ele quis que rodopiasse o pião em cima da sua própria barriga respondi-lhe que tentaria mas provavelmente aguentaria pouco tempo porque a barriga não era uma superfície com grande extensão lisa. ele disse-me que na minha seria pior que tem mais rugas. lembre-me do empty nest. um dia digo-lhe que essas marcas também são a história dele, a minha e a nossa (há quem o diga melhor). ter um mapa que tem muitas histórias lá dentro e confessar quase com a mão em cima da bíblia não querer mesmo nada ser uma barbie é saber viver com imperfeições. recordo como se fosse hoje a beleza das veias mais salientes que atentamente observava nos pés e mãos da minha mãe entre os seus trinta e os quarenta. uma pele de bebé sem quebras quase nenhumas quase sem plasticidade e tão imaculadamente homogénea eram aos olhos de criança desinteressantes. era só um exemplo dessa atracão pelo imperfeito. ser uma adolescente sem posteres fotogénicamente irrepreensiveis no quarto, sem nunca ter babado nem idolatrado nenhum desses desconhecidos que se evidenciavam nos anos 80, exactamente por isso, por serem desconhecidos, era um sinal. já uma mancha branca num certo cabelo, lá está uma espécie de imperfeição, me despertaram a certa altura algum interesse. quanto ao mapa, preferia que fosse um planisfério em vez de ser um quase globo. provavelmente ainda não estará la tudo explanado por isso não determino com precisão ter um mapa corográfico, topográfico ou uma simples planta.
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27 de outubro de 2013
representação do mundo, do nosso mundo
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21 de janeiro de 2012
uma toalha
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13 de outubro de 2011
21 de junho de 2011
ainda para aqui andamos
o miúdo pequeno passeia e não se encaixa como que a dizer não me incomodem que não me apetecem esforços. as enfermeiras dão-nos rebuçados a ver se as cintas saltam mais porque mãe e filho quase foram dormir ao som das batidas. a mãe chora e ri por nada e desculpa-se com as enfermeiras. anda-se a achar patética enquanto sonha com partos perfeitos nas meias horas em que prega olho porque de olho aberto quase só vislumbra a mesma história da primeira vez. o miúdo grande pergunta pelo pequeno como que a traduzir a envolvência de perguntas que lhe/nos fazem. não queríamos ter dia nem hora marcada mas já temos quase uma deadline que quase nos massacra a mioleira. e faz contas de cabeça para o caso de não se dar o acaso que amanhã é a festa final do miúdo grande que vai ser um anão, que ainda tem de deixar desenhos de obra prontos mas já não está com as antenas para aí viradas e que já agora não gosta de datas sobrepostas com nada nem ninguém e por isso é melhor ir ali chorar um bocadinho que depois há-de lhe passar o vendaval...
20 de junho de 2011
16 de junho de 2011
11 de junho de 2011
quase-quase
a eminência do parto começa a não deixar espaço para a racionalização que coincide com os pontapés de perguntas e constatações das pessoas com que nos cruzamos. está quase ou não, é para quando, vai ser onde (tema que se costuma prolongar), a barriga já desceu (assim como quem tira medidas de esguelha e não adianta dizer que há 4 dias a médica que me examinou o achou ainda muito subido). cansam as perguntas desta fase, a barriga e o quase-quase. quase não há fotos, o cabo da máquina desaparecido, coisas por deixar organizadas e as hormonas a tentarem baralhar circuitos logo agora...o que se avizinha não há-de ser menos cansativo e menos baralhado mas este quase está-me a deprimir porque me adivinho o filme da outra vez. é que não sinto as caminhadas estarem a servir para alguma coisa.
5 de junho de 2011
23 de março de 2011
D
doem-me as costas. enquanto me virava ora para a direita ora para a esquerda durante a última noite passei pela posição barriga para cima a tentar esticar as costas e achei que a barriga não estava lá, se tinha até esvaziado. não foi sonho porque o mais velho sonhava em ver bonecos e vi que eram 5 da manhã. se não continua de cabeça para cima deu a volta sem se fazer notar, o primeiro deu a volta nesta altura e não me escapou. vai chegar no mês em que partiu o do meio, até pode coincidir o dia, mas nada se substitui. o nome continua tão por definir que me chega a perturbar e uma grávida é vulnerável a decisões definitivas. estamos grandes mas ao menos já temos umas fotos.
17 de março de 2011
26 semanas
descanso a menos e as costas a pedirem. uma pressão num nervo e andàmo-nos a arrastar e ainda falta um bom bocado. mais magnésio para dentro a ver se despacho trabalho que tenho pena de deixar a meio. mexe e remexe, dou-lhe pouca atenção, quase me acomodo a um novo ventre em reboliço como se tivesse sido sempre assim. há outro menino constipado a quem se tem de fungar o nariz. há outro menino a insistir em esticar a corda a cada batalha a quem se tem de imprimir rédeas. balançamos entre não's muito disputados e beijinhos e mimos. sem insistirmos no tema bebé já me afagou a barriga como quem mima o/um desconhecido. muito pouco enxoval preparado principalmente do feito à mão, algumas leituras a preparar o que vem, principalmente na gestão de um novo elemento no trio e no elo mais fraco e na sua adaptação. sem pressões há-de o instinto funcionar e o esforço superior em fazê-los interagir o máximo incluindo o mais velho, mesmo que demore o dobro do tempo, no máximo de tarefas relacionadas com o novo bebé. ainda vacilamos no nome e isso é coisa que me chateia porque faz parte, nesta cabeça, da construção deste novo bebé.
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3 de março de 2011
passear as linhas
o papa, a mama, ele e o bebé...aos desenhos acrescenta sempre a palavra supostamente escrita. ontem fizemos uma hora de caminho ao ritmo dele, da escola até casa, pediu muito colo mas foi aguentando firme distraido com os desafios que lhe fui propondo. a rua é uma escola que se perde à velocidade do carro. havemos de repetir tantas vezes quantas forem possíveis e ficaremos com os músculos mais fortes porque temos espaço para descobertas físicas e mentais. e o sol a bater na cara soube tão bem e depois sinto-me menos mal de deixar a tv ligada tempo demais para poder também dar uns minutos de descanso a esta barriga enquanto coso folhas no fato de carnaval...
21 de fevereiro de 2011
18 de janeiro de 2011
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