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26 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO QUARTO DIA
























segunda semana a terminar. dizem que abrimos a fase de mitigação. já ninguém controla quem contamina quem, onde, como e quando avança o contágio. o M voltou a ter dificuldades a adormecer, o V rói mais as unhas do que nunca, o X anda em piruetas no meio do que o envolve a crescer. há um feliz por fazer escola em casa, um a repensar que isto da escola em casa afinal tem o seu lado negativo e outro com os dois pratos da balança sempre em balanço porque quando se é pequenino se criam empatias com quem nos cuida durante algumas horas por dia. os dias tem tido mais ritmo mas muito menos sumo de partilha, afinal estamos sempre lá, na vida uns dos outros. tudo em suspenso. sugam-nos até ao limite e ficamos sempre a perder 3-2.

24 de março de 2020

QUARENTENA DÉCIMO SEGUNDO DIA
























andamos às apalpadelas a tentar construir rotinas que se mantém desrotinadas ao sabor de espetos que nos lançam de vários lados. lá fora está sol e, apesar da amplitude espacial, ainda não pacifiquei a ideia de que possamos passear cães e não filhos. entraremos na segunda semana adentro num processo de desaceleração relativa por não querer que se entreguem  permanentemente a ecrãs. as férias serão uma espécie de dias em contínuo, espero, com novos ritmos encontrados neste novo registo. o m pedia várias vezes ausências da face aborrecida da escola, matérias repetitivas e pouco estimulantes mas, agora em modo livre, ainda não se libertou num voo solto pela criatividade. o v precisa de ar, pede-o muitas vezes e gosta bastante da vida com ecrãs mas a sua costela mais pragmática funciona bem nas aulas de piano à distância. o x precisa de inputs para largar a caixa que carrega vezes demais ao colo que já manuseia com destreza e de forma autónoma, um perigo. quando lhe abrimos o mundo obviamente adere mas precisa que o conduzam nessa descoberta porque se habituou a caminhar entre muita gente a precisar de coisas na sua estrutura familiar. ontem quando assistiu à canção dos bons dias da sua professora, sentiu-se intimidade e estranho. é o que menos percebe do que se passa. o que quer que se passe não tem dias contados e 2020 irá ser sem dúvida um dos anos mais marcantes da história desta geração. tocaremos esta música com os instrumentos disponíveis a ritmos antagónicos e nem sempre em composições perfeitas. um dia de cada vez. uma hora de cada vez, cada minuto, cada segundo a apalpar um futuro incerto.

6 de julho de 2019

a tua zoologia na universidade júnior



tem um sentido estético que talvez se sobreponha. a tua zoologia tem um parceiro de combate. um interlocutor de disputa. a tua zoologia do coração tem as artes visuais a passar-lhe muitas vezes por cima. e quando te oferecemos as ciências e as artes há um mundo de atrações. não sabes que estás a abrir mais portas e não são só essas de desbravar uma cidade, da penetração em centros de saber ou nessa de conhecer pessoas novas. estarás a abrir portas dentro de ti. portas e janelas são o que nos faz abrir ao mundo. ao mundo que há em nós.

10 de junho de 2019

plano privado de leitura



às vezes quando temos espaço disponível, muito espaço disponível, físico, mental e temporal. aquele "vazio" que propicia expansão física e mental, aquele vazio que expande a imaginação, aquele vazio de rotinas que permite silêncio, condicionam-nos os pares. ainda não pago nem suborno para lerem mas quando o ambiente os condiciona imponho-lhes, como uma contorcionista, libertação. dou-lhes camufladamente a volta, seduzo, lanço-lhes literalmente azeite. chamem malabarismo ou vão mais longe e chamem manipulação quando os devia deixar andar. eles não sabem que se libertam quando lhes roubo um ecrã que alguém lhe põe na frente. nem sempre a envolvente colabora e não falo da envolvente ambiental que essa estes dias estava mesmo a pedi-las. às vezes já não consigo preparar bem as areias movediças como outrora, são muitos e um ainda exige a dança das colheres até à boca, mas a gente faz o que pode para que não queiram ser como os outros seja lá o que os outros forem. atirou-se assim a correr uma casca de banana e, atabalhoadamente e à pressa, muito descombinada com a envolvente que pedia aquele estar de uma preguiça a falar de forma pausada a arrastar sílabas para além da divisão silábica, mandei-os ir a correr apanhar as papoilas. já sabemos que não se dão fora da terra. que se desmaiam em três segundos. que não são de cativeiro. do cativeiro que queria que saíssem. varreram umas páginas a troco de no fim espalmarem pétalas e descobrirem uma mudança de cor com o tempo. esse tempo que quero que ganhem sempre que as letras se alinham em palavras.

