4 de novembro de 2015

a vida a preto e branco

























imagens bonitas do nosso melhor ângulo, unhas pintadas, banhas encolhidas, paisagens idílicas, festas divertidas e pós coloridos a impregnar os nossos melhores sorrisos são o que se leva e sobretudo o que se quer mostrar desta vida. a parte boa da vida. desfilar conquistas, medalhas, viagens, sucessos e mudanças. partilhar tem muito que se lhe diga. a vida também é a preto e branco. ter uma relação amor ódio com a partilha, com este apoteótico desfilar de umbigos do século xxi dava pano para mangas. tenho pano para as mangas, faço as minhas camisolas.  ser isto e aquilo.

p.s. depois esbarramos nisto mas o melhor era convocarmos um grupo de amigos para jantar e tricotamos opiniões, era assim que gostaríamos de fazer.

3 de novembro de 2015

o meu melhor avô

























queria muito ter guardado todas as frases que disseste. todas as refeições que partilhamos quando esperava que regressasses impregnado de cheiro a serrim. guardei aquele teu dia angustiado pela tua nítida consciência que os teus dias se acabavam todos os dias. tu querias fazer tudo. eu sabia que tu eras uma espécie de sábio. a imagem de um sábio. eras gigante, doce, tranquilo o mais afectivo dos adultos no masculino. estudavas todos os dias a medicina dos teus dias e sabias. falavas com os netos sem infantilidade, com paciência, respeito e correspondência. nunca tinhas lido sobre parentalidade positiva. naquele dia em que toda a família se sentia perdida nas tuas atitudes e tiveste de sair eu corri atrás de ti e trataste-me com respeito. eras o menos exaltado e o que mais razões para isso tinha. segredaste-me o amor que tinhas por todos. naquele dia fiquei da tua altura quando me segredaste o os teus raciocínios sem eco no meio dos adultos. depois, naquele dia de natal percebi nitidamente que a directa que fizeste de forma sobrenatural para nos dar a mais preciosa prenda de toda a nossa vida seria das últimas. foi o teu último fôlego. está torneado em cada uma das reentrâncias que nos quiseste deixar. a primeira lágrima que te vi cair por não as teres conseguido forrar de ouro. por não as teres conseguido fazer reluzir. era dia de natal. dali saiste para o hospital e resististe uns meros 6 dias mais. nem mais nem menos. o ano novo começou sem ti. 1990 começou sem ti. tínhamos chegado a esboçar projectos para a minha adolescência e a tua reforma. queria muito ter guardado as tuas conversas. as tuas palavras. as tuas partilhas. a tua morte não me custou. eu não sabia o que custavam as mortes. as mortes não custam. as mortes são só momentos. momentos de um dia. o que custa vem depois. custa o vazio dos anos seguintes, custa agora a ausência de uma pessoa que não se chegou a viver. custa não viver uma pessoa que se queria muito viver. custa a ausência da pessoa que mais se queria viver. custa a ausência da pessoa que mais queria que os nossos filhos conhecessem. eras o bisavô idealizável.

