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8 de julho de 2021
19 de setembro de 2020
o poder da nossa paz outdoor
engolir milhões de vezes as palavras. permanecer sempre entre os opostos como se fossem sempre verdade, a afirmação e a sua negação. há sempre um lado B, um outro lado da margem do mesmo rio que corre vivo. ser morno, impulsivo e tranquilo e médio. aceitar a pandemia, aceitar as orientações. aceitar ainda com mais força que vivam sem máscaras. aceitar que brinquem em liberdade. aceitar que se constipem. aceitar que se aproximem. aceitar que convivam. aceitar que adoeçam. aceitar que cresçam. aceitar que há opções muito pouco razoáveis.
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18 de setembro de 2020
2020 da sorte que temos
temos sorte. no meio do caos. temos sorte. no meio do incerto. 2020 é o ano mágico. a ficar nas memórias deles. a ficar nas páginas dos livros. temos sorte porque é nos desafios que mais crescemos. temos sorte porque eles vão ganhar com a vida não ser sempre facilitada. temos sorte porque as experiências com desafios nos reportam mais consistência. temos sorte. mais sorte temos com as escolas deles. as medidas não nos assustaram no pré escolar. estão centradas num compromisso entre ser criança e adaptação a um vírus novo, as medidas estão a ser razoáveis no primeiro ciclo, há bola e corrida e ar livre. o segundo ciclo avança hoje e a apresentação da diretora de turma numa sala com pais arrancou com tudo menos só covid. acabou nas contingências desta vida mas foi mais para além disso. toda a comunidade a apalpar terrenos, tudo a encarar desafios. tudo a minimizar impactos foi o que sentimos. havia silêncio entre os pais e pouca agitação e é essa a mensagem que nos tem de pairar no sótão. quando a vida nos põe questões e desafios, temos sorte. porque a vida não é uma linha reta perfeita e quanto mais curvas mais ginástica mental ganhamos para a viver. temos sorte porque esta geração vai ganhar vida, profundidade, vivências marcantes que lhes aportarão material valioso. temos sorte porque o covid nos pôs a pensar mais e em mais coisas. temos sorte porque tomamos consciência do quão valioso são coisas pequenas. temos sorte porque nos lembramos que eles têm de brincar. temos sorte porque voltamos a por questões, a por coisas em perspetiva, a envolvermo-nos na vida. não nos queixemos. temos sorte. temos mesmo muita sorte porque eles vão poder escrever nos seus livros de memórias histórias de desafios que não se vão tornar A sua vida mas um episódio dela. a sorte que nós temos. a sorte que eles têm.
18 de março de 2020
o interior do miolo do que fica no meio de tudo
usam as mesmas mochilas desde sempre, não concebemos uma a cada ano. gerimos a otimização de tudo incluindo roupas e rotatividades. apuramos técnicas de fazer malas e arrumar roupa que já não largamos. fazemos rolinhos para tudo que encaixam nas paletas que construímos. mas há um elemento desligado, desfocado, não pede mundos nem fundos, aproveita os materiais até se reduzirem ao centímetro mas deixa tudo num estado lastimoso. há na natureza naturezas diferentes.
13 de fevereiro de 2020
imaginação viral
o vírus que ataca a histeria e traz inspirações a atividades de concentração escolar. material: uma fita rebentada de cartão escolar de segundo ciclo, um texto de opinião reutilizado, imaginação origami.
