio de tudo



usam as mesmas mochilas desde sempre, não concebemos uma a cada ano. gerimos a otimização de tudo incluindo roupas e rotatividades. apuramos técnicas de fazer malas e arrumar roupa que já não largamos. fazemos rolinhos para tudo que encaixam nas paletas que construímos. mas há um elemento desligado, desfocado, não pede mundos nem fundos, aproveita os materiais até se reduzirem ao centímetro mas deixa tudo num estado lastimoso. há na natureza naturezas diferentes.

17 de março de 2020

QUARENTENA-TERCEIRO DIA





















Plano de intervenção instalado. Alguma tensão ao rubro. Pingue-pongue entre o cumprimento das orientações e a alteração quando convém a todas as partes para o bem e para o mal seja lá o que isso for. Estamos todos baralhados. Cheios de intenções a e por cumprir.

15 de março de 2020

QUARENTENA-SEGUNDA DIA

























Fizeram um ringue com fita cola e almofadas a forrar elementos de perigo. Extravasaram energia acumulada mas ainda só passaram dois dias. Decidiram instalar como rotina o sobe e desce dos 5 pisos a que estamos confinados. Estivemos uma meia dezena entre este cenário e filmes e séries e sofá e arena. Rematamos o dia com um esboço da nossa escola em casa em vias de começar. 

14 de março de 2020

QUARENTENA-PRIMEIRO DIA



























Dia 1 é uma maneira de dizer porque entramos mais para dentro numa sexta feira, antes de ser decretado o encerramento das escolas. Por isso o último dia da semana já se fez entre paredes. Deixa-mo-nos estar entregues à ausência de rotina depois de os ter forçado a aceitar ir a uma praia deserta, a nossa praia secreta, a 40 quilómetros de distância. Improvisamos sandes e fizemos pic nic isolados. Mas as decisões pendentes, pressões eminentes, tensões resistentes tinham alarmes ativos, demos- lhes 1 hora a rebolar nas dunas e a recolher godos e pedras para os dias de clausura. Recolhe-mo-nos com os bolsos cheios de vitamina D e de areia. 

7 de fevereiro de 2020

tradições, comemorações a começar


































um bolo de chocolate intragável que devia ter-se chamado delícia de chocolate mas só existia perdido numa prateleira chocolate magro em pó biológico e a coisa não se deu. a massa endureceu e quase encravou as lâminas da máquina faz tudo. as panquecas com tamanho de crepe pela manhã imaginadas em sobressalto pela madrugada a explodir em vulcão, que é o que nos espera esta fase pré teen, não ficaram mal mas depois descobri que quase não havia chocolate para as barrar. a rotina a despertar, as horas a queimar, a pressa a rebentar, tudo a bombar. a vida tal como ela é IMPERFEITA! em surdina raspei os olhos no horário detetei que era a disciplina de inglês a abrir o dia e a perspicácia do teu pai à percepção do que afinal precisavas neste dia combinou um tiro à primeira aula e uma deslocação a rasgar o vento, a quebrar essa maldita rotina espartilhada. um dia peço te desculpa por te ter alimentado as piores memórias no toque de caixa que imprimo à vida como se a pressa nos fosse levar mais longe quando é sempre mais perto que está tudo. e está cá tudo.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982