2 de novembro de 2015

look both sides


























olá futuro. espero que te encontres bem, de boa saúde e cheio de momentos felizes. nós por cá andamos. vamos caminhando e usufruindo do que nos aparece pela frente temos estratégias mentais para o que há-de vir e incluímos o máximo de imprevistos e reviravoltas que imaginamos poder ainda ter no nosso processo de gestão mental. sabemos com todas as forças e experiências que o passado já nos deu, e não são poucas, a inevitabilidade das quebras no percurso linear e já fizemos contas a muitos cenários que possam atravessar todos os quadrantes possíveis. conseguimos que isso não nos inquiete. para aqueles que nos descendem a coisa muda de figura. estão em crescimento todos os dias, sedimentam informação no seu baú mental. sabemos como são preciosas estas camadas de sedimentos que se alojam para formar memórias de vários tipos de minerais compostos. alguns, autênticas pedras preciosas e nessas haverá o amor, a amizade e a inteligência emocional de que muitos se esquecem. futuro, tu que estas aí no silêncio do teu devir responde-me se as pedras preciosas que mais quero que brilhem e fiquem lapidadas ficaram bem sedimentadas  nestas maiores preciosidades que tenho. depois, diz me por favor que estes dias tão duros que lhes estamos a acrescentar se arrumáram no baú da sabedoria emocional e se os mesmos não estão a agitar e a fazer tremer as experiências mais positivas já consolidadas, os sorrisos, os saltos, as ligações afetivas mais circunstanciais mas não menos importantes e todas as ilhas que já lá estávam formadas e com muitas hiperligações. diz me que estes dias tão duros se transformáram em meras ferramentas futuras convertidas em armas sólidas para adultos equilibrados , respeitadores , afetivos , competentes, resilientes e assim mais uma meia dúzia de adjetivos que sosseguem o espírito de uma mãe. até já futuro vê-mo-nos tão em breve quanto nos seja possível .

1 de novembro de 2015

das tradições

























o halloween não nos pertence, o pão por deus nada nos diz. o primeiro dia de novembro tinha incluída uma formalidade familiar. a dimensão espiritual não dizia o mesmo a todos. a cerimoniosa visita ao cemitério esvaziava-se no convívio familiar e no encontro para infinitas brincadeiras que esse dia proporcionava. era um dia feliz. mas lá dentro, lá dentro desses dias cheios ou vazios de significados havia a tradição. as tradições pertencem-nos, constroem-se e destroem-se, mudam-se, adaptam-se, transformam-se, recriam-se, miscigenam-se. é fora e dentro das rotinas que guardamos memórias. na procura dos nossos momentos concentre-mo-nos no essencial. e depois e depois não podemos perder estas e deixar levianamente entrar tudo.

31 de outubro de 2015

30 de outubro de 2015

27 de outubro de 2015

25 de outubro de 2015

24 de outubro de 2015

sem amarras

























não tem tantas amarras. chama casa a muitas coisas.

23 de outubro de 2015

22 de outubro de 2015

west stow




















































teares, uma máquina de costura, lã e um fuso. ponham-lhe isso nas mãos ele dá sempre conta do recado. trata a antiguidade por tu e tem sempre partilhas sobre a vida selvagem.

18 de outubro de 2015

e depois




























agarramos o mundo com todas as forças. saímos de trilhos conhecidos e confortáveis. colamos-lhes outras culturas ao corpo. entrega-mo-nos a bandejas de novidades. estamos, de onde partimos, a meio caminho do polo norte. a mãe reclama muito dos trabalhos de casa no computador, são jogos aliciantes, numa grande parte das vezes desenvolvem o treino pretendido mas, outras, tornam-se contraproducentes, jogar sem assimilar os conteúdos não resulta. a mãe faz malabarismos e atira ao pai a sua quota parte. o filho safa-se e muito se deve à escola que o lançou nesta vida. a linguística absorve-a, sobretudo, nos recreios. é um novo mundo, este, cheio de incógnitas de percurso. e perguntam, muitas vezes, quanto às incógnitas. e esquecem, muitas vezes, que as incógnitas também são vossas, pais de filhos. e mesmo que vos pareça que o percurso se faz num caminho dentro da zona de conforto, dentro de trilhos mais ou menos conhecidos, nada nos é certo. nada lhes é certo. crescemos, todos, numa quota parte, dentro das margens das incógnitas. 

17 de outubro de 2015

16 de outubro de 2015

animais à porta




























há lesmas, muitas aranhas observadas, uma rã residente e outros animais de passagem. estamos no chão.

