há dias, vários dias, desde há muitos dias atrás, que se vai sentindo prensada. assim como se uma prensa cúbica lhe passasse em cima. às vezes já não consegue dar-se a um de cada vez com a mesma paz com que se deu e isso sabemos que a aflige. depois sabe que a chamam sem chamar e nem sempre está livre porque a prendem tarefas de bebé. fraldas por mudar, sopas por meter numa boca, controlo motor obrigatório. é ai que grita como não se lembra de ter gritado na primeira viagem. é ai que se sente atada e bloqueada. às vezes pede o que não dá: controlo. às vezes dispara para muitos lados como se pudesse coordenar muitas marionetas ao mesmo tempo e em simultâneo, como se pudesse unicamente puxar fios fininhos e as extremidades estivessem em conexão para uma causa efeito imediata. um dia, algum dia, certo dia, mais dia menos dia, vai chegar o dia. o dia em que fala baixinho e só espalha amor. vai chegar um dia em que volta a sentar-se no chão, a penumbra acesa e as histórias a ecoar no quarto. ou então nao, já não vai a tempo desse dia. haverá sempre o dia em pode sentar-se no chão à porta dos quartoS com o seu próprio livro na mão e de vez em quando espreitará pelas frinchas das páginas do meio e se distrairá na história do que observará.
2 de junho de 2018
prensa ao cubo
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1 de junho de 2018
1,5
constróis-te no meio do turbilhão dos nossos dias. sossega-nos saber que as palavras que não dizes sairão em catadupa num repente. tens-nos dito que tens um lugar no nosso ninho. esta semana parece ter feito uma entrada nos terrible two precoce.
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31 de maio de 2018
29 de maio de 2018
28 de maio de 2018
ir
sempre que passeamos ganhamos vida. ganhamos alma. ganhamos proximidade. ganhamos mundo. vale tudo desde o outro lado do mundo ao parque da esquina basta estarmos.
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19 de maio de 2018
7 de maio de 2018
das redes
estaremos sempre cá em baixo. sabes que ainda sou pequenina como tu e também tenho a minha rede segura?
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1 de maio de 2018
mim
22 de abril de 2018
15 de abril de 2018
10 de abril de 2018
2 de abril de 2018
into the wild
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31 de março de 2018
29 de março de 2018
27 de março de 2018
zoo, bio, geo
e todas as logias que queiras. insistes na zoologia e eu insisto em alimentar-te paixões. dá a mão ao david ou ao darwin, dá a mão ao que te alimentar paixão. deixa o cabelo, a barba, as raizes crescerem para onde sentires o teu coração bater. vai por ai por onde te sentires confortável que nós estaremos aqui.
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1 de março de 2018
verbo viver
andamos a tentar correr atras da vida, parece que já não há pedalada para ela que corre que se farta. de repente o pequeno fez uma década, uma década como assim? de repente mesmo. entretanto o mesmo verdadeiramente pequeno sabe traduzir linguagem e tem sede de explorar o mundo. uma sede que nos leva a sermos umas sombras o mais visíveis possível, já que só a nossa real materialidade evita quedas de escaladas arriscadas. sabemos que na vida importa viver e viver para aprender é aprender melhor por isso valha-nos uma mão por baixo e infelizmente nao conseguimos confiar só na de deus, essa mega entidade volátil. queremos tanto desacelerar, e para eles eu quero-nos a nós a correr mundo até à esquina da selva mais próxima. porque descobrimos que a medida das distâncias, do perto e do longe é uma coisa relativa. porque sabemos que é com ar na cara e sem brinquedos que eles mais brincam e crescem e se expandem.e nós que estagnamos no crescimento apesar de tudo recorrer à expansao de nós é um recurso útil. mas depois no meio da inutilidade dos dias quando os ouço a cantarolar o perfect day, quando os observo, no quarto, luz apontada, livro aberto, mesmo que as palavras para o de meia dúzia de anos nao saiam todas com sentido, estamos lá, onde queremos estar.
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12 de fevereiro de 2018
11 de fevereiro de 2018
10 de fevereiro de 2018
9 de fevereiro de 2018
era uma vez um bolo II
fazemos versões. prolongamos festas. fazemos ainda mais festas. arranjamos temas. festejamos de formas alternativas sempre a concluir que era melhor enfiar muitos meninos em armazéns e para o ano é que vai ser. mas nunca é.
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era uma vez um bolo I
todos os anos, a todas as comemorações mais especiais me espeto em resultados toscos que atinjam na perfeição o que nos traduz. não temos o lar aprumado, a vida ascética, as refeições mais instagramáveis. não encomendamos bolos de massa pão coloridos com ingredientes desconhecidos. arriscamos as nossas imperfeições mais perfeitas, repescamos o que há mais à mão e vemos beleza onde pouca gente vê. vamos ao encontro uns dos outros, adaptamos espectativas e o resultado é a nossa cara chapada ali.
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7 de fevereiro de 2018
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eu vista por mim
novembro1982