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5 de novembro de 2019
apertar os cintos primeira viagem a arrancar para novas dimensões
montanha russa acima montanha russa abaixo. sei que acabamos de aterrar na bilheteira e que ainda olhamos perdidos a lista de diversões, ainda estudamos o mapa e balançamos entre as atrações radicais e os divertimentos seguros. serás sempre tu que nos levarás aos mais recentes parques de diversões. já sabemos da risota pegada, do nervosismo acelerado e do medo e da adrenalina. as piadas parvas do início do parque são só para relaxar e nos ambientar. vamos apertando o cinto a cada recado da escola a ver se a soltura não descamba e se as piadolas do átrio de entrada não se tornam em bebedeiras nem pôem ninguém em coma cerebral. vamos esgotando blá blás morais e espicaçando o efeito fora de grupo. sabemos das emoções a darem sinais de contrações de braxton tal e qual o alerta do parto não eminente mas muito próximo. esta semana havia sinais positivos, uma calmia que esperamos prolongada para não estarmos sempre em apneia. e, como veio recado para casa coletivo mas em versão positiva armamo-nos com cana de pesca e botas de chuva e lançamos o anzol a pescar episódios escolares. lá vieram emoções e histórias, miudezas e profundezas mas entre o sacado saiu um pedido de desculpas espontâneo e sincero à professora de evt. se foi motor ou promotor não sabemos mas serviu para falarmos do efeito borboleta a ver se contagia estes infindáveis dias de chuva que nos têm alagado a mercearia das contas que fazemos. há sempre injustiças e justiças e tensões e emoções mas assim que se acalma o inverno que guarde a imagem da borboleta colorida que lhe mostrei e que nunca queira ser peça do tetris que faz linha e desaparece.
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13 de setembro de 2019
regresso às rotinas espartilho
és um obreiro mas para ti a boa vida é uma vida boa. apanhavas sempre esse barco das férias. não és saudoso nem das atividades extra que não queres deixar, nem do cheiro a cadernos novos, apesar de zeloso com tudo o que é material. guardas esses medos abafados a ganhar bafio e quando te soltas é a roçar pequenas explosões. sabes ser o estereótipo do irmão mais velho, zeloso, atencioso, cuidador. sabes ser o engenhocas tipo doutor pardal. manuseias à vontade o x ato e o cartão, as dobragens e os origamis, as cores e o preto no branco. escorregas na leitura e deixas-te ir com todos os apesares. tens na eminência de começar o último ano nesta escola de transição. caminhas a passos largos nas areias movediças da pré adolescência por isso te tolero algumas explosões. desafio-te para este ano a conteres as maçadas das professoras e das disciplinas mais maçadoras.
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2 de setembro de 2019
a escola que já é cor nas nossas vidas
conhecemos as combinações. o corpo docente que se mantém. sabemos dos cantos e dos recantos nas suas vertentes homónimas porque os cantos têm sons conhecidos. sabemos das rotinas e conhecemos quase de cor os conteúdos. sabemos das caras familiares e dos familiares propriamente ditos. sabemos das abordagens e das posturas. sabemos quase tudo de cor. sabemos também que o mini sente que sabemos mas o que vê são muitas caras novas e rotinas onde ainda não penetrou. o tempo, esse grande escultor, molda ao de leve e fará deste novo ciclo seguramente um dos melhores ciclos da sua vida e da nossa.
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11 de julho de 2019
histórias aos quadradinhos
quando lhe púnhamos picotagem na frente mostrava impaciência, enfado e fazia-o a despachar, sem entusiasmo. fomos catalogando a coisa assim: gestão de paciência para tarefas demoradas num nível baixo. mas as gavetas onde enfiamos características de pessoas a crescer não são caixas estanque, amovíveis, impenetráveis, bloqueadas. quando na escola lhe abriram este espectro da pintura de quadrados levou-a ao infinito, explorando com sapiência, paciência e empenho a tarefa de não descansar enquanto toda a folha não estivesse preenchida. abram gavetas, não deixem nada com aloquete e não cataloguemos os meninos que o crescimento é barro que se molda para sempre.
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5 de junho de 2019
4 de março de 2019
zoology
a zoologia entrou nas nossas vidas em cambridge pelas mãos do attenborough e porque o pequeno filho que passou para o meio adormecia cedo. ficávamos ali num namoro a três a repousar e a arrumar as mil gavetas abertas com tanta nova informação para gerir. por isso voltar significava sempre passar pelo recente inaugurado museu. neste momento temos tema para a nossa tribo inteira.
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26 de fevereiro de 2019
uma combinação certa
viva o espaço mental que combina ângulos com experimentação física com materiais à mão. esta combinação está certa e isto devia também ser valorizado. é fazer o que já foi feito mas nestes pequenos fazeres se encadeia o pensamento conjugado com a experimentação. foi um ano com dificuldades a três disciplinas. uma, pelo nível acima em que naturalmente se encontra, outras creio pela falta de existência dessa qualidade de que o principezinho fala: cativar. a cada ano que passa descobrem-se coisas dentro de nós mesmo nesses capítulos em que afirmamos que não somos bons. encontraste o teu poema. encontrarás o teu poema a cada ano, a cada esquina em que te reinventares. porque nos podemos reinventar uma vida inteira.