27 de maio de 2019

retalhos de rotinas


as nossas rotinas nunca estagnaram. cumprimos o calendário que a vida nos permite. voámos com asas a sério. damos tiros nos pés. damos tiros para o ar. carregamos filhos e cadilhos e caixotes às costas anos a fio. fazemos rodar rotinas e desregulamos os dias. queixa-mo-nos dos meninos mas sabemos que no fundo são uns bons projetos de gente a crescer. encaixamos tudo, ajusta-mo-nos, apertamos daqui alargamos dali, multiplicamos rotinas dividimos trabalhos. fazemos acontecer: memórias, refeições especiais, atividades, conversas e bocadinhos de serões com eles, sem eles, connosco sem nós, sem um, sem o outro, com tudo. a manta de retalhos cresce colorida. as memórias são quadrados cosidos pousados na velhice. 

22 de janeiro de 2019

quando levitamos


às vezes preciso de paliativos para tamanha voracidade de crescimento. não conseguia dormir porque perguntas em catadupa lhe assaltavam o pensamento. parecia uma tropa de armas em punho a disparar perguntas encadeadas. de onde vem tuso, mesmo tudo o que gera esse tudo de onde tudo começa, de onde vêm esses materiais que geram material que explica de onde tudo nos chegou. entrei em espiral, em loop, ourada com a pergunta e a certa altura só me surgia o ovo e a galinha e a galinha e o ovo e esse ciclo vicioso, viciado de vícios. eu percebo a grandeza de pensamentos que o terão feito ourado com tamanho balanço. filho essa é a pergunta para a qual não tenho resposta , nem eu e nem ninguém. pedi-te para a continuares a procurar porque procurar é a base de tudo.



7 de dezembro de 2018

viajar é sempre ir à escola


folheio-lhe os cadernos e vejo as viagens a sair-lhe da pele. e dos lápis.

26 de outubro de 2018

fall or fly


preparei-me desde cedo para as quedas. foi a vida que lá me levou. ajudas-te-me a fazer-me aos voos. agora ando sempre de asas abertas. e o problema é que quero sempre ir e voltar.

2 de junho de 2018

prensa ao cubo


há dias, vários dias, desde há muitos dias atrás, que se vai sentindo prensada. assim como se uma prensa cúbica lhe passasse em cima. às vezes já não consegue dar-se a um de cada vez com a mesma paz com que se deu e isso sabemos que a aflige. depois sabe que a chamam sem chamar e nem sempre está livre porque a prendem tarefas de bebé. fraldas por mudar, sopas por meter numa boca, controlo motor obrigatório. é ai que grita como não se lembra de ter gritado na primeira viagem. é ai que se sente atada e bloqueada. às vezes pede o que não dá: controlo. às vezes dispara para muitos lados como se pudesse coordenar muitas marionetas ao mesmo tempo e em simultâneo, como se pudesse unicamente puxar fios fininhos e as extremidades estivessem em conexão para uma causa efeito imediata. um dia, algum dia, certo dia, mais dia menos dia, vai chegar o dia. o dia em que fala baixinho e só espalha amor. vai chegar um dia em que volta a sentar-se no chão, a penumbra acesa e as histórias a ecoar no quarto. ou então nao, já não vai a tempo desse dia. haverá sempre o dia em pode sentar-se no chão à porta dos quartoS com o seu próprio livro na mão e de vez em quando espreitará pelas frinchas das páginas do meio e se distrairá na história do que observará.

7 de outubro de 2016

lápis aguçados contorcionismos vários



reentramos numa espécie de ritmo alucinante em comparação. e voltamos aos S's e aos Mas porque a escola voltou a acabar tarde mas há expressões faciais descontraídas, voltamos a uma pressão acrescida com muita matéria perdida mas vontade. fugirei sempre de vender modelos de escolas. formem professores do futuro, recompensem-nos, ensinem-lhes que com os afetos a transmissão de saber é mágica.

28 de setembro de 2016

TPC



nada contra, nada a favor. saber gerir o que temos e avançar para conversas sobre o mundo. ele, o mundo não se encerra nas prestações escolares. nós, uma muito pequenina parte do mundo, somos muito mais que as respostas dadas formalmente em testes a serem avaliados para pontuação. ela, a escola, consome uma boa parte da vida, mas nós vamos continuar a acreditar que uma viagem, grande, pequena ou parada trará o para nós é mais precioso: Tempo Para Conversar. o TPC mais precioso.

2 de julho de 2016

paralelos em rede


























quando podem as crianças ficar em casa sozinhas? porque será que muito antes de as deixarmos em casa sozinhas as deixamos navegar num mundo infinito e descontrolado digital? continuo a acrescentar perguntas porque me parece um tema central e premente e para muitas famílias pouco consciente.