15 de outubro de 2015

brincar é trabalhar e trabalhar pode ser a brincar e tudo é aprender

























brincar é trabalhar e trabalhar pode ser a brincar e tudo é aprender. o trabalho pode não ser só trabalho e a brincadeira só brincadeira. pode ser tudo a mesma coisa. envolver uma criança no estudo não passa por mandar. mandar estudar, trabalhar, fazer tpc's são frases que carregam sempre associadas as ideias de parar, sentar numa cadeira, repetir, copiar, trabalhar e nunca mas nunca sorrir porque trabalhar é coisa séria. as coisas sérias pressupõe caras sérias.  sair da caixa. virar tudo ao contrário. virar tudo de pernas para o ar. trazer sempre na cabeça o dia em que memorizei uma lista de verbos coreografada no terraço de um anexo de uma casa onde vivi. a lista posso ainda hoje debita-la de trás para a frente da frente para trás. o corpo envolvido, a dança no corpo e as palavras acessórias. a receita envolvia prazer. quando envolvemos o trabalho num momento de prazer a apreensão muda, o corpo cede, tudo entra e flui de forma natural o contrário é um exercício de esforço metido ao pontapé. ter um desafio linguístico colossal pela frente coloca-nos diariamente sobre exercícios de esforço por vezes contra natura. impõe-se mais do que nunca virar tudo ao contrário. }as vezes fazem-se figuras mais patéticas e desajustadas que alguma vez imaginaria fazer não fosse a plateia ter o meu amor. repetir palavras para as memorizar de forma exaustiva é chato, cansativo, inebriante. damos luta. depois de cumpridas as formalidades do que é imperativo dar resposta partimos para o ataque usando armas inovadoras. desta vez usamos 6 azulejos, amostras a desuso de um qualquer escritório, uma caneta de acetato e uma oradora a proferir palavras teatralizadas. também serve pendurar palavras em árvores porque trepar para encontrar palavras não carece de grandes pedidos. um dia se por esta casa choverem fórmulas até guardamos esta carta na manga para copiar. o único objectivo que me move é filhos aprendam, descubram, procurem, saibam mas nunca se esquecem de o fazer por prazer no máximo de tarefas possível. haverá muitas sem prazer. mas descobrir o prazer da aprendizagem, o prazer do querer saber é o que acredito estar certo. um dia, quando for grande, vou aprender para ensinar.

14 de outubro de 2015

letras

























tem quatro anos e está a ser alfabetizado.

remendar


























um remedeio a ver se prolongávamos o joelho esquerdo das calças. a linha de bordar de vários tons de azul estabilizou de forma temporária o rasgão eminente. estão a precisar de um novo, estas, e seis outros pares. um mero remendo motivo para divagar. divagaremos.

12 de outubro de 2015

10 de outubro de 2015

pais deste mundo!


























somos todos iguais. o brilho no olhar, os acenos, as figuras patéticas, as exclamações desajustadas. os ligeiros empurrões. os gadgets em punho.  te-los ali basta. nem precisam de se mexer.

8 de outubro de 2015

reciclar


























passa por dar um novo ciclo aos objectos do quotidiano, afastá-los das colinas de lixo, adiar o mais possível o beco sem saída em que muitos destes objectos preconizam. hoje, reduziu-se, do monte dos desenhos e do monte do lixo, uma ínfima parte.

7 de outubro de 2015

pormaiores são pormenores grandes





























escrever cartas tem uma dimensão física que nos esquecemos que um email não tem. é como escrever um postal de boas festas ou colocar um parabéns no facebook. há qualquer coisa de muito desumano e artificial nas novas tecnologias que assustadoramente nos penetra nos vasos sanguíneos. há pormenores tão pormaiores que não cabem no digital. enquanto formadores temos o dever de ensinar a usar e a tirar o melhor partido possível dos dois mundos. há muita coisa encerrada nesta preparação de comunicação. escrever cartas fica na gaveta das receitas.  

6 de outubro de 2015

conta-me histórias aos quadradinhos



























depois de uma mini manta a marcar o aparecimento de uma tia sobravam ainda camisas cheias de histórias vivas e colarinhos e punhos mortos. serão dois livros abertos a explodir histórias por contar e a merecerem páginas soltas a acompanhá-las. aquecerão noites frias e serões com gente dentro. serão o nosso legado. o vosso conforto.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982