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21 de fevereiro de 2019
a história dos trabalhos de casa
essa sigla tpc, trabalhos para casa, tempo para conversar ou tempo para crescer, tem muito que se lhe diga. haja sempre um pelourinho como marco e tempo para conversar.
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9 de fevereiro de 2019
escola em casa
quando o estímulo baixa a níveis negativos metemos a imaginação em muito alta rotação. desta vez fi-lo repescar a nerf que se vai mantendo escondida e disparar sempre que lançasse todos os pronomes e determinantes com a rapidez de um foguetão. no fundo sabemos, os dois, que quando diz que não sabe quer dizer que não quer saber, mas sabe e sabe que sabe. os dois sabemos que sabe. por isso o lençol lançado na porta do quarto morrerá com tão pouco uso. entretanto eram tantas as datas à volta da reconquista cristã que metia o afonso henriques ao barulho que lhe lancei o desafio de as enfiar dentro de um cocas, aquele origami básico que se dobra à velocidade da luz. não sei, às vezes, a utilidade real destas aventuras que lanço no ar mas sei que lhes quero sempre mostrar que as tarefas mais maçadoras se podem transformar e que mantenham com o estudo uma relação positiva.
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21 de janeiro de 2019
pedras preciosas
quando te pedem para levares um substantivo de casa para lhe atirares adjetivos para cima, distenderes-te no vocabulário, na gramática da descrição, na multiplicação frásica. até conseguires atingir número suficiente para que se assemelhe a texto narrativo escolhes uma pedra. porque estás no segundo ano e nessa preciosidade está lá tudo.
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30 de dezembro de 2018
contar com contas nas férias
continuo sem aversão nem amor aos trabalhos para casa. às vezes dão-nos momentos maravilhosos, outras vezes tensos, outras vezes magistrais oportunidades de reinventarmos momentos construídos em conjunto, outras vezes imersões no mundo que nos rodeia a partir do mundo pequenino que nos envolve que é a família. vinha escrito no caderno treino de tabuadas e lá continuaram as letras abandonadas a marinar. mas eis que uma comunhão de acasos cruzou um momento em que tropeçamos num jogo com apenas dois filhos em casa e um jantar requentado e foi o apogeu de um momento de partilha que misturou trabalho, jogo, prazer, convívio à mistura e paz. e ali ficamos a montar a tabela e a fazer saltar números.
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7 de dezembro de 2018
viajar é sempre ir à escola
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21 de outubro de 2018
poesia guardada na tua gaveta
16 de outubro de 2018
à roda dos alimentos
chegou-me com o desafio de levar uma merenda saudável. lancei-lhe um sorriso contido por lhe colocar todos os dias na merenda fruta, tostas, wraps com sultanas e abacate ou qualquer coisa que inclua queijo. o que traduzindo não era nada de novo na nossa rotina. vincou que o concurso do dia da alimentação tinha uma condicionante que era comer a própria merenda. concluímos portanto que a fruta não fugiria muito da nossa rotina porque uvas são uma das fruta de eleição e a fruta da estação. incluímos cenoura crua por estar no seu top de preferências dos aperitivos e tostas com queijo por não termos cereais alternativos disponíveis. como tudo isto não era nada de novo decidimos avançar na apresentação e pusemos uma flauta a lançar vitamina A e um ouriço forrado de antioxidantes da época, tostas ET's recheadas de queijo e água porque este menino risca tudo o que for líquido embalado e repor água no organismo pareceu-nos sempre uma boa opção. simples assim.
notas soltas: a flauta segue a receita à risca mas tocar já é outro campeonato. ficou a intenção e o entusiasmo de uma família envolvida.
notas soltas: a flauta segue a receita à risca mas tocar já é outro campeonato. ficou a intenção e o entusiasmo de uma família envolvida.
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17 de setembro de 2018
lápis afiados
meninos espalhados. todos os dias várias voltas ao quarteirão a desafiar horas. a distribuir lápis afiados. setembro é capaz de ser dos meses mais desafiantes porque parece que a vida começa um bocadinho de novo.
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