22 de junho de 2016

sol de meia noite, o sol steti


Porque ainda é tão de dia e já vamos dormir? São mais duas horas de dia que fazem diferença na latitude que nos é mais familiar. Nunca vivemos tão perto das auroras boreais e do sol da meia noite e por isso esta luz rasante que agora nos entranha nas memórias, serviu para falarmos mais uma vez da incrível bola que habitamos. E estas aprendizagens motivadas pelas vivências batem qualquer dia passado sentado na secretária de uma escola. Batem qualquer teste formativo, sumativo, informativo ou de aferição. Estas são as bolas que metemos na baliza. Temos outras que foram à barra, passaram por cima, saíram. Mas um dia, quando voltarmos atrás, o impacto das que entraram vai ser inequivocamente maior. "chegamos" ao sol da meia noite, o dia que coincide com o solstício de verão, nas zonas polares, onde o sol brilha quase 24 horas. e esta luz que em muitos dias nos banha traz novidades que nos entranham nas memórias.

5 de maio de 2016

dos afetos

























mama sabias que há meninos que têm os primos a morarem numa casa muuuuuito longe e que ficam muito tristes porque não estão com eles? m. 4 anos

20 de abril de 2016

this moment



























nunca tenham medo das cores desde que vos tragam dias coloridos.

28 de janeiro de 2016

26 de janeiro de 2016

free school lane



























reinvente-mo-nos. diz que as nossas crianças estão cheias de estímulos e que a concentração, num mundo de luzes a piscar, é o maior desafio. há um novo mundo escolar por abrir sobretudo que não se encerre em avaliações constantes. há famílias a libertar-se em processos de unschooling e outras a construir escolas em casa ou dentro de uma comunidade. há países longe a explorar outros caminhos e escolas perto com caminho feito fora do circuito estereotipado. há muitas reflexões.  muitas visões certeiras. a necessidade premente de formar melhor quem forma. é urgente passar conteúdos codificados que vêm do passado sem a sensação de despejar um camião de areia até deixar a cabeça de fora e o corpo preso de milhares de crianças. este ano absorvemos aberturas na forma de trabalhar na escola primária, às vezes vão de encontro a muitas reflexões actuais: não há avaliações formais, a escola termina pouco depois das três, há muito trabalho no tapete, os trabalhos de casa são curtíssimos, pontuais e incluem jogos de computador. aliciante portanto para meninos do século XXI. mas ser dos S'Se dos MAS e ser isto e aquilo e tudo ao contrário é uma baralhação. andamos sempre a tentar empurrá-los para fora do afunilamento visual que as tecnologias introduzem e para longe de um certo amorfismo corporal que elas vinculam, por isso, abrir um computador para fazer trabalhos de casa que são jogar é matar uma tarde de libertação e abrir as portas do encadeamento electrónico bloqueador. ser dos S'S e dos MAS faz-me andar num constante rewind a desejar modelos do século mais que passado. a desejar repetir com outro filho o mesmo modelo de alfabetização "obsoleto", "precoce", "tradicional" porque esse modelo trazia com ele uma professora do futuro, envolvente, mágica e empática, que fazia das letras personagens de muitas histórias e fazia-as aparecerem nos estojos dos meninos. não sei se importa saber que escola será essa do futuro. importa talvez formar melhor quem forma. 

25 de janeiro de 2016

é suposto educar

















































não é suposto os rapazes resolverem a vida à pancada e não é suposto as meninas serem vaidosas. não, não é suposto os rapazes não chorarem e não é suposto as meninas brincarem  só às mães. não é suposto os meninos não brincarem com cozinhas, não é suposto as meninas não saberem encaixar legos. por isso quando ontem a tensão subiu no parque voltamos a conversar sobre encontrar outras formas de usar a nossa caixa mágica que nos distingue de outros animais. por isso quando a tensão sobe entre os irmãos voltamos a conversar. os irmãos cá de casa também se chateiam, implicam, negoceiam, disputam territórios, alimentam conflitos que tentam resolver muitas vezes tão irracionalmente quanto lhes está na sua natureza. temos tempo. damos tempo. e tenta-mo-los transportar a conceitos práticos de disputa, que resultados, que soluções que alternativas. dois leões a disputar território pressupõe morte nos casos mais extremos mas se aos mesmos leões lhes fosse dada a oportunidade de conversar, de em alternativa acertar um acordo que acontecia? eles procuram a resposta e eu vou acabar o jantar...

10 de janeiro de 2016

this moment


























é do senso comum conhecido e particularmente daqueles que alargam o número de filhos a mais do que um que o primeiro filho, o que abre mais vezes as portas, condiciona muitas vezes a expressão espontânea do mais novo. uma comparação constante de habilidades deixa os pequenos desarmados na impotência de serem tão bons a desempenhar os mais simples papeis. como tão somente desenhar. há ali em permanência um confronto de idades que por vezes pode inibir uma expressão mais espontânea não tão condicionada pela avaliação e um certo desapontamento com a incapacidade de atingir as mesmas capacidades. eu não sei fazer. eu não sei desenhar. andamos a pensar como dar espaço quando ele é difícil de encontrar.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982